Múltis, fundos e petroleiras têm interesse na Braskem

Grandes grupos petroquímicos multinacionais poderão entrar na disputa pela participação acionária da Petrobras na Braskem, que é a maior fabricante de resinas termoplásticas das Américas, apurou o Valor. Segundo fontes da indústria, Exxon, Shell, LyondellBasell e Dow Chemical já teriam manifestado interesse na companhia brasileira, cuja receita líquida totalizou R$ 47,7 bilhões no ano passado.

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Fundos de private equity e de pensão, além da Saudi Aramco, apontada no passado como potencial compradora, também teriam indicado disposição de olhar o ativo. A chegada ao capital da Braskem significará para essas empresas assumir a liderança no mercado de resinas termoplásticas do continente americano. Para a maioria dos grupos, a aquisição representaria ainda a entrada no mercado brasileiro de resinas, que no ano passado movimentou cerca de 5 milhões de toneladas.

A Exxon, companhia americana de petróleo e gás, já tem presença relevante em petroquímica fora do Brasil e seu braço para essa indústria é maior que a Braskem. No país, a companhia também está olhando oportunidades em exploração de óleo e refino e poderia integrar as matérias-primas à produção de resinas.

Para a Shell, que explora petróleo em campos brasileiros, faria sentido avançar para a produção de petroquímicos, segundo uma fonte. A Lyondell, por sua vez, não produz óleo e gás e, para ter escala para competir com suas pares nas Américas, precisaria ter acesso ao mercado brasileiro. Já a Dow poderia enfrentar resistência no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no segmento de polietileno, uma vez que produz a resina na Argentina e exporta para o país.

Procurada, a Shell informou que não comenta “o status de ações e acordos comerciais potenciais ou em andamento”. A Dow Chemical disse que não comenta rumores de mercado e a ExxonMobil, que não comenta sobre seus planos de negócio.

As conversas em torno do futuro sócio da Odebrecht na Braskem foram retomadas com a notícia de que as controladoras estão revisando os termos e condições do acordo de acionistas celebrado em fevereiro de 2010, que dificulta a venda – cuja intenção já foi confirmada – da participação da Petrobras.

O novo acordo de acionistas poderá garantir mais direitos a um futuro sócio, apurou o Valor. A intenção é mudar o que for necessário para gerar valor a todos os acionistas e, ao mesmo tempo, atrair para a Braskem um sócio alinhado ao projeto da empresa, sob a ótica da Odebrecht, segundo fontes próximas às empresas. Maior compartilhamento da gestão e até mesmo do controle da petroquímica podem ser consequências do novo acordo, mas ainda é cedo para afirmar qual será a extensão dessas mudanças.

Revisão do acordo de acionistas é vista como fundamental para a Petrobras vender sua fatia de 36% na empresa

A revisão deve se alongar por todo o segundo semestre deste ano, disse uma fonte a par do assunto. Com isso, uma eventual venda da participação de 36% da Petrobras na petroquímica é assunto para 2018. A mesma fonte comenta que as conversas ainda são incipientes e a fase atual seria de formação de um grupo de trabalho que será encarregado de elaborar as propostas de mudança no acordo.

Para outra fonte, a disposição de mudar o acordo por parte da Odebrecht e o distensionamento do lado da Petrobras destoam do ambiente difícil de relacionamento estabelecido entre as sócias no passado recente. “Hoje o ambiente é muito mais propício”, afirmou.

Uma das cláusulas que devem ser alteradas é a que retira do comprador da participação da Petrobras direitos previstos no acordo vigente – o novo sócio estaria sujeito ao acordo de acionistas original, diferente do que está em vigor. Outra cláusula garante à Braskem o direito de apresentar um comprador “alternativo”, que aceite as mesmas condições acertada pela Petrobras para venda de suas ações, e deve ser alterada.

Além da revisão, fundamental para que se leve adiante uma transação dessa natureza, a assinatura de um contrato de longo prazo para fornecimento de nafta é apontada como fator relevante para definição do valor da venda. No entanto, esse assunto “não está na mesma mesa” de negociação que o acordo, disse uma fonte, acrescentando que o entendimento de que nafta é uma questão comercial e, portanto, deve ser tratada entre Braskem e Petrobras.

No mercado, a expectativa é a de que essa negociação ocorra antes do processo de venda da fatia da estatal.

Para os analistas Christian Audi e Gustavo Allevato, do Santander, a negociação em curso pode envolver um novo contrato de longo prazo para fornecimento de nafta. “Se bem sucedido [a revisão do acordo], isso poderá atrair novos parceiros para a discussão”, escreveram.

Caso a estatal e a Odebrecht cheguem a novos termos atrativos, é provável que haja espaço para uma reavaliação das ações de Braskem, conforme o banco. Neste momento, a ação da petroquímica é negociada a um múltiplo de valor de empresa/Ebitda em 2017 de 4,5 vezes, com desconto de 41% em relação a seus pares globais. “Nossa análise de sensibilidade mostra que um potencial estreitamento desse desconto para o nível de 10% a 20%, por exemplo, poderia elevar em 60% a 90% o valor da Braskem”, afirmaram os analistas.

O Santander tem recomendação de compra para Braskem, com preço-alvo de R$ 42 ao fim deste ano. As ações PNA encerraram o pregão de ontem valendo R$ 39,26, com alta de 2,61%.

(Colaborou André Ramalho, do Rio)

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