Embora o mercado doméstico de renda variável tenha perdido parte de seu apelo nos últimos dois meses por conta dos eventos políticos e econômicos tanto no âmbito local como também no internacional, o segmento deve voltar ao radar dos investidores ao longo de 2017, prevê José Eduardo Laloni, diretor da Anbima e vice-presidente do Banco ABC Brasil. “O investidor internacional de equities está com bastante apetite para olhar o mercado de ações em países emergentes como um todo, e o Brasil em particular. A taxa de juros no exterior deve subir um pouco mais rápido do que imaginávamos, mas essa subida ainda não deve ser em tal magnitude que deva inibir o investimento em equities em países emergentes”, disse Laloni, durante coletiva com a imprensa para fazer um balanço anual do mercado de capitais e fundos de investimento. “O apetite ainda existe; ele deu uma parada por conta dos eventos recentes, mas acredito que possamos ter em 2017, principalmente a partir do segundo semestre, um período melhor”.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!A retomada deve se intensificar a partir de julho do ano que vem, em um período no qual a taxa de juros já deverá estar em patamar bem abaixo do nível atual, avalia o executivo. Para Laloni, os investidores devem voltar a apresentar um apetite por ativos de maior risco quando a taxa real de juros estiver na casa dos 2%. “É difícil fazer qualquer previsão de quando vamos chegar nesse patamar”, afirmou o diretor da Anbima, que ressaltou, contudo, que a entidade enxerga com bons olhos o cenário à frente. “Apesar de toda turbulência de curto prazo que estamos vivendo, agora estamos na direção certa. As reformas, bem ou mal, estão passando, estamos começando a ver algumas coisas se realizando. Pode atrasar ou acelerar um pouco, mas o importante é que a direção das reformas está sendo trilhada”.
O executivo disse também que espera que em 2017 tenhamos uma retomada dos IPOs na bolsa brasileira. “Essa instabilidade momentânea que vivemos nos últimos dois, três meses deu uma atrasada nesse processo, mas acreditamos que em 2017 há um potencial de termos um movimento maior”. Embora operações efetivas ainda não tenham ocorrido, Laloni nota que o clima na virada de 2016 para 2017 está mais positivo do que no intervalo de 2015 para 2016, com bancos e empresas em busca de novas oportunidades. Sobre eventuais setores que podem protagonizar uma retomada dos IPOs, o especialista aponta os de saúde e educação, onde tem sido observada uma consolidação com uma série de operações de fusão e aquisição. “Alguns fundos de private equity entraram nos setores e a saída normalmente é via abertura de capital”.
Hedge cambial – O diretor afirmou ainda durante a coletiva que a Anbima entende que o mercado de capitais precisa ter um papel mais importante, em conjunto com o BNDES, na próxima rodada de investimentos em infraestrutura prevista para 2017. De acordo com Laloni, tem ocorrido entre os agentes do mercado uma discussão que visa encontrar formas de oferecer um hedge cambial tanto para os emissores locais como também para os investidores estrangeiros. “O hedge cambial é uma discussão que está tendo bastante agora. A fonte externa de financiamento pode ser um grande alavancador das operações de infraestrutura. O grande problema tanto para os emissores locais como para os investidores internacionais é a de ter um hedge que dê segurança para não serem surpreendidos por uma eventual desvalorização da moeda”.
O mercado, porém, ainda não encontrou a melhor forma de oferecer esse serviço, pondera o executivo. “O hedge no Brasil é um instrumento muito caro”, disse Laloni, que ressaltou ainda que falar em qualquer tipo de subsídio em um momento difícil como o atual não é o melhor caminho. “As discussões são para tentar encontrar uma forma que não seja muito heterodoxa para conseguir dar segurança aos agentes”. Uma mudança importante na Lei 12.431, que regula as emissões de debêntures incentivadas, e que tende a impulsionar o segmento no ano que vem, segundo o diretor da Anbima, é que não será mais necessário o ministério ligado ao setor da eventual emissora autorizar a operação. As emissões que estiverem enquadradas no PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) agora serão automaticamente aprovadas para emitirem no âmbito da Lei 12.431. “Isso elimina um passo que era muito lento às vezes, dependendo do ministério, o que atrasava as emissões”.
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