Mudança na Gestão

Petrobras discute reestruturação de suas Unidades de Operação, com foco na redistribuição de seus campos offshore

[03.07.2017] 09h33m / Por Claudia Siqueira

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conteudo21192.jpgPetrobras vai redstribuir ativos entre as unidades operacionais da empresa ( Cortesia )

Equilibrar as carteiras de ativos de produção offshore das Unidades de Operação do Rio de Janeiro e das bacias de Campos, Espírito Santo e Santos. Esse é o conceito da megarreestruturação que vem sendo costurada pela área de E&P da Petrobras, com foco no rearranjo dos principais campos marítimos entre as Unidades de Operação de Exploração e Produção, conhecidas como UOs. Entre as mudanças previstas estão a destinação do projeto de Libra para a UO-Rio e não para a carteira da UO-BS, como era de se esperar, já que a área está localizada na Bacia de Santos.

A reorganização dos campos irá mudar o atual perfil das quatro principais UOs da Petrobras, que hoje respondem pela maior parte do volume produzido pela petroleira no mar, aproveitando de forma mais adequada a vocação de cada uma. Com praticamente toda a produção concentrada no offshore, a Petrobras optou por redistribuir apenas a carteira de projetos de produção marítima, focando o trabalho nos principais campos das bacias de Campos, Santos e Espírito Santo.

Nos últimos anos, com a queda dos trabalhos de E&P em áreas de pós-sal, as atividades das UOs BC, Rio e ES perderam espaço e prestígio para a UO-BS, que sob o atual escopo de projetos é a única unidade que registra crescimento expressivo de sua curva de produção..
A unidade da Bacia de Santos tem uma produção operada de 1,2 milhão de b/d de óleo (65% referente à parcela Petrobras e 35% de sócios não operadores), além de entregar ao mercado diariamente, em média, 32 milhões de m3 de gás .
O critério de análise de reorganização dos ativos de produção offshore considera fatores como proximidade geográfica e características similares de gestão e potencial de implantação de novos projetos.

Cessão onerosa em pauta
Na busca por unidades de operação mais equilibradas ou mais precisamente por não concentrar todos os projetos na carteira da UO-BS, a UO-Rio, cuja sede funciona a poucos metros do estádio do Maracanã, voltará a ganhar destaque no mapa da Petrobras, passando a operar um número expressivo de projetos em processo de implantação. Somente com Libra, a UO herdará de imediato o FPSO Pioneiro de Libra, unidade que fará os testes de longa duração e entrará em operação neste mês, e mais quatro FPSOs definitivos já aprovados para o período de 2020 a 2024. Juntas, essas unidades garantirão uma capacidade instalada total de 720 mil b/d de óleo e 48 milhões de m3/dia de gás, bem como a perfuração de 68 poços. Além das quatro fases já aprovadas, o ativo deverá demandar pelo menos outras seis unidades de grande porte.

Não bastasse o peso de Libra, a Petrobras avalia também a possibilidade de colocar sob a tutela da UO-Rio os ativos da cessão onerosa. Se formalizado, o gerenciamento do ativo assegurará a implantação de dez FPSOs no período de 2018 a 2021.
Tanto Libra quanto os ativos da cessão onerosa estão localizados dentro dos limites marítimos do Rio de Janeiro. Afora a questão geográfica, que favorece a mudança, pesa também o fato de todas as discussões sobre esses ativos estarem concentradas na sede da Petrobras, a poucos quilômetros da sede da UO-Rio.

No caso do projeto sob o regime de partilha, o apelo pela destinação do ativo para o Rio de Janeiro se torna ainda mais forte já que o projeto possui –e continuará a ter – a Gerência-Executiva de Libra, onde trabalham também representantes da Shell, Total, CNPC e CNOCC, empresas que integram o consórcio de Libra. Há ainda a demanda de relacionamento com a PPSA, sobretudo a partir de 2020, com a entrada em operação do primeiro sistema definitivo e o início de discussão em torno do ressarcimento de custos.

No caso de Libra, a aposta é que os parceiros não abram mão de seguir participando ativamente da operação do ativo e que seja montado um novo time de representantes dos sócios na unidade operacional, seja ela qual for. Do ponto de vista dos sócios, a alocação do ativo de Libra à UO-Rio é tida como muito mais interessante, já que evitaria a mudança para Santos ou qualquer outra cidade.

“A UO-BS estava crescendo muito e não faz sentido que uma única UO concentre cerca de 70% da produção da Petrobras ou mais. O potencial de crescimento dos campos da Bacia de Santos é muito grande e dá para dividir isso entre as demais de forma mais harmônica e eficiente”, analisa uma fonte da petroleira.
No caso da UO-BS, as análises feitas até o momento sugerem que a unidade de operação siga responsável pelo ativo de Lula, Sapinhoá, Iracema, Baúna, Merluza e outros que ainda não tiveram o martelo batido. Enquanto na UO-Rio a ideia é resgatar a característica de implantação de projetos, na UO-BS a tônica se volta aos projetos já implantados ou a fase mais adiantada de implantação.

Demais UOs
As discussões em torno da redistribuição dos ativos das UOs BC e ES estão em estágio menos avançado. A tendência é que a UO-BC herde alguns ativos da UO-Rio.

Mesmo que ainda não haja decisão tomada, as análises feitas até o momento se orientam para os projetos do complexo de Marlim, Marlim Sul e Marlim Leste. No que diz respeito à UO-ES, os trabalhos elaborados indicam a tendência de que a unidade permaneça sem grandes alterações, podendo no máximo herdar projetos como Frade e Albacora Leste.

Demanda antiga
Embora venha sendo discutida mais a fundo nos últimos meses, a necessidade de redistribuição da carteira de ativos marítimos da Petrobras não é um tema novo na alta cúpula da companhia. O problema foi detectado na gestão de Graça Foster.
Ainda que seja dada como certa, a reestruturação das UOs terá todo um caminho pela frente até ser formalmente implantada. O detalhamento da mudança continua sendo debatido e, por enquanto, não foi batido o martelo sobre o rumo de todos os campos.
Além de toda a discussão técnica na área de E&P, que está sendo supervisionada diretamente pela diretora Solange Guedes, a mudança terá de ser levada ao conhecimento do Conselho de Administração e, posteriormente, à aprovação da Diretoria Executiva. Depois do aval dos dois colegiados, haverá toda a fase de transferência e implantação das mudanças.

Impacto das mudanças
O remanejamento dos projetos na carteira da Petrobras promete agitar o mercado fornecedor. A depender do desfecho final, algumas prestadoras de serviço poderão ter de não só alterar questões burocráticas relacionadas a contratos, como também rearranjar suas bases de apoio.

“O mercado vai querer saber se é para abrir uma base em Santos, ficar no Rio de Janeiro, fechar Macaé, se tiver algo lá, ou usar o Porto do Açu. Libra e a cessão onerosa são os projetos que irão demandar serviços nos próximos anos e o mercado está de olho em qualquer movimentação que envolva esses projetos”, afirma uma fonte do setor.

http://brasilenergiaog.editorabrasilenergia.com/news/oleo/ep/2017/07/mudanca-na-gestao-450472.html

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