Presidente da Petrobras disse ainda que permanece no comando da empresa, independentemente da crise política.
Atualizado há menos de 1 minuto
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Por Luísa Melo, G1
31/05/2017 18h39
O presidente da Petrobras, Pedro Parente, disse nesta quarta-feira (31) que já recebeu propostas para a aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. As afirmações foram feitas em evento em São Paulo.
“Eu mesmo recebi no meu e-mail e já passei para a área técnica, naturalmente, uma manifestação de interesse na aquisição de Pasadena. Mas isso tem que ser feito de acordo com a nova sistemática aprovada pelo Tribunal de Contas da União, nós não podemos fazer negociação direta”, disse durante o Fórum de Investimentos Brasil.
Ele ressaltou que a nova sistemática prevê, entre outras coisas, a divulgação das propostas a outros possíveis interessados. A abertura desse processo completo ainda será realizada, segundo o executivo, que não traçou uma data.
Mais: Entenda a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras
Questionado sobre a possibilidade de deixar o comando da Petrobras diante da crise política, Parente disse que tem um compromisso com a empresa e reúne as condições necessárias para “fazer o que precisa ser feito de maneira correta”.
“Então, vou continuar lá e com meu time”, afirmou, ressaltando que foi reeleito pelo conselho de administração da estatal para ficar até abril de 2019 no cargo e que não se lembra de nenhum outro presidente da Petrobras que tenha recebido do presidente da república a autonomia que ele teve com Temer.
Parente disse ainda que as turbulências enfrentadas pelo governo não comprometem os planos de negócios e desinvestimentos da petroleira. “Nós temos questões relevantes a resolver, não temos o direito de parar o que a gente está fazendo por conta de fatores externos à empresa”, afirmou a jornalistas.
Ele destacou ainda que, apesar dos bons resultados operacionais, a companhia precisa trabalhar pesado pra reduzir o seu endividamento.
“A dívida caiu razoavelmente, mas tem que cair mais. Mesmo que ela caia antes do período previsto para metade do que era, ainda estará elevada. Uma dívida de 2 vezes e meia o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) não é de um bom tamanho”.
Parente também destacou durante o evento que a Petrobras vai buscar estender as parcerias já feitas em extração e produção para outras áreas, especialmente a de refino.
O executivo lembrou que a estatal detém praticamente 100% desse mercado. “O monopólio não é bom para o país e não é bom para a Petrobras”, disse. Segundo ele, não será necessária nenhuma mudança na legislação para realizar esses projetos.
“Uma razão importante pela qual não havia ninguém entrando (com a Petrobras no setor) é porque havia dúvidas importantes sobre a liberdade de praticar preços”, disse a jornalistas.
A aquisição de Pasadena pela Petrobras, em 2006, levantou suspeitas de superfaturamento e de evasão de divisas.
A estatal comprou em 2006 uma participação de 50% na refinaria por US$ 360 milhões, valor muito superior ao pago um ano antes pela belga Astra Oil pela refinaria inteira: US$ 42,5 milhões.
Nos anos seguintes, a Petrobras se desentendeu com a sua sócia nesse negócio, a Astra Oil, e uma decisão judicial a obrigou a comprar a participação da empresa belga. A compra de Pasadena acabou custando US$ 1,18 bilhão.
O caso ganhou notoriedade no noticiário político porque a compra foi realizada quando a ex-presidente da República, Dilma Rousseff, era presidente do conselho da Petrobras.
A Petrobras anunciou a intenção de se desfazer da refinaria de Pasadena e a Petrobras Oil & Gas B.V., que detém ativos na África, no início do mês.
A estatal tem plano de vender US$ 21 bilhões em ativos em 2017 e 2018, mesma meta de antes da inclusão dos dois negócios no plano. Ela não informou se alguma unidade que estava à venda deixou de integrar o portfólio.
A publicação da intenção de venda dos dois ativos pela Petrobras cumpre decisão recente do Tribunal de Contas da União (TCU), que demandou uma maior transparência por parte da petroleira na busca por compradores e parceiros.
A partir da nova sistemática aprovada pelo TCU, a Petrobras deve publicar a sua intenção de vender unidades assim que ela é aprovada pela diretoria executiva.
Além disso, depois, precisa divulgar documentos com informações sobre os ativos envolvidos, o modelo de negócio e os critérios de seleção de potenciais interessados.
Em março, a empresa apontou que deveriam entrar na nova carteira de desinvestimentos a venda de participação na BR Distribuidora; a venda da concessão dos campos de Baúna e Tartaruga Verde; a venda de participação no campo de Saint Malo, no Golfo do México; a cessão de concessões em águas rasas nos Estados de Sergipe e Ceará e a cessão de um conjunto de campos terrestres.
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