Petrobras decide não renovar contrato de importação de gás da Bolívia

O contrato de importação de gás pelo gasoduto Bolívia-Brasil, o Gasbol, 1 dos maiores projetos de infraestrutura do país, chega ao fim em 2019. E a Petrobras não pretende renová-lo junto à estatal boliviana YPFB. Oficialmente, a companhia diz que ainda não há decisão a respeito.

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A estatal já reduziu pela metade as importações de gás pelo Gasbol neste ano. Quer trazer apenas a sua própria produção feita em solo boliviano, sem importar de terceiros. A produção nacional do insumo aumentou muito depois do pré-sal. Ficou mais vantajoso para a empresa revender sua produção.

Distribuidoras de gás de todo o Brasil, que revendem o produto importado pela Petrobras, estão preocupadas. Segundo a Abegás, a associação de empresas do setor, pode haver 1 aumento de até 200% com a saída da estatal da área de transporte de gás.

Além disso, a Petrobras planeja vender sua participação em empresas de transporte e distribuição de gás, para focar na exploração de petróleo. Na lista estão as distribuidoras estaduais, onde a estatal possui participação minoritária, e o Gasbol.

O presidente-executivo da Abegás, Augusto Salomon, disse que está preocupado com a forma com que a Petrobras pretende deixar a área: “Não vai mais trazer gás da Bolívia para revenda e pretende atender apenas seus próprios interesses (refinarias, petroquímicas e termelétricas), deixando o resto dos consumidores (comércio, residências e indústrias) tendo que importar por conta própria, com custos maiores”.

Privatização

As empresas estaduais de distribuição de gás estão descontentes com os novos rumos do setor. Está em curso um processo de privatização das empresas distribuidoras de gás, coordenado pelo BNDES.

A Abegás, enviou carta ao banco dizendo que o processo, da forma como está sendo conduzido, é inconstitucional.

Novas regras elaboradas pela estatal

Para regulamentar a sua saída da área de gás, a Petrobras elaborou 1 projeto de lei que apresentou ao Ministério de Minas e Energia. O Congresso terá de dar o aval.

Se a proposta for levada adiante, segundo a Abegás, “não haverá 1 avanço, mas a destruição do setor”. A associação se posicionou contra o modelo proposto oficialmente, enviando carta de descontentamento ao ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. Leia aqui a carta.

A proposta destrói o valor das distribuidoras, segundo Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura). A maioria das distribuidoras de gás que serão privatizadas são dos Estados. “Não acredito que haja clima político no atual momento para brigar com os governadores”, afirma Pires.

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