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Na última semana, a Petrobras anunciou três excelentes conquistas. A primeira foi o cumprimento da meta de produção de petróleo no país, previamente anunciada ao mercado, pelo segundo ano consecutivo. A segunda foi a emissão de US$ 4 bilhões de papéis de renda fixa (bonds)no mercado internacional de capitais para alongar o vencimento da nossa dívida, e a terceira, o prêmio que recebemos pela melhor operação de gerenciamento de dívida realizada no ano passado. Qual a relevância dos eventos acima para o momento atual da Petrobras? A produção de petróleo representa a etapa final de um longo processo de investimento que começa na atividade de exploração. É o momento no qual tem início o faturamento ou da produção ou dos derivados de petróleo e gás. É, portanto, o resultado físico de um gigantesco esforço da companhia, realizado ano após ano, nos quais fazemos fortes investimentos sem ter a geração de caixa. Essa característica típica da nossa indústria significa que no período entre a exploração e a produção os investimentos são realizados ou com recursos próprios, o nosso caixa, ou com recursos de terceiros, dando origem à nossa dívida. Na semana passada, o nosso caixa tinha um saldo de US$ 22 bilhões. Esse dado gerou vários questionamentos sobre a nossa capacidade financeira de conceder reajustes salariais e até mesmo sobre a necessidade de levar adiante o nosso programa de parcerias e desinvestimentos. Gostaria de esclarecer que a nossa posição de caixa é, sim, saudável. Mas só chegamos a essa situação pelo esforço que estamos fazendo desde 2015, que inclui as parcerias e os desinvestimentos, a nova política de preços, e a redução de custos e de investimentos. Uma situação de caixa positiva não nos autoriza a pensar que a nossa situação financeira está resolvida, pois do outro lado da equação está a nossa dívida, que, após descontado o caixa, ainda fica próxima a elevadíssimos US$ 100 bilhões. Esse endividamento exige disciplina e temos um horizonte de dois anos de trabalho duro para reduzi-lo pela metade, como previsto no nosso plano estratégico. Nesse cenário, as parcerias e os desinvestimentos são essenciais para atingirmos o nosso objetivo, assim como serão a política de preços e o controle de custos. Sem um programa de parcerias e desinvestimentos, teríamos que buscar recursos, aumentando a dívida, o que é impossível dada a nossa situação atual, ou cortando ainda mais os nossos investimentos, o que não me parece ser a melhor saída. Quando olhamos os recursos de terceiros, ou seja, o que tomamos emprestado para viabilizar nossos investimentos, vemos que entre 2002 e 2014 a Petrobras informou, sistematicamente, metas de produção que não conseguiu atingir. Além da perda de credibilidade que situações como esta representam junto aos diversos públicos, vários investimentos foram realizados para gerar um resultado adicional para a empresa e que, efetivamente, não deram retorno à empresa. Outra importante distorção provocada pela situação descrita anteriormente diz respeito ao perfil de amortização desta mesma dívida, pois as parcelas de juros e principal que vão vencer não são suportadas pela produção ou pelo retorno esperado dos investimentos realizados. Com isso, registramos uma concentração muito grande de vencimentos da dívida da Petrobras nos anos de 2017 a 2021. Nos últimos anos, nosso esforço tem sido para alongar esses vencimentos. As captações que a Petrobras fez nos últimos dois anos tiveram exatamente esse objetivo. Não acrescentamos dívida nova, mas trocamos por dívida que vence em 2021 e com isso estamos conseguindo formatar uma curva mais suave de amortizações anuais. Foi isso que fizemos com a captação da semana passada, por exemplo. Com os US$ 4 bilhões que entrarão no caixa, vamos recomprar papéis com vencimento entre 2019 e 2020. Uma lógica parecida nos guiou na decisão de antecipar o pagamento do financiamento do BNDES no início do ano. Esse financiamento representava a dívida mais cara da Petrobras, que era corrigida pela variação do dólar mais juros de 7,43% ao ano. Assim, escolhemos fazer o pagamento para trocar uma dívida de juros elevados por uma mais barata, e com prazo médio mais longo, que foi obtida com o empréstimo feito junto ao China Development Bank. Ainda possuímos um saldo de US$ 500 milhões desta linha do BNDES e à medida que novos recursos forem recebidos do programa de parcerias e desinvestimentos, faremos a liquidação final desta operação. A essa estratégia juntam-se as rolagens dos financiamentos com o Santander e com a Caixa Econômica Federal nos valores de US$ 1,2 bilhão e US$ 1,1 bilhão, respectivamente. Com essas iniciativas, estamos alongando os vencimentos, sabendo que a redução efetiva será garantida pela geração de caixa nas nossas operações e pelos recursos do programa de parcerias e desinvestimentos. Foi dentro dessa lógica de gerenciamento de dívida que ganhamos o prêmio da Latin Finance, uma respeitada publicação no mercado financeiro, de melhor operação de gerenciamento de dívida em toda a América Latina. Nesse caso, o prêmio foi para a outra captação que fizemos em maio e julho de 2016, quando emitimos um total de US$ 9,75 bilhões. Esses recursos foram usados para recomprar títulos com vencimentos entre 2017 e 2019. Aqui eu paro um pouquinho para cumprimentar com entusiasmo toda a equipe da Petrobras. É mais um motivo para celebrarmos. Uma outra boa notícia da semana passada, que veio junto com a nossa operação em mercado, foi a queda expressiva nas taxas de juros dos nossos papéis. A Petrobras emitiu bônus de cinco anos pagando juros de 6,125% ao ano. Em setembro de 2015, quando vivemos o ápice do que foi uma explosão nos nossos custos de refinanciamento, os juros dos papéis negociados no mercado eram próximos a 15% ao ano. Esse movimento de queda nos juros, que também se repetiu nos papéis de 10 anos, mostra confiança dos investidores no trabalho que está sendo feito. E mostra que o nosso esforço está sendo reconhecido, que está valendo a pena e que estamos no caminho correto. Gostaria que vocês soubessem do nosso compromisso absoluto em entregar as metas do nosso planejamento estratégico para podermos fincar os pés na trilha da recuperação econômica da nossa empresa. Mas também para mostrar que a Petrobras é talhada na superação dos desafios, não importando a natureza dos problemas. Obrigado, Ivan |
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