‘Cumpri meu dever’, diz conselheiro da Eldorado

Danielle Nogueira – O Globo

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RIO – O conselheiro da Eldorado Celulose Max Pantoja da Costa, autor de denúncias contra o presidente do Conselho de Administração da companhia, Joesley Batista, afirmou ontem que denunciou o executivo ao Ministério Público Federal porque, como conselheiro, pode responder civilmente caso não cumpra com seu dever de zelar pelo bem da empresa. Costa acusa Batista e o presidente da Eldorado, José Carlos Grubisich Filho, de tentarem encobrir supostas irregularidades na companhia, entre outras acusações. Em entrevista ao GLOBO ontem, Batista afirma que o conselheiro mentiu ao MPF e que vai acioná-lo na Justiça.

Costa é diretor de Planejamento e Controladoria da Funcef (fundo de pensão dos trabalhadores da Caixa Econômica Federal) e representa o fundo na Eldorado. A Funcef detém indiretamente 8,5% na empresa. A Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobras) tem outros 8,5%. A J&F, holding presidida por Batista, tem 80% do capital da Eldorado. O restante pertence a executivos da companhia.

— Cumpri meu dever. Tenho responsabilidades específicas como conselheiro. Posso responder na pessoa física por eventual irregularidade — afirmou Costa, acrescentando que vai “tomar providências cabíveis” quanto à acusação de Batista de que é mentiroso.

Costa fez a denúncia ao MPF em janeiro em seu nome, não no da Funcef. Procurado, o fundo não se manifestou. De acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula o mercado de capitais, como a Eldorado tem capital fechado, o conselheiro não precisa dar satisfações ao órgão. Mas o professor de governança corporativa da Ibmec, Gilberto Braga, explicou que, por analogia, a Lei das S.A. pode ser aplicada a empresa que não têm ações em Bolsa e que, por isso, os conselheiros podem ser punidos na esfera civil, caso descumpram seu dever de lealdade ou por negligência.

Batista contratou o escritório do ex-ministro Sepúlveda Pertence para defendê-lo. Já Grubisich Filho, o Toron Advogados.

J&F, que controla negócios em diferentes setores, incluindo a JBS (dona das marcas Friboi e Seara), a empresa de celulose Eldorado e a Alpargatas, fabricante das havaianas. Em julho de 2016, os negócios feitos entre o grupo e a Caixa Econômica Federal entraram na mira da Polícia Federal. São três operações: Sépsis, Greenfield e Cui Bono.

Após a operação Sépsis, foi feita uma auditoria na Eldorado, conduzida pela Ernst&Young e o escritório Veirano. Insatisfeito com o trabalho das empresas, Max da Costa denunciou Batista e Grubisich Filho ao MPF, acusando as empresas de legitimarem as irregularidades supostamente cometidas por seus dirigentes. Entre ela estaria o pagamento de R$ 37 milhões ao doleiro Lúcio Funaro, apontado como interlocutor do ex-deputado Eduardo Cunha em esquemas de corrupção.

Paralelamente à briga na Justiça, há divergências nos bastidores das negociações entre a J&F e os fundos de pensão que são sócios da Eldorado. A J&F confirma que tem interesse em comprar as fatias dos fundos, mas há um impasse quanto ao valor.

A participação de Funcef e Petros na Eldorado é por meio do FIP Florestal, um fundo de investimento criado em 2009. Na ocasião, a fatia de 8,5% de cada um desses sócios era avaliada em R$ 272, que corresponde ao aporte inicial dos fundos. Em 2014, chegou a R$ 550 milhões e em 2015, em laudo assinado pela Deloitte, saltou para R$ 1,5 bilhão.

Em 2016, laudo preliminar da Baker Tilly apontou dois possíveis valores, depedendo da metodologia empregada: R$ 399 milhões ou R$ 271,7 milhões, basicamente o valor investido na origem do negócio. Segundo fontes, os fundos resistem a aceitar essa avaliação.

A J&F diz que a queda do dólar e do preço da celulose em 2016 impactaram a avaliação. A Eldorado é exportadora, por isso, mudanças no câmbio afetam sua receita. Segundo a holdig, não houve proposta concreta pela participação dos sócios. Funcef e Petros informaram que não podiam se manifestar sobre as negociações por envoler estratégia de investimentos.

http://m.extra.globo.com/noticias/economia/cumpri-meu-dever-diz-conselheiro-da-eldorado-20934083.html

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