Petrobras deve ter lucro achatado por provisão sobre Plano Petros

(Esta matéria foi atualizada às 9h34 para corrigir uma informação. O valor total da venda da NTS foi de US$ 5,19 bilhões (e não US$ 4,23 bilhões). Em abril deste ano, no fechamento da operação, foram pagos US$ 4,23 bilhões à Petrobras. O restante será pago em cinco anos. Segue íntegra do texto corrigido.)

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A conclusão da venda da Nova Transmissora do Sudeste (NTS) e o reconhecimento de possível perda em processo judicial relacionado ao Plano Petros são os principais fatores que deverão influenciar o resultado da Petrobras no segundo trimestre. A estatal vendeu a NTS, por US$ 5,19 bilhões, para fundo gerido pela Brookfield – US$ 4,23 bilhões no fechamento da operação e o restante em cinco anos. Já a questão relacionada ao Plano Petros terá impacto negativo de R$ 6,5 bilhões. O balanço será divulgado amanhã, após o fechamento do mercado.

Com relação a igual período do ano passado, a expectativa de analistas consultados pelo Valor é de queda da receita operacional líquida, mas de crescimento expressivo na última linha, devido à base menor de comparação. Já sobre o primeiro trimestre deste ano, a previsão é um resultado menos robusto, devido à queda do preço do petróleo e das margens de refino.

A média com base nas projeções de oito casas de análise (BTG Pactual, Santander, UBS, Morgan Stanley, Credit Suisse, Goldman Sachs, JP Morgan e Itaú BBA) indica queda de 5,4% da receita operacional líquida da Petrobras no segundo trimestre, ante igual período de 2016, para R$ 67,4 bilhões.

Na mesma comparação, a média indica um crescimento de 8,6% do Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), para R$ 22 bilhões, e alta de 662% do lucro líquido, totalizando R$ 2,8 bilhões, ante os R$ 370 milhões apurados de abril a junho de 2016.

O lucro obtido no segundo trimestre do ano passado – período em que houve a transição da gestão de Aldemir Bendine, preso no último mês na 42ª fase da operação “Lava-Jato”, para a de Pedro Parente – foi influenciado por despesas com o plano de demissões voluntárias e uma baixa contábil relativa ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Na avaliação dos analistas, em geral, o itens não recorrentes deverão ter grande influência no resultado do segundo trimestre deste ano. Para o Itaú BBA, o resultado deve considerar um ganho de R$ 6,7 bilhões pela venda de 90% da NTS, além da perda de R$ 6,5 bilhões referente ao provisionamento do processo relacionado ao Plano Petros, uma provisão de US$ 73 milhões relativa aos acordos para encerrar ações individuais na Justiça dos Estados Unidos e uma perda de R$ 308 milhões relacionada à aderência ao Programa de Regularização Tributária (PRT).

Com relação à venda da NTS, o Santander e o Credit Suisse chamam a atenção para o fato de que, com a rede de 2.050 km de gasodutos operada a partir de abril pela Brookfield, a Petrobras tem que arcar com custos relativos à contratação de longo prazo da capacidade de transporte dessa malha. O banco suíço estima que essa despesa seja de US$ 1 bilhão por ano, a partir do segundo trimestre.

Sobre o Plano Petros, não há muita dúvida. No fim de junho, a estatal informou ao mercado que decidiu reconhecer como provável a perda em processo judicial na qual questiona despesas relacionadas à repactuação do Plano Petros. “A estimativa atual de impacto negativo no resultado bruto consolidado no segundo trimestre de 2017 é de R$ 6,5 bilhões”, informou a Petrobras, na ocasião.

Apesar dos muitos efeitos não operacionais, o J.P. Morgan diz esperar que a Petrobras divulgue um bom resultado operacional, sustentado, principalmente, pelos preços do Brent ainda elevados, beneficiando o segmento de exploração e produção, parcialmente compensados pelos números mais fracos de refino, devido aos preços menores de combustíveis.

Para o Goldman Sachs, os investidores ficarão focados em entender a geração de fluxo de caixa da Petrobras, considerando o fato de que a companhia tem executado um montante de investimentos em novos projetos abaixo do projetado, colocando riscos à meta de crescimento da produção.

Na comparação com o trimestre anterior, os analistas preveem resultado menos robusto. Os principais motivos são valor menor do Brent, ante os primeiros três meses do ano, e queda das margens de refino. (Colaboraram Juliana Machado e Rodrigo Rocha, de São Paulo)

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