Apesar de TCU, Petrobras vende ativos

A Petrobras está em negociações avançadas para vender sua participação no campo de Saint Malo, localizado no Golfo do México. A empresa também está perto de acertar a comercialização de um grupo de três campos nacionais de petróleo e gás natural, como parte do plano de alienação de ativos pelo qual pretende levantar US$ 15,1 bilhões somente no biênio 2015/2016.

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

Situado 450 quilômetros ao sul de Nova Orleans, no Estado americano da Louisiana, o campo de Saint Malo entrou em operação em dezembro de 2014. A Petrobras detém participação de 25% no empreendimento, que é operado pela Chevron. Entre os sócios estão a americana ExxonMobil, a norueguesa Statoil e a italiana Eni, além da própria Chevron, que tem a maior fatia.

Em comunicado ao mercado, a gigante americana informou que os campos de Jack/St. Malo produziram 61 mil barris de petróleo e 10 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia no ano passado. A empresa estima um potencial de recuperação de até 500 milhões de barris de óleo equivalente nesse campo.

A produção de Saint Malo ajudou a Petrobras a compensar parcialmente a queda de 14,4% registrada em 2015 na sua produção internacional de petróleo. O recuo, de acordo com a empresa, foi motivado pela venda de ativos da companhia na Colômbia, no Peru e na Argentina.

O campo faz parte da lista de cinco projetos do plano de venda de ativos da Petrobras que ficaram de fora da decisão proferida na quarta-feira pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A lista não foi oficialmente divulgada. O plenário do órgão determinou que o programa de venda de ativos seja paralisado até que as regras sejam aperfeiçoadas pela empresa.

De acordo com o tribunal, a sistemática adotada pela estatal no programa de venda adota procedimentos contrários aos princípios aplicáveis pela administração pública. “A companhia inovou na forma de conduzir o procedimento licitatório”, diz o relatório preparado pela unidade técnica do TCU.

O órgão sugeriu inicialmente que todo o programa fosse paralisado. A carteira atual de ativos à venda conta com 38 projetos, número que já considera os negócios recentes pelos quais foram alienadas a Petrobras Argentina, a Bacia Austral, a Gaspetro, a NTS, a Petrobras Chile Distribuição, a Liquigás e a fatia no campo de Carcará, na Bacia de Santos.

A companhia argumentou ao tribunal que a suspensão imediata do programa resultaria em uma frustração de caixa de US$ 24 bilhões no período entre 2016 e 2018, além de exigir investimento adicional de US$ 3 bilhões entre 2017 e 2021. Criaria, ainda, a necessidade de uma captação não prevista de US$ 27 bilhões para esse mesmo intervalo.

Como resultado dessas operações, a relação entre a dívida líquida da Petrobras e a geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) subiria para cerca de 3,0 em 2018, contra uma estimativa atual de 2,5. Para a direção da companhia, o fracasso do programa de venda de ativos comprometeria seriamente “a financiabilidade e recuperação econômica da Petrobras”.

Por conta disso, a companhia pediu que pelo menos cinco projetos que estão em fase avançada de negociação fossem preservados. A empresa informou ao tribunal que esses negócios poderiam ser fechados em até 60 dias. Após algumas divergências internas, plenário do o TCU acatou o pedido. Segundo o Valor apurou, além do campo de Saint Malo, entraram no rol de exceções um conjunto de três campos marítimos em território nacional.

Esse grupo de campos é o ativo mais valioso entre os cinco que ficaram de fora da restrição imposta pelo tribunal de contas. A Petrobras informou ao TCU uma estimativa de arrecadação de US$ 3,3 bilhões com a venda dos cinco projetos preservados, mas os valores em negociação apontam para possibilidade de os negócios passarem dos US$ 6 bilhões.

Durante a tramitação do processo no TCU – iniciada em maio -, a lista de salvaguardas pedidas pela Petrobras contava com Liquigás, mas como a subsidiária acabou sendo vendida para o grupo Ultra, que controla a concorrente Ultragaz, por US$ 819 milhões, a solicitação perdeu o objeto.

No TCU, a expectativa é que a liberação do programa de venda de ativos da Petrobras possa voltar à pauta entre janeiro e fevereiro do ano que vem, mas há quem duvide que a estatal conseguirá realizar todos os ajustes solicitados até lá. O tribunal quer que a empresa aperfeiçoe todos os procedimentos com vistas a promover uma competição mais justa entre os eventuais interessados nos ativos oferecidos.

Na quarta-feira, após a decisão do TCU ser oficializada, a companhia garantiu que está revisando a sistemática de venda de ativos e se comprometeu com os aperfeiçoamentos. Revelou, no entanto, que as restrições não comprometeram a meta de arrecadação estabelecida pera o biênio 2015/2016. Questionada sobre a venda do campo de Saint Malo, a Petrobras informou que não iria comentar. (Colaborou Fernando Torres, de São Paulo).

http://www.valor.com.br//empresas/4800361/petrobras-vai-vender-campo-de-st-malo

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.


Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading