Parente admite negociar fim de processo coletivo

A Petrobras admitiu pela primeira vez chegar a um acordo para encerrar a ação coletiva movida nos Estados Unidos contra a empresa, desde que o processo a considere vítima e não culpada dos crimes cometidos. A outra condição é que ela possa pagar menos do que o reclamado pelos investidores, afirmou ontem Pedro Parente, presidente da estatal, em evento do Credit Suisse.

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

“Temos uma visão muito clara que a Petrobras foi vítima, não agente, e não teve qualquer benefício em relação ao que aconteceu”, disse, completando que, “infelizmente”, os advogados que movem o processo sempre tiveram uma visão diferente disso. “Estamos preparados para conversar, desde que tenhamos essa perspectiva em mente”, disse.

De acordo com o executivo, os valores que a Petrobras está disposta a desembolsar são “muito menores” do que os falados pelos investidores, em linha com os pagos pela estatal nos acordos para encerrar algumas ações individuais contra a empresa.

Parente, porém, não quis falar quais seriam os valores “adequados”, uma vez que a negociação é sigilosa. O Valor apurou que o montante pedido pelos investidores é na casa de bilhões de dólares.

No fim do ano passado, a Petrobras fechou acordos para encerrar 15 dos 27 processos individuais movidos por grandes investidores na Justiça dos Estados Unidos. A estatal não revelou exatamente quanto pagou em indenizações para encerrar as ações, apenas disse que cabem dentro da provisão de US$ 364 milhões reconhecida em outubro. O montante foi considerado menor que o esperado pelo mercado.

“Fizemos acordos em níveis muito inferiores aos demandados pela ‘class action’. No nível demandado por eles, não vejo nenhuma possibilidade de acordo”, disse Parente. Segundo ele, a Petrobras admite fazer desembolsos para encerrar também a ação coletiva desde que cheguem a um valor adequado e considerem que a Petrobras foi vítima. “Fora dessa condição, não tem hipótese de acordo”, disse.

A ação coletiva movida contra a Petrobras representa todos os que negociaram ADRs e títulos da dívida da companhia entre 2010 e julho de 2015. Atualmente, o processo está paralisado, uma vez que o Tribunal Federal de Apelações ainda precisa publicar sua decisão sobre a apelação movida pela Petrobras, questionando justamente o grupo de investidores que é representado pela ação. O objetivo da companhia é ao menos reduzir esse grupo, o que resultaria em uma indenização menor.

A expectativa é que o Tribunal Federal de Apelações dos Estados Unidos divulgue sua decisão neste mês. Os envolvidos não arriscam um palpite sobre a decisão do tribunal, mas entendem que a empresa está em uma posição melhor hoje nessa discussão. Desde que a apelação foi aceita, a estatal ganhou poder para barganhar uma indenização mais favorável em um eventual acordo.

No evento ontem do Credit Suisse, Parente também comentou sobre o andamento do programa de venda de ativos, e garantiu o cumprimento da meta de redução do endividamento da estatal até o fim de 2018.

Questionado se seria prioridade cumprir os investimentos ou a redução do endividamento, Parente afirmou que as duas métricas da companhia são claras: uma meta de segurança e uma de desalavancagem. “A luz dos problemas que uma alta alavancagem coloca, precisamos cumprir essa meta de desalavancagem”, afirmou.

O sucesso das vendas de ativos é fundamental para que a estatal possa cumprir essa meta, ao mesmo tempo em que segue executando os investimentos previstos. O problema é que várias operações estão travadas por decisões judiciais e liminares.

“De fato, estamos enfrentando questões em tribunais, mas temos convicção de que seremos capazes de mostrar a relevância do programa de parcerias e de venda de ativos para cumprir os investimentos”, disse.

Ele falou ainda sobre o Tribunal de Contas da União (TCU) ter paralisado os processos de vendas da empresa. Segundo ele, a Petrobras tem “boas expectativas” sobre a decisão do tribunal. “Mas não depende de nós, depende do tribunal”, disse. Segundo ele, a Petrobras já teve várias conversas técnicas com o tribunal e levou suas sugestões de desinvestimentos, que estão sendo avaliadas.

O plenário do tribunal poderia ter liberado ontem a retomada do processo de venda de ativos, mas o ministro Bruno Dantas pediu vista do processo, adiando a decisão.

http://www.valor.com.br//empresas/4855972/parente-admite-negociar-fim-de-processo-coletivo?utm_medium=Social&utm_campaign=Compartilhar&utm_source=E-mail

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.