Metanol proveniente de uma única usina de Campos dos Goytacazes

A Petrobras Distribuidora informa que, tão logo foi detectada não-conformidade no etanol hidratado comercializado em postos do Grande Rio, suspendeu a venda do produto em sua rede revendedora e determinou o recolhimento e reposição dos volumes em sua rede de postos na região. Já foi identificado que o problema é proveniente de uma única usina produtora, localizada na região de Campos dos Goytacazes.

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A companhia está tomando todas as providências para resguardar seus interesses, dos revendedores e consumidores, ao mesmo tempo em que confia que as autoridades competentes adotarão as medidas corretivas cabíveis junto aos responsáveis pela inconformidade na produção daquele volume de etanol hidratado.

A Petrobras Distribuidora informa que as bases operam normalmente e reitera seu compromisso com o combate à adulteração de combustíveis, apoiando a campanha Combustível Legal, do Sindicom, além de ter sido pioneira na implantação de programa de controle de qualidade, que em 2016 completa 20 anos.

Postos são interditados por venda de combustível com metanol

Fraude foi detectada por equipe de monitoramento da ANP, que havia suspendido o serviço devido à falta de recursos

RIO – Postos de combustíveis do Rio de três grandes distribuidoras – BR, da Petrobrás; Raízen, da Shell e Cosan; e Ipiranga – foram interditados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na última quinta-feira, 10, por venderem álcool hidratado com uma substância poluente e tóxica, o metanol. A fraude foi detectada pela equipe de monitoramento da qualidade dos combustíveis da agência, que voltou à ativa no início deste mês.

Sem orçamento, a agência passou a maior parte de 2016 sem o serviço de monitoramento de postos prestado por universidades. O serviço foi retomado no início deste mês, uma semana antes dos técnicos contratados pela agência encontrarem o álcool batizado.

Foto: Tiago Queiroz/EstadãoBR Distribuidora

Combustível ‘batizado’ havia perdido espaço com programas de monitoramento de qualidade

A adição de solventes a combustíveis foi uma prática recorrente do passado, à qual alguns empresários recorriam para melhorar suas margens de lucro. Mas perdeu força com o avanço do programa de monitoramento da qualidade da ANP. A descoberta, na semana passada, de que postos de três grandes marcas estavam retomando essa prática, porém, mobilizou o mercado de distribuição e revenda de combustíveis.

A ANP recolheu o álcool batizado e obrigou as distribuidoras fornecedoras a reprocessar o produto. Também abriu processo interno para apontar os responsáveis pela adulteração, que pode gerar multa de R$ 20 mil a R$ 5 milhões.

Já o representante dos donos de postos da cidade do Rio, o Sindicomb, orientou seus associados a suspenderem, na semana passada, a venda de álcool hidratado, segundo a presidente da entidade, Aparecida Siuffo. “O posto não tem laboratório próprio. Não tem como detectar o problema”, disse ela.

A BR Distribuidora e a Raízen, que comanda os postos de bandeira Shell, informaram em nota que retiraram o produto de circulação. As duas empresas atribuem a responsabilidade a um único fornecedor, uma usina de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense. O nome da usina não foi informado.

Em comunicado, a Raízen ressaltou que a adulteração tinha o objetivo de “fraudar todo o sistema de distribuição e revenda de combustíveis no Grande Rio”. A Ipiranga não se pronunciou.

Apesar de tóxico, a adição do metanol ao álcool hidratado provoca mais prejuízos econômicos e ambientais à sociedade do que representam um problema de saúde pública, segundo o professor de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa.

Ele afirma que seria necessário o consumo de um volume muito grande e por muito tempo de metanol para que a população estivesse em risco. “O metanol, em geral, é produzido a partir do petróleo, mais poluente que o álcool, que é um biocombustível. A sua utilização significa um retrocesso nesse momento em que o mundo analisa formas de reduzir a poluição. Além de ser uma fraude econômica”, afirmou Pinguelli. A ANP não informou o volume de álcool adulterado.

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