Credores e sócios não aprovam plano de recuperação e marcam nova Assembleia Geral
O navio sonda NS Arpoador docou no Estaleiro Jurong, no Espírito Santo ( Cortesia Jurong )
A Sete Brasil está próxima de fechar com um pool de seguradoras um novo acordo para segurar a construção de suas sondas. Está na mesa de negociações a renovação de 10 apólices para as unidades em estágio avançado de construção. Outras seis unidades terão apólice de construção cancelada e colocadas como obras paralisadas.
Oficialmente, a Sete Brasil não comenta a negociação. Internamente, a expectativa da empresa é receber algo em torno de US$ 15 milhões de ressarcimento pelo cancelamento das apólices de construção das unidades Grumari, Ipanema, Pituba, Curumim, Leblon e Portobelo.
Toda negociação está sendo tocada pela Alvares & Marsal, que foi contratada pela Sete Brasil para fazer a reestruturação da empresa. Nos bastidores, o que que se tem dito é que a as sondas contratadas com o Estaleiro Enseada, na Bahia, e o EAS, em Pernambuco, devem ser descontinuadas.
Outra dor de cabeça que a empresa precisa enfrentar é a aprovação de seu plano de recuperação judicial. Em meados de dezembro, os credores da empresa não conseguiram aprovar a proposta apresentada para a Justiça do Rio de Janeiro. A Assembléia Geral de Credores acabou sendo interrompida pois os sócios do fundo de investimentos FIP Sondas, leia-se BTG Pactual (27,7), Petros (17,5%), Funcef (17,5%), Previ (2,35), Valia (2,5%), FGTS (8,2%), Bradesco (3,2%), Santander (6,3%), Luce Venture Capital (3,6%), EIG (6,4%) e Lakeshore (0,1%), não haviam aprovado internamente o plano. Uma nova assembleia foi marcada para o próximo dia 24.
Por conta da mudança, o escritório Sergio Bermudes, que representa juridicamente e também é um dos credores da Sete Brasil, entrou no final de 2016 com um aditamento do plano de recuperação judicial na Justiça. Os documentos só devem ser analisados após o recesso da Justiça no Rio de Janeiro, que termina no próximo dia 20.
Se conseguir resolver esses problemas e captar os R$ 5 bilhões que precisa para concluir as obras de suas sondas, a Sete Brasil terá ainda que formar uma parceria com alguma empresa operadora de sondas para efetivar seus contratos. A exigência é da própria petroleira, que não reconhece a Sete Brasil como operadora e acabou registrando isso em uma ata de reunião do Conselho de Administração da Sete Brasil, que acabou sendo extinto no ano passado.
“A Petrobras não considera a Sete Brasil qualificada para operar sondas. A Sete Brasil deverá se qualificar fazendo uma associação na forma de um consórcio com empresa qualificada ou adquirindo empresa qualificada; e a Sete Brasil só poderá operar, depois de qualificada, até 5 sondas, adotando o mesmo critério previsto no convite da licitação anterior, a qual foi cancelada, cujo convite serviu de parâmetro para a contratação direta das sondas do Segundo Sistema”, diz a ata do encontro.
O plano de reestruturação da Sete Brasil foi protocolado em agosto. Ele prevê que a companhia levará cerca de 14 anos para pagar suas dívidas e que será necessário um aporte de US$ 1,2 bilhão para retomar o projeto de construção das sondas originalmente planejadas.
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