Previ investiga shopping que levou a inquérito de Mantega

A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, investiga internamente há mais de seis meses a compra de um shopping e uma torre comercial no empreendimento Parque da Cidade, em São Paulo, que pertenciam à Odebrecht Realizações Imobiliárias, segundo apurou o Valor. O negócio, fechado em 2012, envolveu o pagamento de R$ 817 milhões pela Previ à OR, incorporadora do projeto.

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A transação está no cerne da abertura de inquérito para investigar o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, autorizada pelo relator da Lava-Jato no STF, ministro Edson Fachin.

Três executivos da Odebrecht, entre eles Marcelo Odebrecht, declararam em suas delações que Mantega participou de um acordo para que a Previ aprovasse a compra. Como contrapartida, a incorporadora do grupo Odebrecht lançaria um crédito de R$ 27 milhões para o Partido dos Trabalhadores (PT). O mesmo inquérito investigará ainda o envolvimento no caso dos deputados federais Carlos Zarattini (PT-SP) e João Carlos Bacelar (PR-BA), além do ex-deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

O texto não traz detalhes sobre como Mantega e os demais investigados teriam atuado na prática para conseguir aprovar o negócio pela fundação.

Procurada, a Previ não comentou o assunto. O Valor apurou que a compra foi iniciada na gestão de Ricardo Flores à frente do fundo e concluída quando seu presidente já era Dan Conrado.

No dia do anúncio da compra, em novembro de 2012, o então diretor de investimento do fundo, Renê Sanda, divulgou nota em que afirmava que o negócio era totalmente alinhado às necessidades da Previ. Os imóveis foram comprados ainda na planta, com previsão de conclusão em 2016 e 2017. Considerado o maior empreendimento imobiliário da cidade de São Paulo no seu lançamento, o projeto de 595 mil metros quadrados previa oito torres (duas residenciais e seis comerciais), o shopping e um hotel de luxo.

A primeira menção a pagamentos da Odebrecht aos políticos e ao ex-ministro relacionados ao empreendimento surgiu em anotações encontradas pela Polícia Federal no celular de Marcelo Odebrecht. A anotação encontrada mencionava pagamento a “GM”, identificado pela PF como sendo Mantega.

(Vanessa Adachi | De São Paulo)

http://mobile.valor.com.br/politica/4935842/previ-investiga-shopping-que-levou-inquerito-de-mantega

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