Publicado em: 27/10/2016 11:59:35
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!FOTO FLÁVIO EMANUEL / AGÊNCIA PETROBRAS
Em entrevista à Agência Petrobras, gerente executivo do projeto, Fernando Borges, fala dos benefícios trazidos pelo modelo de parceria no bloco
A Petrobras pretende colocar em operação um novo sistema definitivo de produção a cada ano na área de Libra, começando pela área noroeste do bloco. O primeiro desses quatro sistemas entra em operação em 2020 e deverá ter capacidade de 180 mil barris de petróleo por dia e um total de 17 poços. Os demais entram nos anos subsequentes. As informações são do gerente executivo de Libra, Fernando Borges, que participará nesta quinta-feira (27/10) de sessão especial na Rio Oil & Gas 2016 com a palestra Libra: O Caminho à Frente, onde dará um panorama geral do projeto.
Em entrevista concedida à Agência Petrobras, o executivo falou da importância do modelo de parceria para a estratégia de desenvolvimento da produção em Libra. A intensa troca de conhecimento possibilitada pela convivência diária de técnicos dos diferentes sócios do projeto, em modelo até então inédito na Petrobras, bem como a governança adotada, possibilitaram, por exemplo, a identificação de um grande número de oportunidades de melhoria no projeto como um todo.
Numa primeira fase foram identificadas 35 ações de redução de custo e de aumento da recuperação de petróleo aplicáveis ao projeto Piloto de Produção (1º sistema definitivo de produção). Essas ações de otimização são conhecidas como projeto Libra@35 e visam a baixar o break even (custo mínimo para se ter lucro, levando em conta todos os custos do projeto, inclusive investimentos) para um máximo US$ 35/barril no desenvolvimento da produção em Libra. “Ter uma equipe como essa nos permite ter um radar para identificar soluções inovadoras que possam agregar mais valor ao nosso projeto”, afirmou Borges.
Confira abaixo a íntegra da entrevista:
Em entrevista coletiva, o presidente da companhia, Pedro Parente, elogiou o projeto Libra 35. O que ele tem de interessante e como a parceria foi importante em seu desenvolvimento?
O projeto Libra@35 trouxe algumas importantes otimizações. No sistema submarino de injeção alternada de água e gás, por exemplo, conseguimos reduzir a quantidade de linhas. Reduzimos também a quantidade de revestimentos utilizados para equipar o poço produtor, trazendo economia. E nesse intenso debate, temos outras soluções que estamos estudando, mas ainda não implantamos. Nós temos, só no projeto-piloto, 35 oportunidades de otimização, que é o que chamamos de projeto Libra@35. Entre elas, a possibilidade de ter catenárias livres nas linhas que ligam o poço à plataforma, ou seja, sem o uso de boias, que demandam maior tempo para instalação. Outra é fazer estimulação dos poços através da própria unidade da produção, evitando o custo de levar uma sonda de perfuração ou de workover para cima do poço. Estudamos também a redução do diâmetro da linha de serviço, o relaxamento das especificações da unidades de gás tratado na plataforma, entre outras. São dezenas de ações que trazem pequenos ganhos que, na soma, trazem uma otimização importante do projeto.
E quais são os ganhos financeiros possibilitados por esse projeto?
Nós buscamos baixar o break even (NR: custo mínimo para se ter lucro no projeto, incluindo todos os custos, inclusive investimentos) para um máximo US$ 35/barril no desenvolvimento da produção em Libra como um todo. Para isto o programa Libra@35 conta com uma segunda fase, com participação mais intensa dos sócios, para o desenvolvimento de outras oportunidades de otimização dos projetos a partir do segundo sistema definitivo de produção.
E o fator de recuperação também deverá ser elevado com essas ações?
Nós começamos com valores trazidos por análogos em função do tipo de rocha e de fluido. E aí vamos calibrando à medida que conhecemos melhor a jazida, com mais poços perfurados e depois, à medida que esta vai respondendo à produção. Alguns poços exploratórios que tiveram teste de formação nos deram uma primeira estimativa, mas isso é muito diferente de uma produção continuada. A importância do TLD é que vamos colocar em operação um poço produtor, um injetor, e fazer o teste de cerca de um ano. A partir daí, os modelos de jazidas estarão mais bem calibrados e começamos a ter um entendimento melhor delas. Nós trabalhamos, hoje, com a expectativa mínima nessa faixa dos 25%. Estamos trabalhando para elevar isso para 35%.
Como é a dinâmica dessa contribuição dos parceiros no programa Libra@35?
Nós temos workshops com parceiros onde apresentamos ideias de otimização e pedimos a eles que envolvam os seus experts para trazer ideias, possibilidades de otimização em cada segmento do nosso projeto (reservatórios, poços, subsea, UEP). Nós mobilizamos toda a inteligência dos parceiros em buscar otimizações, melhores soluções, mais seguras, em cada parte do nosso projeto.
E qual é a importância da parceria nesse projeto?
A parceria é muito bem-vinda. Hoje, em Libra, não há nada que não seja discutido pelos nossos quatro sócios –Shell, Total, CNOOC e CNPC –, e pela PPSA, gestora do contrato de partilha. Com uma parceria, você não só reúne capital, como também competências técnicas em um projeto complexo e intensivo em capital e que está sendo desenvolvido de modo que a Petrobras e seus parceiros fazem um esforço para implantá-lo rapidamente. Temos uma equipe em torno de 180 pessoas, dos quais 22 colaboradores de empresas parceiras. Ter uma equipe como essa nos permite ter um radar para identificar soluções inovadoras que possam agregar mais valor ao nosso projeto.
Como é a participação da PPSA – Petróleo Pré-sal S.A. nas decisões?
A PPSA é a gestora do Contrato de Partilha de Produção de Libra e cabe a ela a atribuição formal da coordenação do comitê operacional, que é a instância máxima da parceria, a qual tem 50% dos votos em todas as decisões do Consórcio. E cada sócio fica diluído à metade. Nós que temos 40%, ficamos com 20% no processo decisório. Por isso, tudo tem de ser muito bem discutido, um trabalho de convencimento e adesão a soluções extremamente forte porque o contrato exige que as decisões mais importantes têm de ter 82,5% de aprovação, num processo em que só temos 20%. Se as proposições não forem muito bem trabalhadas, não conseguimos avançar.
O Cenpes participa do desenvolvimento de soluções também?
O Cenpes participou de cada uma dessas otimizações que falamos. Nós temos uma equipe que busca acompanhar o que o centro de pesquisas faz, bem como o programa de redução de custo em poços e de redução de custos dos sistemas submarinos. Estamos com o radar ligado nessas ações e em projetos que são do nosso interesse, de forma que possamos utilizar nos nossos projetos. As empresas prestadoras de serviço também são importantíssimos parceiros no desenvolvimento das soluções. A inovação exige uma integração em todas as partes envolvidas para que a solução seja realmente robusta.
Quais os desafios tecnológicos que precisaram ser superados em Libra?
Podemos citar a necessidade de perfurar dois poços fazendo uso intenso da tecnologia de MPD – Managed Pressure Drilling – que faz o uso de válvulas de controle para evitar a perda de pressão do poço em zonas de alta perda de fluido.
As parcerias comprometem conhecimento estratégico da Petrobras?
Não vejo por esse viés. Temos experimentado aqui uma interação muito rica. O conhecimento é gerado a partir da troca de informação. Com essa troca, temos provado que conseguimos melhorar o que fazemos, à medida que trabalhamos com companhias de alta competência técnica. Se tem algum conhecimento que eu julgo mais estratégico é o entendimento da bacia sedimentar, que permite você participar da compra de novas áreas. Para o desenvolvimento da produção, só temos obtido ganhos em trocar informação. E isso já vem sendo feito ao longo da nossa história, com os fornecedores, através de acordo de cooperação tecnológica, etc.
Quais são as perspectivas para Libra?
Estamos colhendo ótimos resultados na área noroeste do bloco, onde estimamos ter até quatro grandes sistemas de produção.
A produção começa pela área noroeste?
Sim. Nós vamos começar com os testes de longa duração em meados do ano que vem na área noroeste. Os primeiros quatro sistemas de produção são destinados a essa área, pela qualidade do que encontramos lá. E antecipar a produção geralmente é uma das alavancas de maior valor, em razão do bônus já pago, do contrato ter tempo fixo de 35 anos. Enquanto isso, faremos um estudo mais apurado em termos de esforço exploratório nas outras áreas. Então, se queremos produzir logo, temos que começar por lá.
Qual é o cronograma de entrada em operação da área noroeste?
Buscamos, em linhas gerais, entrar com um sistema novo a cada ano a partir de 2020. O primeiro sistema terá capacidade de produção de 180 mil barris por dia (bpd). O segundo ainda estamos analisando, porque depende se parte do gás vai ser exportado ou todo reinjetado, então pode ficar entre 120 mil bpd e 180 mil bpd.
Já há uma definição para o destino do gás de Libra?
A princípio, não pensamos em Libra como exportador de gás. Hoje é mais econômico reinjetar todo o gás para aumentar o fator de recuperação de óleo. Em Libra temos uma razão gás/óleo na faixa de 430 m3 de gás para cada m3 de óleo, que é, na média, quase o dobro do que se tem nas outras áreas do pré-sal em produção hoje. Nesse gás tenho 45% de CO2. Quando eu trato esse gás na plataforma e tiro o gás combustível para geração de energia na planta, me sobra um terço do gás tratado como volume passível de exportação. Então, se eu falo em uma plataforma de 10 milhões de m3 de gás com CO2, teremos até 3 milhões m3/dia para exportar. Em Libra 2 [N.R: segundo sistema de produção de Libra], estamos estudando se é econômico exportar parte do gás natural e necessariamente temos que reinjetar todo o CO2.
O primeiro sistema de produção de Libra terá quantos poços?
Libra 1 (Projeto Piloto) está previsto para ter 17 poços, sendo oito produtores e nove injetores. Devido à boa produtividade, nós devemos trabalhar com cinco produtores no início e uns seis injetores e deixar de cinco a seis poços para implantar mais tarde. Os outros poços devem entrar de quatro a cinco anos depois de iniciada a produção.
http://www.agenciapetrobras.com.br/Materia/ExibirMateria?p_materia=978871
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