A Petrobras e o governo travam, no momento, uma disputa em torno da revisão do contrato de cessão onerosa de exploração de 5 bilhões de barris de petróleo na área do pré-sal, feito pela União com a estatal em 2010. A Petrobras alega que é credora de US$ 30 bilhões, em sua demanda máxima, mas os ministérios da Fazenda e do Planejamento consideram que é a empresa que deve o mesmo montante ao governo, informaram duas fontes credenciadas da área econômica ao Valor. “Existe uma pequena diferença de entendimento em torno de valores”, ironizou uma fonte.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Essa definição é importante para o fechamento das contas públicas no próximo ano, pois o governo espera obter uma receita adicional na área do petróleo. A Petrobras, por sua vez, não abre mão do entendimento de que precisa ser ressarcida pelo Tesouro, pois teria pago bem acima do valor de mercado pelos 5 bilhões de barris da cessão onerosa, justamente por causa da queda vertiginosa do preço do produto no mercado internacional nos últimos anos.
O contrato de cessão onerosa foi assinado com base em um custo de exploração do óleo de US$ 8,5 por barril e no momento em que a cotação internacional do produto estava em torno de US$ 75 por barril. Agora, a cotação está em torno de US$ 50 o barril.
A revisão do contrato tem que ser feita com fundamento em laudos técnicos elaborados por entidades certificadoras independentes, a serem contratadas pela Petrobras e pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Dois laudos técnicos já foram concluídos, segundo informou fonte do governo ao Valor.
O primeiro, de uma certificadora contratada pela Petrobras, chegou à conclusão de que houve queda no custo de exploração e na cotação internacional e, por isso, estimou que a estatal teria mais de US$ 30 bilhões a receber da União. Outro laudo, feito por uma certificadora contratada pela Agência Nacional do Petróleo, também foi favorável à Petrobras, de acordo com a fonte.
Com base nesses dois laudos, a fonte informou que foram montados sete cenários sobre a questão. “Dos sete, apenas dois tiveram números desfavoráveis à Petrobras”, revelou a fonte do governo ao Valor. Ou seja, em apenas dois cenários, a estatal teria que fazer pagamento à União e não ser ressarcida.
Na terça-feira passada, o assunto foi discutido pelos ministros da Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, e da Fazenda, Henrique Meirelles, com o presidente da Petrobras, Pedro Parente. Mas não houve uma decisão. “O assunto é muito complexo”, disse uma fonte.
A definição dessa questão é essencial para saber o quanto do excedente de óleo na área da cessão onerosa caberá à União. Se tiver que pagar à Petrobras, a União usará o óleo excedente da área. Não existe a possibilidade de que o pagamento seja feito em dinheiro, advertiu um informante.
Se o valor devido à Petrobras for elevado – os US$ 30 bilhões, por exemplo -, restaria muito pouco óleo excedente a ser apropriado pela União e, assim, a receita a ser obtida pelo Tesouro em 2018 com a cessão onerosa seria também pequena. Por causa da disputa, a área econômica decidiu não incluir, na previsão da receita da União para o próximo ano, qualquer valor referente à cessão onerosa.
Uma fonte oficial observa que o entendimento a que o governo chegar com a Petrobras terá que ser aprovado pelo conselho de acionistas minoritários. Com isso, a fonte indica que não existe espaço para que a estatal do petróleo seja usada para fazer caixa para o Tesouro no próximo ano.
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