Os FPSOs P-76 e P-74 no Estaleiro Inhaúma, no Rio de Janeiro ( Marcus Almeida/Somafoto )
A incapacidade da indústria brasileira de construir ou converter cascos no prazo de 12 meses é o principal fator para justificar o pedido de waiver do consórcio Libra para o FPSO Piloto do projeto. A Petrobras, operadora da área, mostra nos estudos que embasaram o pedido, que a Brasil Energia Petróleo disponibiliza na íntegra para seus assinantes, que não existe no país local apropriado para a construção do casco.
O pedido de waiver, protocolado em agosto do ano passado, foi sustentado por dois estudos: um da DNV-GL e outro da IHS. O estudo da IHS apresentado pela Petrobras, apesar de ter sido feito em agosto de 2015 e num cenário diferente, atesta que o país não tem capacidade instalada para a construção do casco. O exemplo da Engevix e do Enseada, que levaram mais de 40 meses para terminar os cascos dos FPSOs P-66 e P-74, são citados como pela petroleira como motivação para o waiver. Situação dos estaleiros
A DNV-GL – que é certificadora de conteúdo local autorizada pela ANP – atesta para a petroleira que sua metodologia para construção da plataforma, apesar de precisar de ajustes, está correta. Ainda de acordo com a consultoria, não é factível construir ou converter cascos no Brasil.
Dez dos 19 módulos da plataforma de Libra seriam feitos no exterior, na mesma planta onde seria construído ou convertido o casco, caso o pedido de waiver seja aprovado. Pelo plano da Petrobras, nove outros módulos poderiam ser feitos no país, onde passariam por uma segunda integração. A indústria nacional seria competitiva na construção de módulos de separação de óleo, produção de água tratada, tratamento de gás, entre outros. Módulos de compressão, geração, entre outros, seriam feitos no exterior.
Pelas justificativas apresentadas pela Petrobras no pedido de waiver, a transferência das obras de construção ou conversão de casco para FPSO carregam boa parte dos módulos – em especial os mais complexos – para o exterior. A Petrobras argumenta que alguns módulos precisam ser feitos junto com os cascos para ter ganhos de produtividade e economia. Em outros casos, a justificativa é a relação entre o comissionamento dos equipamentos e o casco, como no caso dos módulos de utilidades, geração de energia e controle (E-House).
A Petrobras tenta mostrar no pedido que a indústria local de fornecedores não é competitiva atualmente por contra da crise macroeconômica, da escassez de mão de obra qualificada e da queda do preço do barril do petróleo, que impactou os projetos em todos países do mundo. Também pesam os escândalos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato e a crise da Sete Brasil, que acabou causando prejuízos em diversos estaleiros. A empresa, contudo, não se coloca como parte dessa crise, onde está umbilicalmente ligada.
Relatório DNV GL – conteúdo local factível
Exemplo disso, pelo o que foi apresentado pela Petrobras, é o baixo índice de conteúdo local factível de equipamentos. As previsões, que fazem parte do estudo encomendado pela DNV, indicam que os equipamentos com o maior conteúdo local possível são filtros, com apenas 38% de nacionalização, frente a exigência de 80%.
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