Petrobras avalia áreas fora do direito de preferência

Pedro Parente afirma que investimento necessário aos leilões de pré-sal é pequeno se comparado ao montante do Plano de Investimento e que Petrobras avaliará participar das áreas que ficaram de fora do direito de preferência

A participação da Petrobras nos dois leilões de pré-sal, agendados para o dia 27 de outubro, pode ir além de Peroba, Alto de Cabo Central e Sapinhoá, áreas onde confirmou nesta quinta-feira (25/5) que irá exercer o direito de preferência de operação, com o percentual de 30%. A empresa não descarta a possibilidade de participar como não operadora em parceria com outras petroleiras para disputar algumas das cinco áreas não selecionadas previamente – Pau Brasil, Alto de Cabo Frio Oeste, Sul de Gato do Mato, Norte de Carcará e Sudeste de Tartaruga Verde.

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“Tem muita atividade que vai acontecer de hoje até a realização dos leilões, como é natural nesse processo, discussões de parceria, quem opera e quem não opera, e nós vamos estar continuando a olhar as outras ofertas e possivelmente participando de ofertas onde nós não teremos a oportunidade de oferecer o direito de preferência”, sinalizou Pedro Parente, presidente da petroleira.

As regras estabelecidas pelo governo permitem que a Petrobras possa disputar áreas não indicadas, participando em iguais condições com as demais empresas, sem exercer o benefício da preferência de operação no fim do leilão.

A estratégia de participação da petroleira para os dois leilões será focada a priorizar a formação de consórcios para disputar os ativos ofertados nos dois leilões, marcados para o dia 27 de outubro, ainda que as regras permitam que a empresa exerça o direito mesmo sem apresentar proposta. Apesar dos rumores recentes sobre a romaria de empresas à Petrobras em busca de parcerias, Parente afirmou que as negociações para a formação de consórcios terão início apenas agora, depois de escolhidas as áreas nas quais será exercido o direito de preferência

“Tínhamos que tomar passos iniciais a cargo da Petrobras para depois iniciar conversas que vão se acelerar, conforme os leilões forem se aproximando (…) Nos leilões, em geral, a formação de consórcios podem ter decisão na véspera”, afirma Parente.

Para assegurar o compromisso de participação já assumido nos bids de Peroba, Alto de Cabo Central e Sapinhoá, que exigirão R$ 810 milhões no pagamento de bônus, foi realizada uma repriorização dos investimentos de exploração, postergando atividades fora do pré-sal. As mudanças serão focadas aos projetos offshore da Bahia e, segundo Solange Guedes, diretora de E&P da Petrobras, serão pontuais, não exigindo movimentos de venda de ativos.

Parente destacou que o compromisso financeiro assumido com as três áreas é pouco relevante, se comparado ao montante de investimentos de US$ 74,1 bilhões do Plano de Negócios 2017-2021. Convertendo para dólar o executivo reforçou que isso representará um montante de US$ 250 milhões, o que corresponde a 0,3% dos investimentos previstos para o período de cinco anos.

“Os investimentos propriamente ditos para o desenvolvimento da produção, esses sim são bem mais vultosos acontecem após esse plano de cinco anos, portanto serão priorizados quando estivermos discutindo a extensão do nosso planejamento estratégico para os anos em que esses campos comecem, se a exploração for bem sucedida,a ser desenvolvidos para a produção”, disse o executivo.

A escolha das áreas do pré-sal obedeceu a critérios técnicos e econômicos, sendo que a decisão final foi pautada na premissa de agregação de valor ao portfólio atual, com base na análise de risco e retorno. Apesar da preocupação do mercado de que o direito de preferência possa limitar o interesse de outras empresas, a Petrobras não acredita que o resultado de Libra possa se repetir e aposta na formação de outros consórcios e de um leilão bastante competitivo, diante do interesse demonstrado pela indústria em eventos recentes.

Questionado sobre a possibilidade de a Petrobras vir a assumir 100% de um ativo, caso a empresa não consiga formar consórcio e de não haja outras empresas interessadas por uma das áreas onde o direito de preferência foi exercido, Parente esquivou-se de projeções.

“Acho que existirão quinhentas diferentes circunstâncias que podem aparecer, está certo, e nós vamos ter que analisar no único momento em que elas aparecem. Ficar especulando em tese, eu prefiro não especular, acho muito pouco provável que não exista um consórcio formado a partir do momento que nós demonstramos interesse”, conclui Parente.

Afora o direito de preferência confirmado nos leilões do pré-sal, Solange Guedes afirmou que a Petrobras avalia com atenção as áreas ofertadas para a 14ª rodada. “As motivações aqui serão as mesmas lá. Temos uma gestão integrada do nosso portfólio, nós buscamos sinergias e temos as competências para avaliar. É algo bastante forte que estamos fazendo e faremos isso, tanto na 14ª rodada, como em todas as outras situações”, afirma a executiva.

http://brasilenergiaog.editorabrasilenergia.com/daily/bog-online/ep/2017/05/petrobras-avalia-areas-fora-do-direito-de-preferencia-474550.html

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