Refino será alvo de novos desinvestimentos da Petrobras este ano

RIO – O diretor financeiro e de relações com investidores da Petrobras, Ivan Monteiro, disse nesta quarta-feira, em encontro com jornalistas realizado na sede da petroleira, no Rio, que o “downstream” (área que inclui os ativos de refino e distribuição de combustíveis) será objeto de esforço do programa de venda de ativos da companhia.

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O executivo reiterou a meta de desinvestimentos de US$ 21 bilhões para o biênio 2017-2018.

Segundo Monteiro, para cumprir meta, a estatal vai avaliar sua carteira, que engloba um conjunto de ativos da ordem de US$ 42 bilhões. A partir desta avaliação, a Petrobras decidirá os ativos que poderão ser incluídos no programa de parcerias e de desinvestimentos.

Questionado sobre os questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o processo de venda de ativos da empresa, o executivo disse que o diálogo com o TCU “está aberto e é construtivo” e que a estatal “está pronta” para retomar os debates com o órgão.

“Estamos aguardando o retorno do recesso do tribunal para levar aperfeiçoamento da sistemática [da venda de ativos]. Estamos prontos para essa discussão e trabalhamos no aperfeiçoamento das sistemáticas. Temos plena concordância em alguns pontos e outras questões queremos discutir mais, porque podem afetar negativamente o nossos programa de desinvestimentos”, disse.

Monteiro afirmou, ainda, que a BR Distribuidora é o ativo cujo desinvestimento está mais avançado, se comparado às venda de participação da Petrobras na Braskem e à venda da Transpetro, já anunciadas.

Rating

Monteiro afirmou que espera uma melhora na avaliação do rating da empresa por parte das agências de classificação de riscos. Segundo ele, o resultado positivo da operação de emissão de bônus no exterior, esta semana, mostra que a percepção do mercado quanto aos riscos da companhia têm melhorado.

“A melhora da percepção macroeconômica parece evidente e da Petrobras também. Isso agora tem que ser repassado para os ratings”, disse ele.

O executivo destacou que, ao rebaixarem a nota da Petrobras, há dois anos, as agências refletiram um momento de altos riscos associados à companhia naquele momento. Mas observou que a empresa é “dinâmica” e que a emissão de bônus foi “surpreendentemente positiva”.

“[A classificação dos ratings] depende de vários componentes que não são percebidos de imediato. A classificação [das agências no momento do rebaixamento da nota da companhia] foi uma foto dos riscos que estavam ocorrendo naquele momento. Mas a operação [de emissão de bônus no exterior] foi extremamente relevante. A expectativa é que ocorra melhora na avaliação do rating”, afirmou.

Monteiro lembrou que a intenção inicial da Petrobras era captar US$ 2 bilhões, mas que acabou aumentando a emissão para US$ 4 bilhões para aproveitar a boa resposta do mercado.

Segundo o presidente da Petrobras, Pedro Parente, a companhia quis também se antecipar às expectativas de volatilidade no mercado no primeiro ano de mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Diante das incertezas e percepção mais positiva em relação à Petrobras, entendemos que valia a pena dar uma testada no mercado”, disse Parente.

Caixa

No que se refere à posição de caixa da Petrobras, o indicador dá “total tranquilidade” para que a empresa consiga cumprir os vencimentos de suas dívidas pelos próximos dois anos e meio, disse Monteiro.

Segundo ele, antes da emissão de bônus, no início desta semana, a posição de caixa da petroleira era de US$ 22 bilhões.

“Essa posição cobre o vencimento [das dívidas] dos anos de 2017 e 2018. Gera total tranquilidade para o pagamento de dívidas pelos próximos dois anos e meio”, disse o executivo.

Pedro Parente destacou que, com a posição de caixa atual, a empresa não precisa de “dinheiro novo”, mas que continuará atenta às oportunidades de captação no mercado. “Estamos de olho sempre em oportunidades de rolagem, nunca de acréscimo da dívida”, disse o executivo.

Margem e PIDV

Segundo Parente, mesmo sem reajustar os preços de gasolina, a companhia vem mantendo uma margem “no patamar desejado” – tanto na gasolina quanto no diesel.

Questionado se os reajustes praticados pela empresa levam em consideração o desempenho da inflação, no país – visto que, aumentos em combustíveis costumam elevar taxas de indicadores inflacionários -, o presidente da estatal destacou que a Petrobras não tem como obrigação legal observar critérios macroeconômicos, na fixação de seus preços.

Parente afirmou ainda que a companhia não tem a intenção de fazer novo programa de demissão voluntária. Segundo ele, 19 mil trabalhadores aderiram aos últimos dois Programas de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDVs).

A intenção, segundo ele, é fazer novos programas de demissões voluntárias apenas pontuais, em subsidiárias que eventualmente venham a passar por desinvestimento.

http://www.valor.com.br/empresas/4833000/refino-sera-alvo-de-novos-desinvestimentos-da-petrobras-este-ano

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