Desinvestimento nos combustíveis fósseis ultrapassa US$ 5 trilhões, aponta Arabella Advisors

14/12/2016 – 07:41

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O desinvestimento global dos combustíveis fósseis dobrou nos últimos 15 meses, com o comprometimento assumido por instituições e indivíduos que controlam US$ 5.197 trilhões em ativos. De acordo com uma nova análise divulgada no dia 13 de dezembro(terça-feira), por Arabella Advisors, 688 instituições e 58.399 pessoas em 76 países já se comprometeram a alienar seus investimentos em combustíveis fósseis. Os setores que historicamente impulsionaram o movimento — incluindo universidades, fundações e organizações religiosas — respondem por 75% dos novos compromissos. Representantes de finanças, filantropia, fé, entretenimento, educação e outros anunciaram esses números e mostraram seu apoio ao movimento em uma conferência de imprensa internacional simultânea em Nova York e Londres — incluindo o ex-executivo da Mobil Oil, Lou Allstadt, que ajudou a implementar a fusão da Exxon-Mobil.

“Um ano após a adoção do histórico Acordo Climático de Paris, está claro que a transição para um futuro de energia limpa é inevitável, benéfico e em andamento, e que os investidores têm um papel fundamental a desempenhar”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon . “Eu elogio o anúncio de que um número crescente dos investidores está apoiando o afastamento das fontes de energia mais intensivas em carbono em favor de fontes energia seguras e sustentáveis. Investir em energia limpa é a coisa certa a fazer — e a maneira esperta de construir a prosperidade para todos, protegendo o nosso planeta e garantindo que ninguém seja deixado para trás. ”

“No momento em que o ano mais quente na história chega ao fim, torna-se inegável o sucesso do movimento mundial de desinvestimento dos combustíveis fósseis. O que começou em alguns campus universitários nos Estados Unidos se espalhou para todos os cantos do mundo e diretamente para o mainstream financeiro. O desinvestimento tem permeado todos os setores da sociedade: desde universidades e fundos de pensão, até instituições filantrópicas e culturais, cidades, grupos religiosos, companhias de seguros e muito mais. Agora, ao atingir US$ 5 trilhões, o movimento não poderá ser detido. As instituições e os investidores devem escolher se estão do lado certo da história”, disse May Boeve, diretora executiva da 350.org, a organização cujos membros lideraram a campanha de desinvestimento.

O apoio ao movimento pelos early adopters está sendo cada vez mais equiparado pelo apoio de instituições voltadas para o lucro, como grandes fundos de pensão, seguradoras privadas e bancos, que representam US$ 4,5 trilhões em ativos, citando riscos climáticos para suas carteiras de investimento.

À medida que mais instituições financeiras se comprometem a desinvestir, a indústria enfrenta um escrutínio maior. “A indústria de petróleo e gás está atualmente experimentando um nível sem precedentes de fatores negativos — de lucros reduzidos a um aumento de empréstimos para pagar dividendos — enquanto os custos de energia solar, eólica e baterias continuam a cair. O fiduciário prudente está agindo agora para reduzir o risco de seus portfolios. O desinvestimento está acelerando a contabilidade final que mostrará que os combustíveis fósseis estão fora e a energia limpa está dentro”, declarou Lou Allstadt, ex-vice-presidente executivo da Mobil Oil.

“Os mercados financeiros estão rapidamente perdendo a confiança nos combustíveis fósseis. Uma revolução tecnológica está em andamento nos setores de energia e transporte, com a energia solar e os carros elétricos mais baratos cortando a demanda por carvão e petróleo. Com o clima representando um risco triplo — físico, ativos sobrevalorizados e a ameaça de responsabilidade legal — os fiduciários estão agora em alerta para implementar medidas para proteger suas carteiras. Com o passar do tempo, o gerenciamento do risco climático provavelmente se tornará obrigatório, já que os reguladores dos mercados financeiros estão prontos para passar da retórica à ação dura”, disse Mark Campanale, fundador e diretor executivo da Carbon Tracker Initiative.

Esses compromissos globais e sem precedentes dos setores público e privado estão cimentando ainda mais o apelo para uma transição de energia limpa -—e desafiam a política energética norte-americana do governo Trump, que está ganhando contornos que favorecem a expansão dos financeiramente arriscados e ambientalmente destrutivos combustíveis fósseis.

Inspirado pela liderança de Mark Ruffalo e Leonardo DiCaprio, que em eventos anteriores do movimento se comprometeram a desinvestir dos combustíveis fósseis,o setor cultural está se mobilizando. “O que o mundo precisa agora é de uma Cultura DivestInvest: uma guinada ousada e coletiva para longe da velha energia que não mais nos serve, e em direção a 100% de energia renovável para deixar as pessoas e o planeta prosperarem. Estou tão animado para ajudar a lançar a Cultura DivestInvest -—somos atores, músicos e artistas movendo nosso dinheiro do passado para o futuro “, disse o ator Adrian Grenier, anunciando a nova campanha.

http://www.revistafatorbrasil.com.br/ver_noticia.php?not=333693

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