Por dentro do TLD de Libra

Petrobras comenta os desafios e inovações tecnológicas associados à nova experiência no pré-sal da Bacia de Santos

[31.07.2017] 17h51m / Por João Montenegro

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fpso-pioneiro-de-libra.jpgFPSO Pioneiro de Libra ( Cortesia )

O Teste de Longa Duração (TLD) de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, será um importante marco para a indústria offshore no Brasil. Dependendo apenas do retorno à operação do sistema de pull-in do FPSO Pioneiro de Libra para começar a operar, o TLD será o primeiro a reinjetar todo o gás produzido e utilizará tecnologias inéditas, como linhas flexíveis de maior diâmetro.

A Petrobras tem programados cinco testes de produção em Libra, com duração de um ano cada, entre 2017 e 2023 – a nomenclatura muda de TLD para Sistema de Produção Antecipada (SPA) após o término da fase de exploração.

Diante da iminência do início das avaliações nesta que é uma das maiores descobertas offshore feitas no planeta nos últimos anos, a Brasil Energia Petróleo pediu à companhia que explicasse sua importância e comentasse os desafios e inovações tecnológicas associados a essa nova experiência.

A Brasil Energia Petróleo pediu à companhia que explicasse sua importância e comentasse os desafios e inovações tecnológicas associados a essa nova experiência. As respostas foram enviadas por e-mail pela assessoria de imprensa da companhia.

O que ainda falta ser contratado em termos de equipamentos e serviços para os testes?
Todos os equipamentos e serviços já estão contratados para os primeiros TLDs. Para os demais, os processos de aquisição de ANMs (árvores de natal molhadas), material de completação de poços e sistema de coleta serão iniciados oportunamente à medida que o esforço exploratório for se desenvolvendo.

Das dez árvores de natal molhadas previstas, sabe-se que quatro foram adquiridas da FMC Technologies (hoje TechnipFMC). As demais já foram contratadas? Se não, será lançada uma nova concorrência ou a Petrobras utilizará árvores de frame agreements existentes?
Conforme procedimento de contratação estabelecido no contrato de partilha de produção, a aquisição das ANMs para os SPAs será realizada através de processo competitivo na quantidade, especificação e prazos requeridos pelos projetos que vierem a ser aprovados.

Que tipos de informações a Petrobras espera obter com os testes em Libra? Quais as principais expectativas?
Os testes se destinam à obtenção de dados dinâmicos de longa duração, a serem utilizados na otimização do plano de desenvolvimento de Libra. Conhecer previamente o comportamento dos poços produtores e injetores de gás, operando nas condições de Libra, permitirá otimizar, por exemplo, o número e a capacidade dos sistemas de produção, assim como o número e as locações dos poços de cada plataforma. As informações ainda possibilitarão definir melhor a geometria e o esquema de completação dos poços; o mecanismo de recuperação secundária a ser adotado; bem como a adequada seleção de materiais para poços, sistema de coleta e instalações de superfície.

No que os testes de Libra se diferenciam de outros TLDs já realizados pela Petrobras?
A principal diferença dos testes de Libra em relação aos demais TLDs já realizados é que este será o primeiro com a reinjeção do gás produzido. Este fato aumenta substancialmente o valor das informações que serão adquiridas pelo teste, uma vez que será possível perceber a influência da produção e injeção entre os dois poços, o que permitirá caracterizar uma área maior do reservatório. Outra vantagem é que, por não haver necessidade de queima de gás, os poços poderão produzir no seu potencial máximo.

Quais as principais inovações tecnológicas aplicadas nos testes?
Esta será a primeira aplicação de linhas flexíveis de 8” no pré-sal da Bacia de Santos, o que propiciará vazões ainda mais altas que a dos poços atualmente produzindo na bacia. Além disso, os poços terão válvulas de acionamento remoto (completação inteligente) que podem controlar a produção de até três diferentes intervalos produtores em cada poço. E as alterações de pressão decorrentes da produção e injeção de gás nos poços do TLD também serão monitoradas por poços observadores, que estarão equipados com dispositivos de medição de pressão e temperatura.

Os testes em detalhes

Localização do bloco de Libra
Libra é um bloco marítimo que se estende por uma área de 1.547,76 km2, localizado em águas profundas no Polo Pré-Sal da Bacia de Santos. Está situado a uma distância de cerca de 165 km de Arraial do Cabo, no estado do Rio de Janeiro, em profundidade que varia de 1.700 a 2.300 m.

Sistema de produção
O TLD será executado pelo FPSO Pioneiro de Libra, do consórcio formado pela Odebrecht e a Teekay. Ele foi construído em 1995 como um navio-petroleiro e convertido em FPSO em Singapura, chegando ao Brasil em maio de 2017.
Com 308 m de comprimento, a plataforma tem capacidade para produzir 50 mil bpd de óleo e comprimir 4 milhões de m3/dia de gás natural. Ela será ancorada no assoalho marinho, em lâmina d’água de 1,990 m, com estacas torpedos e amarras de fundo.
O TLD e os SPAs envolverão, em cada um dos casos, a ligação de dois poços, um produtor e um injetor, ao FPSO. A conexão será feita por linhas de produção e reinjeção de gás, e também por linha de serviço, umbilicais de controle e árvores de natal molhadas.
A produção de petróleo será armazenada no FPSO e escoada por navios aliviadores, enquanto o gás produzido será parcialmente consumido na unidade de produção e o restante, reinjetado no reservatório.

Subsea
O TLD e os SPAs de Libra utilizarão 73,6 km de risers, 43,175 km de flowlines de 8” (no caso das linhas de produção) e 6” (serviço e injeção de gás). Para o TLD, o fornecimento dos risers ficou a cargo da Technip (hoje TechnipFMC), enquanto os umbilicais e ANMs foram fabricados pela MfX e e FMC Technologies (TechnipFMC).

Apoio terrestre
A base terrestre para a armazenagem de equipamentos e materiais será o armazém Docas no Porto do Rio de Janeiro. Em situações pontuais, para carregamento de linhas, será utilizada a base de Vitória (ES) – Basvit e alguns equipamentos poderão ser armazenados no Parque de Tubos Macaé (RJ) – Imbetiba. Além disso, a base de Macaé (RJ) poderá ser acionada em situações de contingência.

Apoio aéreo
O acesso por helicópteros está previsto para ser feito a partir dos aeroportos de Cabo Frio e de Jacarepaguá, ambos no estado do Rio de Janeiro, para embarque e desembarque de tripulantes do FPSO.

Barcos de apoio
A Petrobras utilizará duas embarcações de apoio de carga geral, que farão, ao todo, cerca de duas viagens por semana entre o bloco de Libra e a base de apoio terrestre, tanto durante a etapa de instalação quanto durante a produção.
O empreendimento contará ainda com uma embarcação para o fornecimento de óleo diesel ao FPSO, que fará cerca de duas viagens por mês entre os dois pontos, um PSLV para fazer a instalação, interligação e recolhimento de linhas flexíveis, assim como uma embarcação aliviadora que fará o transporte do óleo do FPSO para terra, uma vez por semana, para destinos nacionais e internacionais.

O incidente
O incidente em Libra ocorreu na operação de pull-in do umbilical eletro-hidráulico do poço 3-RJS-739, que, devido a uma falha, acabou caindo no mar, levando consigo o cabo de aço do guincho que fazia sua interligação. O pull-in consiste no conjunto de manobras de superfície para viabilizar a transferência de um duto a ser interligado por meio de sua conexão e fixação na plataforma.
A primeira fase dos testes no prospecto estava originalmente programada para dezembro de 2016, mas foi adiada para julho deste ano. No entanto, até o fechamento desta reportagem, isso não havia acontecido.
“A definição da nova data para o primeiro óleo de Libra ainda depende do retorno à operação do sistema de pull-in do FPSO Pioneiro de Libra, da reprogramação das atividades de interligação dos poços e da Licença de Operação do Ibama”, informou a Petrobras. A autorização do instituto foi concedida no dia 14 de julho.

http://brasilenergiaog.editorabrasilenergia.com/news/oleo/ep/2017/07/por-dentro-do-tld-de-libra-450491.html

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