Parente diz que crise também é aliada da Petrobras porque acelera mudança

A crise é um problema, mas também uma aliada de Pedro Parente, o presidente da Petrobras. Isso porque, na prática, ela aguça o senso de urgência em torno de medidas – muitas delas indigestas – que precisam ser tomadas para reerguer a estatal.

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A lógica dessa tática de gestão, na qual a doença é usada a favor do paciente, foi exposta por Parente em entrevista a Luiz Carlos Trabuco, o presidente do Bradesco. O encontro entre os dois executivos faz parte da edição comemorativa de dez anos da revista “Época Negócios”. A publicação reuniu seis duplas de presidentes executivos de grandes companhias instaladas no Brasil. Nas conversas, eles trataram de temas como liderança, inovação, diversidade, propósito e os rumos da economia do país.

No conversa de parente com o presidente do Bradesco, ele afirmou ainda que aceitaria permanecer na petrolífera, após o término do mandato de Temer. “Eu aceito continuar, desde que mantida minha autonomia para decidir”.

O presidente da Petrobras acrescentou que está pagando um “alto custo” para permanecer no cargo. “Antes de assumir a empresa, eu ganhava muito mais e não corria riscos”, disse, referindo-se às ações movidas contra a direção da estatal nas quais figura como réu.

Trabuco, por sua vez, falou sobre juros, os desafios do setor bancário e disse acreditar que a solução dos problemas nacionais precisa avançar com maior rapidez. “Será que esperança tem a ver com o verbo esperar?”, questionou.

“Não. Temos pressa.” Abaixo, trechos do diálogo entre os dois líderes.

Luiz Carlos Trabuco: Como você avalia o salto que a Petrobras deu durante a sua administração, em um prazo curto de tempo?

Pedro Parente: Olha, Trabuco, na verdade, fico preocupado quando as pessoas dizem que progredimos muito. Devo reconhecer, houve avanços. A Petrobras saiu do noticiário policial. Hoje, as notícias relacionadas à companhia estão no lugar de onde nunca deveriam ter saído: nas páginas de negócios. Mas muita coisa ainda precisa ser feita. E quando a gente perde a noção de que existe uma crise, fazer as coisas difíceis se torna ainda mais difícil.

Trabuco: Eu tenho uma visão otimista em relação ao potencial do país. Como você vê o Brasil nos próximos dez anos?

Parente: Eu também sou um otimista, mas uma coisa que me deixa muito triste é a imensa diferença entre o nosso potencial e o que realmente somos. A grande verdade é que as lideranças do país, entre as quais nos incluímos, não construíram um modelo de nação que pudesse explorar ao máximo esse potencial. O Brasil ainda se perde em discussões que são da primeira metade do século passado.

Parente: Mas deixa eu inverter um pouco a bola. Vamos falar da indústria bancária. Vai chegar o dia em que teremos taxas de juros menores?

Trabuco: A nossa aposta, e a minha crença pessoal, é que se o juro no Brasil não convergir com o internacional é porque alguma coisa aconteceu na economia brasileira. É desejável que o custo de capital aqui siga os padrões internacionais, com pequenas variações, mas não com a atual discrepância.

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