Fundo Mubadala faz proposta para assumir Invepar

Os donos da Invepar já contam com uma proposta firme para repassar o controle da empresa. O fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala Development Company, apresentou uma oferta para ficar com cerca de 51% do capital da Invepar, somando parte das ações dos fundos de pensão Previ, Petros e Funcef e os 24,4% da OAS na holding de infraestrutura. Com sede no Rio, a companhia é dona do maior aeroporto brasileiro – o de Guarulhos (SP) -, entre outros ativos.

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O lance pela maioria do capital será bilionário, pois envolve o controle e a gestão da Invepar. Por essa razão, segundo fontes ouvidas pelo Valor, estima-se que o negócio poderá ficar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões. No ano passado, a receita da empresa foi de R$ 3,47 bilhões, com prejuízo de R$ 222,5 milhões no exercício.

A operação envolve duas negociações em paralelo. Foi feita uma proposta vinculante às fundações por uma parcela de suas participações e esta oferta está condicionada ao fechamento de um acordo do Mubadala também com os credores da OAS, que vão receber os 24,4% hoje em mãos da empreiteira. Segundo fontes próximas à negociação, o fundo soberano de Abu Dhabi já está em conversas avançadas com esses credores, a maior parte fundos internacionais.

Juntos, os três fundos de pensão respondem por 75,6% do capital da Invepar, que foi criada em 2000, fruto de uma associação entre OAS e a Previ, tendo como empresas controladas a Linha Amarela (LAMSA) e a Concessionária Litoral Norte (CLN).

O Mubadala já havia feito uma oferta não vinculante a Previ, Petros e Funcef, para ficar com 40% da Invepar – também incluindo as ações dos credores da OAS – mas, segundo o Valor apurou, os próprios acionistas da companhia pediram que fosse formulada uma proposta pelo controle.

Ainda estão em aberto, conforme fontes, as discussões sobre preço e a forma de consolidação do controle – se por meio de uma compra pura de ações ou com uma injeção de capital que diluiria a posição dos sócios da OAS. Ou mesmo uma operação mista.

Na quarta-feira, a Invepar informou ao mercado, em comunicado, ter sido informada pelos seus acionistas de que “existem entendimentos em curso com interessados em adquirir participação na Invepar”, mas declarou que até o momento não foi firmado qualquer acordo ou compromisso vinculante que seja do seu conhecimento.

No mercado, a participação dos credores, que veio da OAS, é avaliada por valor inferior aos R$ 1,35 bilhão que era negociada com o fundo canadense Brookfield no meio do processo de recuperação judicial da empreiteira. A situação da economia brasileira e dos próprios acionistas da companhia mudou significativamente desde então, afetando a valorização da empresa.

Previ, Petros e Funcef contrataram o BTG Pactual para buscar interessados em assumir essa parcela e injetar dinheiro na companhia. São cotados também como possíveis compradores o grupo italiano Atlantia e a brasileira CCR, mas, segundo fontes, a negociação mais avançada em andamento é com o Mubadala.

A troca de controle com entrada de capital é uma possível saída para a situação financeira complicada em que a Invepar se encontra. Em março, a dívida líquida da empresa somava R$ 7,6 bilhões, quatro vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês). O nível está melhor do que o visto em 2016, quando o endividamento líquido ultrapassou R$ 10 bilhões e a alavancagem atingiu a marca de 6,5 vezes. Ainda assim, a saúde financeira preocupa a administração da holding.

No início do ano, a empresa estudava planos alternativos para melhorar sua situação, como a venda de outros ativos, além da concessão rodoviária de que se desfez no Peru – a Lamsac. Para essa missão, havia contratado Banco do Brasil e Santander.

Além de propiciar uma saída para a Invepar, o fechamento de uma negociação dos donos da empresa com o Mubadala renderia R$ 270 milhões à OAS referentes à venda das ações pelos credores, conforme acordado no plano de recuperação judicial.

O Mubadala, criado em 2002, tem vários negócios no Brasil, todos herdados do investimento de US$ 2 bilhões colocado em 2012 no grupo EBX, de Eike Batista. Com a crise do grupo de Eike, o fundo de Abu Dhabi recebeu participações em várias empresas e projetos da EBX.

Assim, ficou com o controle da IMX (marketing esportivo), da REX (dona do hotel Glória e de diversos ativos imobiliários), participação de controle no Porto Sudeste, 7% da Prumo Logística (ex-LLX), 21% das ações de Eike na MMX S.A. (minério de ferro), 26,45% da CCX (mineradora de carvão na Colômbia), 28,8% dos 66% de Eike na OSX (estaleiro) e ações residuais da OGX (petrolífera). As duas últimas estão em processo de recuperação judicial.

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