Depoimento de Luiza Maria Gomes Botelho ao projeto Memória Petrobras, em 11 de abril de 2003.
ASSISTENTE NA PETROS
Aí fui cedida, agora recentemente, à Petros. Estou na Petros como assistente do
Maurício, que no meio disso tudo tem o maior fato histórico desse país, que eu acho
que aí conta tudo para a gente, que construiu essa coisa toda que foi a vitória, a eleição do Lula. Então a possibilidade desse projeto, a visão dos trabalhadores, aquela coisa toda, por mais aliança mais ampla que tenha sido, é um momento histórico do país.
E aí no meio disso tudo alguns companheiros nossos começam a ser pinçados para a
gestão da Petrobras ou para a Petros. E aí Santarosa, Maurício, Nilton, Diego,
Armando, Enio. Enfim, esses companheiros que estão, começaram a… tem que vir
também. Você também não vai dar para continuar onde está. É hora de também dar a contribuição. E aí inicialmente eu até achava que a gente podia ter uma ocupação
maior no RH da Petrobras, mas pessoal falou: “Não, no RH vão priorizar política, mas
vamos pensar em outra coisa.” E pensaram em Petros; eu inicialmente resisti um
pouco. Porque era um assunto que eu não dominava completamente. Mexia com
Santarosa, com o Ênio, com Cotia, lá de Mauá, em São Paulo. Eu sempre brincava,
dizendo : “Eu vou, ó, fico olhando para vocês para ver a hora de levantar o braço.
Porque esse assunto é com vocês. Petros, ih? Isso é com vocês.” Paulo César, o PC.
FUNDAÇÃO DO PT
Aí em 81 foi que eu fui apresentada ao ex-governador Anthony Garotinho – na época
ele era só radialista lá em Campos. Eu conhecia de nome, mas não ouvia o programa
dele. Era um programa mais popular, para dona de casa, não sei o quê. Foi
apresentado por um amigo em comum. Aí ele veio na rua, assim, em um calçadão em
Campos. Ele falou: “Olha, a gente está fundando o PT, partido lá do Lula e coisa e tal.
Vem em uma reunião, você vai gostar. A gente já está trabalhando os nomes dos
nossos candidatos para a eleição (que era em 82). O nosso candidato a prefeito é um
negro, é um cara jovem. É o Sidney Pascotto. Que aqui no Rio está no Conselho de
Economista, e coisa e tal. Aí eu vou ser candidato a vereador. Mas independente da
minha campanha, eu quero que você vá para, a gente está formando o partido. O
partido já tem alguns filiados, já tem alguma direção, mas é uma coisa de processo”. E
eu fui. E aí fiquei.
E aí depois teve aquela história, ele saiu do partido, aquela coisa
toda. Na eleição de 82. Ele era muito novo, devia ter 21, 22 anos. E o partido era
formado por muito pessoal dessa faixa. Alguns mais um pouquinho, mas os mais velhos deviam ter 30 e poucos anos. Naquela ocasião, muitos professores. Aí eu conheci, em 81, o Lenilson Chaves, que foi uma pessoa muito importante lá no partido em Campos.
Ele está até hoje no PT. Mário Lopes. Aí teve um grupo, o Eduardo Peixoto. E aí foi. Na
questão da mulher teve uma pessoa que foi muito legal, a Hercília. Ela é professora. E
naquela época tinha ela, tinha mulheres que – você vê, eu estava com 17 para 18 anos, e elas estavam com 30 e poucos – já discutiam a coisa do feminismo, da questão do corpo, da liberdade. Da coisa da mulher. Já falavam um pouco alguma coisa de gênero, não sei o quê. E aí eu comecei, essa pirralha andando com aquela turma mais velha lá, discutindo essas coisas.
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