Operação do MPF amplia crise da Eldorado

Procuradores pediram bloqueio de bens de José Carlos Grubisich, presidente da Eldorado, e destituição de toda diretoria

As divergências entre os sócios, apurou o Valor, começaram quando Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa) e Petros (de Petrobras) souberam que o plano de expansão de R$ 10 bilhões da Eldorado poderia contempla novo aporte dos acionistas. E recrudesceram em meados do segundo semestre, tendo como pano de fundo o valor a ser pago pela J&F Investimentos, holding da família Batista, pelas ações de Funcef e Petros.O pedido de bloqueio de bens no valor de até R$ 3,8 bilhões do empresário Joesley Batista e do executivo José Carlos Grubisich, presidente da Eldorado Brasil Celulose, e de afastamento cautelar da diretoria da empresa feito pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça colocou em evidência a deterioração da relação entre os acionistas da produtora de celulose.

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A J&F tem interesse declarado na parte dos fundos e as conversas tiveram início em setembro, depois de operações da Polícia Federal que apuram irregularidades envolvendo tanto a Eldorado quanto a holding. Até agora, porém, não houve uma proposta firme por parte das fundações, segundo fontes. Pelos cálculos da própria J&F, com base em um laudo da Deloitte, a participação dos fundos valia cerca de R$ 3 bilhões – ou R$ 1,5 bilhão para cada um – em dezembro de 2015, bem acima dos R$ 550 milhões aportados em conjunto em 2009.

De lá para cá, porém, as premissas utilizadas no cálculo do valor de empresa mudaram. O real mais valorizado e o menor preço da celulose no mercado internacional levaram à desvalorização da empresa. Essa é tese da J&F, de que as novas condições devem ser levadas em conta.

Os fundos de pensão detêm, cada um, 8,53% do capital da Eldorado, enquanto a J&F é dona de 80,98%, considerando-se participação direta e indireta.

As fundações, que investigam se houve irregularidades no investimento inicial da Eldorado, não pretendem sair do negócio com menos recursos do que puseram no FIP Florestal (veículo de investimento dos três sócios na empresa). O MPF suspeita que os valores cobrados das fundações à época foram calculados a partir de números inflados.

A pedido da Funcef, a Baker Tilly Brasil produziu laudos de avaliação financeira da empresa e chegou a R$ 271,7 milhões e quase R$ 400 milhões das ações de cada fundo, conforme o método de avaliação. Esses números, em relação ao aporte inicial, na avaliação do MPF, indicam que Funcef e Petros sofreram prejuízos por causa de "práticas criminosas reiteradas".

Em janeiro, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) reforçou a suspeita e emitiu um auto de infração no qual diz que "ficou claro que a Petros adquiriu cotas do FIP Florestal pagando valores superiores àqueles indicados pela empresa contratada para fazer a avaliação da Florestal".

A própria Funcef, por meio de seu conselheiro na Eldorado, deu munição para que o MPF pedisse à Justiça, na segunda-feira, a adoção de uma série de medidas contra Batista e Grubisich, incluindo o afastamento de toda a diretoria da empresa. Ao órgão, o diretor de planejamento e controladoria do fundo, Max Mauran Pantoja da Costa, encaminhou documentos que mostrariam que ambos teriam cometido ilícitos com o objetivo de esconder irregularidades na Eldorado, alvo de investigações que apuram crimes contra os fundos, o FGTS e a Caixa.

Com base na documentação enviada pelo conselheiro e em novos indícios contra a Eldorado e a J&F, o MPF alegou que Batista e Grubisich descumpriram acordo firmado com o MPF no ano passado, o qual determina que a J&F tem até 31 de março para acertar a compra das partes de Funcef e da Petros ou então apresentar um seguro-garantia de R$ 1,5 bilhão.

O órgão suspeita ainda que a J&F tenha "comprado o silêncio" do empresário Mário Celso Lopes, que foi sócio da família Batista nos primórdios da Eldorado. Ele seria conhecedor dos "ilícitos ocorridos na criação da empresa Florestal (que foi fundida na criação da Eldorado)" e que são investigados na Operação Greenfield.

A irregularidade teria se dado por meio de um contrato de R$ 190 milhões de fornecimento de compra e venda de maciços florestais da Eucalipto Brasil, uma das empresas de Mário Celso Lopes. A reflorestadora iniciou o plantio de mudas em Andradina (SP) em 2011, com planos de investir R$ 15 milhões e se tornar uma das grandes empresas nessa área do país. Três anos depois, a Eucalipto reduziu drasticamente suas operações e houve rumores na cidade de que encerraria as operações.

Em nota, a J&F disse que o executivo da Funcef agiu baseado em "interesses pessoais" e que o pedido do MPF teve como base "denúncias estapafúrdias e infundadas". Conforme uma fonte, o entendimento é que conselheiro estaria agindo "por conta própria, sem refletir o interesse da Funcef, para não ter de responder pelo prejuízo atuarial de 2016".

Procurada, a Funcef, por sua vez, informou que não iria comentar a afirmação do grupo J&F sobre seu executivo. Da sua parte, a Petros informou que não se pronuncia sobre investimentos sob investigação. O empresário Mário Celso Lopes e Ricardo Tosta, apontado como responsáveis pela empresa Eucalipto Brasil, não deram retorno aos pedidos de entrevista. (Colaborou Juliana Schincariol, do Rio)

http://mobile.valor.com.br/empresas/4862168/operacao-do-mpf-amplia-crise-da-eldorado

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