Após o Ibovespa ter batido a maior parte dos fundos ativos da indústria em 2016, fundações optam por mudar a gestão da carteira de renda variável
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Após em 2016 poucos fundos ativos de renda variável terem conseguido superar o desempenho do Ibovespa, algumas fundações optaram por rever suas estratégia em bolsa. Na Fundação Itaú Unibanco, os planos de Contribuição Definida (CD), que oferecem quatro perfis de investimento aos participantes, a estratégia passiva respondia até o ano passado por cerca de 20% do patrimônio.
Na virada de 2016 para 2017, houve um fluxo relevante de mudança de perfil dos participantes, que optaram por aqueles que oferecem maior retorno e risco na composição de suas carteiras. Isso permitiu um aporte significativo do fundo de pensão no segmento de renda variável, e 100% dos recursos que foram migrados pelos participantes para perfis de maior risco foram alocados em fundos passivos ou ETFs. Somente 15% da base de participantes dos planos CD migraram de perfil, mas como esses planos somam um patrimônio de R$ 10 bilhões, um montante expressivo foi movimentando dentro da fundação.
Além disso, a entidade também zerou sua exposição ao mercado internacional de ações, e aumentou a parcela indexada. Esses movimentos somados fizeram com que a parcela indexada da carteira de renda variável nos planos CD da Fundação Itaú, que tem o Ibovespa como benchmark, fosse de 20% para 50%.
“Olhando para frente, esse equilíbrio me parece o mais adequado. Não temos a intenção de aumentar mais a parcela passiva”, afirma Pedro Boainain, diretor de investimentos do fundo de pensão. Além do expressivo aumento na parcela indexada já ocorrida nos últimos meses, o especialista lembra também que há uma limitação para o uso de ETFs por parte da fundação. Para que o negócio com os ETFs se torne atrativo, é preciso fazer o aluguel dos fundos de índices para outros players para gerar uma receita adicional, e se a fundação aumentar sua posição no instrumento terá dificuldade em encontrar demanda para fazer essas operações, explica Boainain.
“Temos monitorado o instrumento, mas para aumentar o volume teríamos de espremer os spreads de aluguel, o que não queremos fazer, ou ter um percentual da carteira não alugado, e nesse caso o custo do ETF não se justifica”. Mesmo no patamar atual, pela falta de liquidez, a fundação consegue alugar apenas 70% do seu portfólio em média.
O aluguel de cotas ajuda a compensar o custo do ETF, do contrário há no mercado estratégias passivas mais baratas por meio dos fundos mútuos, comenta o diretor do fundo de pensão da instituição financeira. O mercado de aluguel está hoje com poucas ofertas, nota Boainain. Ele avalia que a perspectiva para a bolsa é positiva, e o segmento de aluguel de ativos geralmente fica mais aquecido quando o cenário para o mercado bursátil é negativo. “Há cerca de um ano esse segmento estava mais aquecido”.
Otimismo – O aumento da parcela indexada reflete a crença da entidade de que o Ibovespa deve seguir a mesma trajetória positiva verificada em 2016, ainda que não no mesmo grau de intensidade. “Enxergamos a possibilidade de a bolsa continuar andando. Apesar do cenário de incerteza, somos otimistas, mas com cautela”, pontua o diretor de investimentos. Ele admite que ainda há muitos ruídos que podem afetar o desempenho do mercado, e por isso não faria sentido ficar com a carteira totalmente indexada, ainda que a entidade tenha caminhado nessa direção.
Além da própria leitura dos gestores da fundação, que apontava para um aumento da estratégia passiva, a migração de perfis dos participantes contribuiu para que esse movimento pudesse ser feito de maneira mais rápida. “Quando queremos fazer um movimento de ativo para passivo, considerando nossas estratégias ativas menos líquidas, demoramos até dois meses, porque investimos em gestores que têm fundos fechados, que são os melhores”. Com as trocas nos perfis, a fundação conseguiu unir a oportunidade com a vontade de fazer de fato. “Já tínhamos a convicção da necessidade de mudar o portfólio e aproveitamos esse momento”.
Funcesp – A Funcesp foi outra entidade que também optou por mudar sua estratégia no mercado de renda variável para 2017. A fundação reduziu sua posição nas estratégias de dividendos e de investimento no exterior e aumentou a exposição em sua estratégia de Ibovespa ativo, que é conduzida internamente pela própria entidade.
O valor retirado das duas estratégias que foi remanejado para a do Ibovespa ativo soma cerca de R$ 250 milhões. “A primeira decisão foi não aumentar significativamente a alocação em renda variável. E a segunda, e mais importante, é favorecer na alocação em bolsa estratégias que tem beta maior ou próximo de um”, explica Jorge Simino, diretor de investimentos da Funcesp. Ações com beta maior do que um tendem a subir mais que o Ibovespa quando o índice está em alta, mas também cair mais quando o benchmark está em trajetória declinante. “Tornamos a carteira menos defensiva, a composição da carteira hoje está menos defensiva do que já foi”.
De acordo com Simino, ficar nesse momento com uma alocação em renda variável mais defensiva não traria os resultados almejados. “Se a carteira fica mais defensiva, a performance fica aquém do que poderia ser. Por isso estamos fazendo ajustes, com instrumentos mais rápidos de atuação, e não simplesmente ficar esperando e seguir o fluxo do mercado”. Além disso, o diretor nota também que a estratégia da Funcesp que acompanha o Ibovespa tem previsto em seu regulamento a possibilidade de fazer operações de ‘hedge’ através do mercado futuro. “Outro fator para alocar mais nessa estratégia é a agilidade que conseguimos, e a possibilidade de fazer o ‘hedge’ com o Ibovespa futuro se entendermos ser adequado”. Com o otimismo que o mercado tem demonstrado nas últimas semanas, Simino avalia que, a depender do nível de pontuação a ser alcançado pelo benchmark em um período de tempo relativamente curto, o mais prudente será estar protegido com posições no mercado futuro para evitar uma eventual realização do mercado mais à frente. “Essa estratégia nos dá agilidade para mudar de posição se necessário”.
O diretor de investimentos da Funcesp nota que o “mercado está claramente em uma frequência otimista”. E embora o cenário doméstico e internacional esteja melhor do que em meados do ano passado, há doses de exagero em alguns ativos do mercado, na avaliação de Simino. “Tem uma série de eventos binários que podem provocar oscilações de mercado. Tem muito cisne negro voando na praça, e achar que vamos passar absolutamente incólumes em 2017 e 2018, sem nenhum susto, é uma hipótese que me parece no mínimo exagerada”. Até por conta dessa cautela com o ambiente à frente, a opção da entidade foi por não aumentar sua exposição ao segmento de renda variável, mas apenas promover ajustes dentro das estratégias já existentes.
A entidade tem um olhar mais otimista com vistas para os próximos meses para o segmento financeiro, e uma visão negativa para o setor de varejo. “A recuperação necessariamente vai ter um componente de crédito. Podemos discutir qual a magnitude da componente de crédito na recuperação, mas alguma tem que ter”.
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