Analistas do UBS mostram preocupação com o cenário político após 2018 em meio à possibilidade de que o próximo governo não seja tão reformista quanto o atual
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!03 fev, 2017 15h55
SÃO PAULO – Os investidores da Petrobras (PETR3;PETR4) estão comemorando o forte desempenho das ações da companhia nos últimos meses e o pragmatismo da nova gestão (estando, claro, uma coisa diretamente relacionada à outra). Mas, mesmo com todo o otimismo, eles têm também uma pulga atrás da orelha com relação à petroleira. Afinal, apesar de tanto pragmatismo, ela não deixou de ser o que sempre foi: uma estatal. E nem parece que deixará de ser tão cedo.
Mesmo que as preocupações não sejam focadas no hoje, uma vez que a gestão de Pedro Parente tem dado provas de que merece a confiança, o prazo mais longo é o que está tirando o sono de muitos que colocaram seu dinheiro em ações PETR3 e/ou PETR4. Isso porque as eleições presidenciais de 2018 se aproximam e nada garante que o pragmatismo continue na nova gestão da estatal, ainda mais com a perspectiva de um pleito pulverizado e a ira da população com a atual classe política devendo aumentar ainda mais com o desenrolar da Operação Lava Jato, o que pode abrir espaço para uma grande surpresa. Ou seja, tudo pode acontecer.
O banco suíço UBS mostrou-se bastante atento a essas questões e apontou que, além dos preços do petróleo, a variável política é chave para saber até quando a Petrobras seguirá no caminho que vem sendo duramente trilhado até agora ou se pode retornar às políticas dos últimos anos, que foram negativas para a companhia, como o congelamento de preços de combustíveis, participação excessiva no pré-sal e aumento da alavancagem. Olhando para isso, os analistas Luiz Carvalho e Julia Ozenda ressaltam a grande questão entre agora e outubro de 2018: afinal, o "ciclo que a Petrobras passa é de 18 meses ou de 6 anos"? Ou: "a eleição produzirá um governo reformista como o atual"?
Ninguém tem essa resposta, ainda mais levando em conta o cenário político turbulento, não só no Brasil, quanto no mundo. Mas, se a pergunta mudar para: mesmo com o cenário nebuloso a frente, ainda vale a pena investir na Petrobras no curto prazo, a resposta é bem mais simples: sim. Os analistas do banco têm recomendação de compra para os ativos e preços-alvo de R$ 22 para os papéis ordinários e de R$ 22,50 para as ações PN, que configura potencial de valorização respectivos de 38,36% e 51,11%, com base no fechamento da última quinta-feira (2).
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Os catalisadores de curto prazo
Os analistas destacam 4 pontos importantes para acompanhar este ano: i) consolidação da política de preços de combustíveis; ii) desinvestimentos significativos que ainda não estão totalmente precificados, acelerando o processo de desalavancagem; iii) encerramento do monopólio nas refinarias, o que dá apoio a ambos os pontos anteriores e iv) a negociação de Transferência de Direitos, com impacto positivo e que ainda não está precificado nas ações da empresa. Além disso, os preços do petróleo estão no radar do UBS: de acordo com os analistas, a recuperação da commodity, com expectativa de que ela chegue a US$ 60 o barril brent e de US$ 58 o WTI em 2017, o que ainda não está precificado pelo mercado.
Sobre o primeiro tópico, a Petrobras passou a adotar uma política muito mais transparente de reajuste e que – ainda mais importante – funciona de fato na prática, seja para trazer boas notícias para a população (corte de preços) ou más notícias (aumento nos preços). Em relação ao segundo tópico, o UBS lembra que a desalavancagem depende muito da venda de ativos pela incapacidade de gerar um forte caixa operacional, e por isso há muitos temores sobre a venda de ativos, como se a empresa atingirá o guidance, se haverá potenciais compradores, se o TCU (Tribunal de Contas da União) pode adiar os planos da empresa, impacto na manutenção do capex e o impacto futuro na geração da Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações). Contudo, os analistas seguem confiantes que a Petrobras se beneficiará do programa, aumentando os retornos e reduzindo a percepção de risco dado o impacto no custo da dívida.
Sobre o terceiro tópico, o atual governo quer incentivar a construção de novas refinarias privadas por três razões em especial: garantir a oferta de diesel e gasolina no longo prazo, criar uma oferta estratégica para as regiões Norte e Nordeste e gerar empregos – fator político importante para uma estatal. Para a Petrobras, o fim do monopólio das refinarias é crucial por ser a melhor maneira de assegurar que os governos futuros respeitarão as tendências de preços internacionais e dessa forma também aumentar o interesse de outros players comprarem refinarias da companhia, o que pode ajudar a reduzir a alavancagem.
Em último lugar, estão as transferências de direitos por conta do regime de cessão onerosa. Ele foi criado em 2010 quando o governo concedeu à Petrobras o direito de explorar 5 bilhões de barris de petróleo em campos do pré-sal, como parte da operação de capitalização da estatal realizada em 2010. Naquele ano, a Petrobras levantou US$ 69 bilhões, enquanto o governo recebeu um valor de US$ 42,5 bilhões em ações da companhia. "A Petrobras deveria receber US$ 5 bilhões do governo, o que não está precificado na ação", diz o UBS, colocando assim discussão sobre a reavaliação do contrato como um dos temas mais interessantes deste ano.
Se os desafios são diversos no longo prazo, o curto prazo ainda é muito favorável para a Petrobras. Que ele seja eterno enquanto dure – afinal, se o futuro já é incerto, o da Petrobras é ainda mais incerto.
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