Arauco já discutiu compra da Eldorado com Petros e Funcef

Eldorado Brasil pode produzir 1,7 milhão de toneladas por ano de celulose e é uma das maiores fábricas do mundo

Representantes dos fundos de pensão Petros, dos funcionários da Petrobras, e Funcef, da Caixa Econômica Federal (CEF), se reuniram na semana passada com a equipe da companhia chilena Arauco, que está no Brasil para negociar a compra da Eldorado Brasil, apurou o Valor. As fundações são acionistas da Eldorado – produtora de celulose controlada pela J&F Investimentos – por meio do FIP Florestal, que detém 34,45% do capital da empresa.

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A avaliação é que os fundos de pensão estão dispostos a vender sua participação na Eldorado e poderiam influenciar na definição do comprador do ativo. Além dos chilenos, a brasileira Fibria estaria pronta para apresentar uma oferta pela concorrente e a Suzano Papel e Celulose também tem interesse.

A Arauco, uma das maiores empresas de base florestal do Hemisfério Sul, e a J&F anunciaram em 16 de junho um acordo de exclusividade para avaliar um possível investimento na Eldorado, que tem uma fábrica em Três Lagoas (MS), apta a produzir 1,7 milhão de toneladas ao ano.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, os chilenos avançaram nas diligências, que começaram em Três Lagoas e, agora, estão concentradas no prédio da J&F e da Eldorado na Marginal Direita do Tietê, na capital paulista. O objetivo seria sacramentar a compra na primeira semana de agosto, desde que alcancem uma definição no preço final da empresa.

Para garantir as tratativas exclusivas, os chilenos teriam apresentado -, conforme fontes a par das negociações -, oferta de quase R$ 14 bilhões à J&F, retirando Fibria e Suzano do páreo no primeiro momento. O valor final do negócio, porém, pode ser inferior devido a passivos que foram encontrados no processo de auditoria dos números da Eldorado.

Após o recebimento de uma proposta formal para venda de sua participação na produtora de celulose, a J&F tem de comunicar o FIP Florestal, que terá direito de preferência na operação mas pode ainda vender em conjunto sua participação. A Planner Corretora, que administra o FIP, informou que não tem conhecimento da reunião. Petros e Funcef, por sua vez, informaram via assessoria que não comentariam o assunto.

Controladora da Eldorado com participação direta de 63,59%, a J&F tem 50,5% do FIP Florestal. Os dois fundos detêm 49,5% no FIP – 24,75% cada um.

Para a Arauco, a compra da Eldorado representará finalmente fazer celulose no Brasil, objetivo perseguido há anos e acabou frustrado pela proibição da compra de terras por estrangeiros. Em vendas, é hoje maior que as brasileiras. Um dos braços da Empresas Copec, holding da família Angelini, em 2016 a Arauco teve receita líquida de US$ 4,76 bilhões – ou pouco mais de R$ 15 bilhões ao câmbio atual -, frente a R$ 9,62 bilhões da Fibria, R$ 9,88 bilhões da Suzano e R$ 2,91 bilhões da Eldorado. Seu principal negócio são produtos de madeira, seguidos de celulose.

Diferentemente de Fibria e Eldorado, focadas em celulose de eucalipto, a Arauco faz diferentes tipos da matéria-prima: fibra curta, fibra longa, fluff (usada na fabricação de absorventes e fraldas descartáveis) e kraft não branqueada.

A J&F, apurou o Valor, tem expectativa de embolsar ao menos R$ 2,5 bilhões com a venda apenas de suas fatias na Eldorado, no plano de ajustar seu perfil financeiro.

http://mobile.valor.com.br/empresas/5047626/arauco-ja-discutiu-compra-da-eldorado-com-petros-e-funcef

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