Preparando o gás de Libra

Petrobras estuda forma de escoar a produção do energético. Siemens monta projeto para produzir energia offshore

[03.07.2017] 09h36m / Por Felipe Maciel Maciel

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039114.jpgA Petrobras estuda montar um hub de gás natural para Libra ( Cortesia )

A Petrobras começa a correr contra o tempo para resolver o problema do escoamento do gás natural da Bacia de Santos com o desenvolvimento da produção da área de Libra, que será declarada comercial até o fim do ano. A empresa já estuda a implantação de um hub de gás para receber a produção dos quatro primeiros sistemas de produção previstos para a área.

O hub de gás na parte Noroeste da área está sendo visto internamente na empresa como uma opção que pode dar flexibilidade a cada projeto de produção, conforme o volume de produção de cada plataforma. Com produção local e especificações funcionais mínimas, o projeto pode demandar baixo investimento e não limitar a produção de óleo à queima de gás natural.

E isso não é pouca coisa. Atualmente, na Bacia de Santos existem poços produzindo no pré-sal mais de 40 mil barris/dia de óleo. Uma limitação como essa pode impactar todo o planejamento da empresa, reduzir sua rentabilidade e causar impacto direto sobre estados, municípios e União, que deixarão de receber royalties e participações especiais.

A Petrobras ainda trabalha para fechar a contratação do primeiro FPSO definitivo de Libra, que atualmente está sendo licitado e com pedido de waiver em análise pela ANP. A meta da empresa é que a unidade, com capacidade para produzir 180 mil barris/dia e 12 milhões de m3/dia de gás natural, tenha o projeto sancionado até setembro para produzir o primeiro óleo em 2020. Todo o gás da unidade será reinjetado.

A meta do E&P da petroleira é fechar até o fim deste mês de julho a concepção do projeto de Libra 2, sancionar o projeto até fevereiro do próximo ano e entrar em operação em 2021. Está em estudo um modelo similar ao mesmo aplicado em Libra 1, com a reinjeção de todo o gás produzido. A empresa, contudo, já colocou na mesa a possibilidade de exportar o gás em uma unidade com capacidade para 225 mil barris/dia de petróleo e 15 milhões de m3/dia de gás.

Os projetos de Libra 3 e Libra 4 devem ter seus conceitos definidos em maio de 2018 e março de 2019, respectivamente, para produzir em 2020 e 2023. Todo o desenvolvimento da produção está sendo lastreado pelo programa Libra 35, no qual foram identificadas 35 ações de redução de custo e de aumento da recuperação de petróleo aplicáveis ao primeiro sistema. Essas ações pretendem baixar o break even para um máximo de US$ 35/barril no desenvolvimento da produção em Libra.

Nova saída para o gás
Não é de hoje que a Petrobras estuda uma saída para o gás do pré-sal. Em 2011, quando a ex-presidente da empresa, Maria das Graças Foster, ainda comandava a extinta diretoria de Gás e Energia, ela chegou a licitar a construção de uma unidade do tipo FLNG. O consórcio Saipem/Hyundai apresentou o menor preço na concorrência para a construção da unidade, naquela época cotada em US$ 3,29 bilhões. O negócio acabou não indo adiante.

Agora, um novo modelo pode ser a saída para o gás de Santos. Um projeto desenvolvido e capitaneado pela Siemens pretende construir uma termelétrica offshore a aproximadamente 200 km da costa. A unidade, que ficaria em cima de um casco semissubmersível seria a primeira desse tipo no mundo.

O projeto envolve diversas empresas do Grupo Siemens e já foi apresentado à Petrobras e a outras petroleiras com projetos de gás natural não associado no Brasil. A energia, produzida no topside da plataforma, teria sua tensão reduzida e seria e transmitida até um grid em terra até um grid em terra. O gás excedente seria criogênizado e poderia ser comercializado a partir de navios.

Os estudos feitos pela empresa indicam que essa térmica pode ter alta competitividade nos leilões de energia nova e gerar ganhos de até 20% por conta do volume de gás disponibilizado na base. A empresa, porém, precisaria ter um parceiro estratégico na área de geração de energia para poder vencer o leilão e colocar essa energia no Sistema Interligado Nacional (SIN).

http://brasilenergiaog.editorabrasilenergia.com/news/gas/ep/2017/07/preparando-o-gas-de-libra-450475.html

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