Mais um ex-gerente da Petrobras é denunciado na Lava-Jato

Pedro Bastos teria recebido US$ 4,8 milhões em propina de lobista do PMDB

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12.06.2017 | AGÊNCIA O GLOBO

Produção de gás da Petrobras ; gás GLP ; (Foto: Divulgação)
(FOTO: DIVULGAÇÃO)

O Ministério Público Federal denunciou à Justiça Federal do Paraná o ex-gerente da área internacional da Petrobras Pedro Augusto Cortes Xavier Bastos, que foi alvo da 41ª fase da Lava-Jato. Segundo as investigações, Bastos recebeu R$ 4,8 milhões em propina na compra, pela Petrobras, de um bloco de exploração de petróleo em Benin, na África – mesmo negócio que levou à condenação do ex-deputado Eduardo Cunha.

O ex-gerente deverá responder por corrupção e lavagem de dinheiro.

Bastos recebeu valores entre 2011 e 2013. O primeiro depósito foi de US$ 700 mil, feito em 2011 no banco BSI, na Suíça, em uma conta mantida em nome de uma offshore panamenha, a Sandfield, em que o ex-gerente era beneficiário. Entre 2012 e 2013, recebeu mais US$ 4,165 milhões em quatro depósitos. Todos os repasses foram feitos por João Augusto Rezende Henriques, apontado pelos procuradores como lobista do PMDB e já condenado na Lava-Jato.

Na época que Henriques teria firmado contrato de falsa consultoria envolvendo o campo de Benin, Bastos era gerente da área internacional da Petrobras no Rio de Janeiro e na Suíça, indicado pelo diretor da área, Jorge Zelada.

Para facilitar o negócio, Bastos teria encaminhado à diretoria executiva da Petrobras relatório com informações superficiais e inconclusivas da empresa detentora do campo de Benin, que tinha a propriedade de apenas um bloco de exploração, exatamente o oferecido à Petrobras. Diretores da Petrobras chegaram a adiar o negócio diante da falta de informações sobre a empresa detentora do bloco.

Uma equipe técnica da estatal enviada à Benin concluiu que era desaconselhável a compra do bloco, devido à escassez de dados e inconsistência na avaliação da empresa vendedora, mas mesmo assim Bastos e Zelada deram continuidade ao negócio.

Nas investigações, a Lava-Jato apurou que a Petrobras pagou US$ 34,5 milhões pelo bloco, o equivalente a R$ 138,3 milhões, e um terço deste valor foi transferido a Henriques, o operador do PMDB. Um contrato de consultoria, segundo os procuradores, não justificaria o pagamento de um percentual tão alto. Parte do dinheiro foi transferido a Eduardo Cunha, que ficou com US$ 1,5 milhão.

Levado a depor, Bastos inicialmente negou ter contas no exterior e ter recebido valores de Henriques. Com as provas encaminhadas ao Brasil pelas autoridades suíças, o ex-gerente mudou o depoimento e disse ter conversado com Henriques sobre a África e que, quando ele fechou o negócio, decidiu lhe dar um “prêmio”.

O MPF pediu que o ex-gerente pague R$ 36 milhões a título de reparação de danos à Petrobras.

http://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2017/06/mais-um-ex-gerente-da-petrobras-e-denunciado-na-lava-jato.html

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