Petrobras pode exportar derivados do Comperj

Parte da produção futura de combustíveis da refinaria do Comperj, em Itaboraí (RJ), será exportada, caso a Petrobras e a chinesa CNPC firmem parceria para a retomada do projeto, disse uma fonte a par do assunto. A conclusão das obras do empreendimento, cuja construção já atingiu cerca de 85% de execução, depois de investimentos de US$ 13 bilhões, é um dos pontos em aberto no memorando de entendimento assinado pelas duas companhias, terça-feira, em Pequim, capital da China.

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De acordo com o memorando firmado entre as partes, “as empresas se comprometem a avaliar, conjuntamente, oportunidades no Brasil e no exterior em áreas-chave de interesse mútuo, beneficiando-se de suas capacidades e experiências em todos os segmentos da cadeia de óleo e gás, incluindo potencial estruturação do financiamento”. De acordo com a fonte, o documento não lista que projetos serão desenvolvidos em conjunto, mas na prática as companhias acertaram que estudarão parcerias em alguns ativos nas áreas de exploração e produção e refino, dentre eles o Comperj.

Chinesa CNPC já é sócia no projeto de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, no qual detém 10% do consórcio

A principal dentre as alternativas em estudo prevê que a CNPC assuma todos os custos para concluir o empreendimento, de cerca de US$ 2,3 bilhões segundo estimativas da Petrobras de 2015. Nesse caso, em troca, a chinesa teria uma participação minoritária na refinaria equivalente ao total dos aportes. Com isso, explicou a fonte, a Petrobras não colocará nenhum dinheiro novo no projeto.

Ainda não há uma data prevista para a conclusão da negociação, nem para a retomada do empreendimento e sua conclusão. O projeto do Comperj previa uma capacidade de processamento de 165 mil barris diários de petróleo.

De acordo com outra fonte, as negociações estão em linha com a estratégia definida pela Petrobras no plano de negócios de 2017-2021, segundo o qual qualquer iniciativa de alocação de recursos para a conclusão do Comperj deve vir, obrigatoriamente, de parceria.

O banco UBS classificou como positiva a possível parceria entre a Petrobras e a CNPC para conclusão das obras da refinaria Comperj. O banco de investimentos destaca que, se o consumo de combustíveis começar a crescer novamente no Brasil, haverá demanda por novas refinarias e lembrou que o único novo projeto de refino previsto no país é o do segundo trem da Rnest, em Pernambuco, que deve começar a operar em 2023.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) já chegou a afirmar que as importações de derivados poderiam atingir entre 1,14 milhão e 1,2 milhão de barris diários até 2030, a depender da conclusão, ou não, do Comperj, que hoje se encontra fora do horizonte do plano de negócios da Petrobras.

A única obra do projeto fluminense atualmente prevista pela estatal é a construção da unidade de processamento de gás natural (UPGN), que demandará investimentos de US$ 2 bilhões e está prevista inicialmente para 2020. A licitação para a execução das obras, porém, ainda não foi concluída.

Enquanto isso, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí, o canteiro de obras está parado – 600 pessoas trabalham diariamente, no local, basicamente com a manutenção do Comperj.

A assinatura do memorando de entendimentos com a CNPC ocorreu um dia após a entrada em vigor da nova política de preço de combustíveis da Petrobras, com possibilidade de reajustes diários e, portanto, mais aderente ao mercado internacional. Especialistas avaliam que a nova política deverá aumentar a atratividade do setor de refino para novos investidores.

A CNPC já é parceira da Petrobras no projeto de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos. A chinesa tem 10% do consórcio, em sociedade com a compatriota CNOOC (10%), a Total (20%) e a Shell (20%). A estatal brasileira é a operadora com 40%. A previsão é iniciar este mês a produção no campo, por meio de um teste de longa duração (TLD).

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