Brookfield, a maior rival dos chineses nas aquisições de empresas de energia

Quem é a empresa que aposta, no momento, as fichas na Renova e vem ampliando aquisições no Brasil

A Brookfield vem se apresentando no país como uma das mais ativas compradoras de empreendimentos do setor energético, aproveitando-se do momento de baixa no mercado brasileiro. No momento, a companhia vem se destacando como a compradora de participação na Renova, empresa de geração renovável da Cemig que enfrenta dificuldades financeiras e feito uma espécie de contraponto à ostensiva presença de empresas chinesas nas mesas de negociação de ativos do mercado brasileiro.

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A Cemig aprovou exclusividade para negociar com a canadense, sem revelar valores de negócios, mas em março, a Reuters havia noticiado que a Brookfield estaria próxima de fechar acordo para aquisição de 30% de participação na Renova, o que incluiria injeção de R$ 800 milhões no capital da endividada empresa de energias renováveis. Mas quem é a Brookfield?

Segundo informações disponíveis no site da canadense, o portfólio global é composto por 360 usinas hídricas, solares, eólicas e de outras tecnologias, que totalizam US$ 30 bilhões de dólares em ativos, localizados na América do Norte, América do Sul e Europa. No Brasil, a companhia possui cerca de R$ 40 bilhões em ativos sob gestão em diversas áreas, inclusive rodovias, ferrovias e terminais marítimos.

A Brookfield também opera sistemas de dutos de gás e transmissão nos Estados Unidos, operações de distribuição não regulamentadas de propano liquefeito e gás natural na Austrália e Reino Unido, centros de armazenagem de gás natural em Alberta e nos EUA, além de sistemas de aquecimento e refrigeração em distritos na Austrália, Canadá e EUA, de acordo com divulgações institucionais da companhia. Em entrevista concedida à agência de notícias Bloomberg, citada em reportagem da revista Época Negócios de maio deste ano, o presidente mundial da Brookfield, Bruce Flatt, disse que a empresa gosta de investir quando o dinheiro não está fluindo.

“O que fazemos é mover recursos para onde há oportunidades. Há oportunidades que nunca existiram antes no Brasil, custando frações do que poderiam custar”, disse, na ocasião à Bloomberg. Relatório anual mais recente disponível no site da companhia indica a realização de investimentos de R$ 4,8 bilhões em aquisições e de R$ 4,7 bilhões em expansões.

A canadense não é novata no país. Os primeiros bondes elétricos do país, implantados no final do século 19 em São Paulo e no Rio de Janeiro, foram implantados pela empresa. A marca sucedeu à centenária Brascan, que criou e por muitas décadas deteve a concessão da Light. No Brasil, a Brookfield também é conhecida pelo braço de incorporações imobiliárias, que recentemente foi rebatizada para Tegra, porém sempre teve atuação mais maciça no setor de infraestrutura. No Brasil, a empresa possui portfólio com 42 hidrelétricas, cinco parques eólicos e três usinas de biomassa, além de linhas de transmissão.

Mas a atuação nos últimos anos tem sinalizado que a empresa pretende ampliar ainda mais os negócios com energia. A maior movimentação foi no transporte de gás natural, aproveitando o programa de desinvestimentos da Petrobras.

A Brookfield fechou a compra de 90% da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), com toda a malha de gasodutos da Petrobras no sudeste brasileiro, por US$ 5,2 bilhões. O negócio foi concluído em abril. Por sinal, a canadense abriu espaço para a Itaúsa, holding de investimentos do Banco Itaú Unibanco, que comprou 7,65% da NTS das mãos da Brookfield – a Petrobras manteve 10% de participação.

A empresa também estava de olho na fatia da BR Distribuidora que seria colocada á venda – recentemente, o presidente da estatal, Pedro Parente, anunciou a intenção de abrir o capital da empresa de combustíveis.

O interesse da Brookfield no campo dos combustíveis também se materializou com a aquisição da Greenergy Fuels, trader de combustíveis, exportadora de etanol e importadora de óleo diesel, biodiesel, bioetanol e solventes sediada no Reino Unido e operações no Brasil.

Geração crescente

A participação da Brookfield no setor elétrico já é conhecida – a empresa possui ativos de geração, como PCHs. Nesse campo, a companhia tem sinalizando a manutenção do interesse em crescer. Em janeiro do ano passado, a Brookfield fechou a aquisição de usinas da EDP Energias do Brasil, agrupadas na Pantanal Energética por R$ 390 milhões.

Enquanto vem tentando viabilizar novas compras no Brasil, no exterior, a Brookfield fechou em 2016, inicialmente, a aquisição de 12% da TerraForm Global, pagando quase US$ 100 milhões, tornando-se sócia da SunEdison, gigante norte-americana de energias renováveis que enfrenta processo de recuperação judicial.

Em março deste ano, a canadense avançou ainda mais na TerraForm Global, ao pagar US$ 787 milhões pelo restante da participação na companhia. Ela ainda desembolsou mais US$ 1,7 bilhão por 1% de participação na TerraForm Power, outra ubsidiária de geração da SunEdison.

As duas aquisições colocaram 3.919 MW de energia solar e eólica instalados em 11 países nas mãos da Brookfield – o negócio envolveu ainda a aquisição das ações da americana detidas pela Renova, encerrando processo de arbitragem.

No Brasil, a TerraForm tentou fazer uma associação com a Renova para a instalação de parques eólicos e solares, mas o negócio não se concretizou. A Renova, por sinal, também encontra-se em dificuldades e entrou no radar da Brookfield, que fez a oferta de compra e espera fechar a aquisição de parte dos ativos. Num momento em que se vê muitos ativos à venda, num Brasil em crise econômica e política, são poucos os que possuem capital e disposição para aquisições. Pelo visto, pelo menos uma parte do capital não virá da Ásia.

http://brasilenergia.editorabrasilenergia.com/daily/bec-online/empresas/2017/07/brookfield-maior-rival-dos-chineses-nas-aquisicoes-de-empresas-de-energia-475188.html

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