Como países planejam a mobilidade sem poluir | Meio Ambiente

25.10.2016

Se depender do Partido Verde alemão, a partir de 2030 ficam proibidos no país os veículos movidos a gasolina e diesel. A liderança da legenda lançou uma moção nesse sentido, a ser apresentada na convenção partidária de novembro.

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Recentemente também se discutiu a respeito no Bundesrat (Conselho Federal), espécie de segunda câmara do Legislativo alemão. O resultado foi um documento suprapartidário, em que os parlamentares solicitam à Comissão Europeia que verifique a possibilidade de, através de impostos e taxas, fomentar a mobilidade livre de emissões de gases-estufa, a partir de 2030.

Na proteção do clima, contudo, mais do que em qualquer outro setor, uma andorinha só não faz verão. A seguir, um panorama da situação dos transportes não poluidores em outras potências automobilísticas do mundo.

EUA: amor pelas quatro rodas

Nos Estados Unidos também se discute o banimento dos motores a combustão. Mas até o momento o debate não ganhou grande amplitude pública. No país de tradição liberal e altamente dependente dos automóveis, os políticos tendem a evitar exigências impopulares desse tipo.

Tradicionalmente, a técnica diesel – especialmente crítica, do ponto de vista ambiental – só tem papel secundário nos EUA. Tal situação deverá se manter, após o escândalo de emissões da Volkswagen e com o endurecimento dos regulamentos referentes ao óxido nítrico.

China: combate ao smog

No maior mercado automobilístico do mundo, não há uma proibição direta dos motores a combustão, mas o governo da China vem empregando meios políticos para que os carros a gasolina desapareçam gradativamente das metrópoles.

Na capital Pequim, por exemplo, em que há mais de 6 milhões de automóveis, as licenças para novos veículos só são concedidas por sorteio, com uma probabilidade de 5% de se obter uma delas. Quem compra um carro elétrico, por outro lado, fica liberado desse procedimento, além de se beneficiar de substanciais subsídios estatais.

A China tem pressa em livrar suas metrópoles dos gases de escapamento, em parte responsáveis pelo crônico smog (“névoa enfumaçada” decorrente da poluição, formada por óxidos nítricos e sulfúricos, ozônio e micropartículas, entre outros componentes). Calcula-se que até 2020 serão vendidos 5 milhões de carros elétricos no país.

Japão: menor consumo de gasolina com híbridos

No Japão, há tempos o óleo diesel é desprezado, na condição de combustível altamente poluidor. Numa medida pioneira, já na virada do século 20 para o 21, Tóquio baniu todos os utilitários “sujos” a diesel: só aqueles conformes com normas de emissão estritas podem trafegar na capital.

O país insular, pobre de matérias-primas e dependente de importações de petróleo, vem empregando combustíveis alternativos há bastante tempo. Em 1995 a Toyota já colocava no mercado o primeiro automóvel híbrido produzido em massa: duas décadas mais tarde há 8 milhões deles nas ruas japonesas. A empresa estima que isso equivalha a uma economia de 22 bilhões de litros de gasolina.

Noruega: até 2025, só não poluentes

Na Europa, a Noruega tem papel pioneiro no combate aos gases causadores do efeito estufa. A partir de 2025, só deverão ser concedidas novas licenças para automóveis não emissores dos agentes poluentes.

No entanto, corre séria controvérsia sobre como alcançar esse objetivo: em vez de se proibirem os veículos movidos a diesel e gasolina, a ideia é desencorajar o uso de motores a combustão. Como primeiro passo, em outubro de 2016 o governo anunciou um aumento de até 0,04 euro por litro nos impostos sobre óleo mineral e combustíveis. Críticos duvidam que a medida baste para impulsionar a revolução verde no país escandinavo.

Reino Unido: longe de ideal

A mídia britânica acompanha com um misto de admiração e espanto incrédulo os avanços noruegueses e alemães no campo da mobilidade sem emissões poluentes. Pelo menos em Londres, é intenso o debate sobre a poluição atmosférica crescente.

Em meados de 2016, o prefeito londrino, Sadiq Khan, anunciou a introdução de um pedágio de emissões para os automóveis mais antigos, no centro da metrópole. O think tank Institute for Public Policy Research reivindicou até mesmo a proibição radical de veículos a diesel na capital inglesa.

França: Paris sem carros antigos

Também da capital francesa deverão ser gradualmente banidos os automóveis mais antigos, mas a discussão ainda não alcançou nível nacional. Desde 2015 a França vem adotando medidas para neutralizar as vantagens fiscais para os veículos a diesel.

A ministra da Energia e Meio Ambiente, Ségolène Royal, anunciou que, a partir de 2017, os descontos de impostos para esses automóveis nas frotas das empresas serão estendidas aos movidos a gasolina, que não teriam motivo para ser colocados em desvantagem.

Itália: carros elétricos em discussão

Na Itália não há, no momento, nenhum debate mais amplo sobre o eventual banimento dos carros a gasolina e diesel. A discussão se concentra, principalmente, em como tornar os elétricos mais atraentes e em reduzir o total de veículos em circulação nas metrópoles.

Holanda: fim da gasolina e diesel

Segundo moção aprovada pelo Parlamento holandês no início de 2016, dentro de dez anos só se concederiam novas licenças a veículos movidos a eletricidade, com uma redução paralela dos a gasolina e diesel, em estágios consecutivos. No entanto o governo considera essa sugestão pouco realista, estabelecendo, em vez disso, um prazo até 2035.

  • Dez ações contra as mudanças climáticas

    Usar menos carvão, petróleo e gás

    A maioria dos gases estufa provém das usinas de energia, indústria e transportes. O aquecimento de edifícios é responsável por 6% das emissões globais de gases poluentes. Quem utiliza a energia de forma eficiente e economiza carvão, petróleo e gás também protege o clima.

  • Dez ações contra as mudanças climáticas

    Produzir a própria energia limpa

    Hoje, energia não só vem de usinas termelétricas a carvão, óleo combustível e gás natural. Há alternativas, que atualmente são até mesmo mais econômicas. É possível produzir a própria energia e, muitas vezes, mais do que se consome. Os telhados oferecem bastante espaço para painéis solares, uma tecnologia que já está estabelecida.

  • Dez ações contra as mudanças climáticas

    Apoiar boas ideias

    Cada vez mais municípios, empresas e cooperativas investem em fontes energéticas renováveis e vendem energia limpa. Este parque solar está situado em Saerbeck, município alemão de 7,2 mil habitantes que produz mais energia do que consome. Na foto, a visita de uma delegação americana à cidade.

  • Dez ações contra as mudanças climáticas

    Não apoiar empresas poluentes

    Um número cada vez maior de cidadãos, companhias de seguro, universidades e cidades evita aplicar seu dinheiro em companhias de combustíveis fósseis. Na Alemanha, Münster é a primeira cidade a aderir ao chamado movimento de desinvestimento. Mundialmente, essa iniciativa abrange hoje 57 cidades. Esse movimento global é dinâmico – todos podem participar.

  • Dez ações contra as mudanças climáticas

    Andar de bicicleta, ônibus e trem

    Bicicletas, ônibus e trem economizam bastante CO2. Em comparação com o carro, um ônibus é cinco vezes mais ecológico, e um trem elétrico, até 15 vezes mais. Em Amsterdã, a maior parte da população usa a bicicleta. Por meio de largas ciclovias, a prefeitura da cidade garante o bom funcionamento desse sistema.

  • Dez ações contra as mudanças climáticas

    Melhor não voar

    Viajar de avião é extremamente prejudicial ao clima. Os fatos demonstram o dilema: para atender às metas climáticas, cada habitante do planeta deveria produzir, em média, no máximo 5,9 toneladas de CO2 anualmente. No entanto, uma viagem de ida e volta entre Berlim e Nova York ocasiona, por passageiro, já 6,5 toneladas de CO2.

  • Dez ações contra as mudanças climáticas

    Comer menos carne

    Para o clima, também a agricultura é um problema. No plantio do arroz ou nos estômagos de bois, vacas, cabras e ovelhas é produzido o gás metano, que é muito prejudicial ao clima. A criação de gado e o aumento mundial de consumo de carne são críticos também devido à crescente demanda de soja para ração animal. Esse cultivo ocasiona o desmatamento de florestas tropicais.

  • Dez ações contra as mudanças climáticas

    Comprar alimentos orgânicos

    O óxido nitroso é particularmente prejudicial ao clima. Sua contribuição para o efeito estufa global gira em torno de 6%. Ele é produzido em usinas de energia e motores, mas principalmente também através do uso de fertilizantes artificiais no agronegócio. Esse tipo de fertilização é proibido na agricultura ecológica e, por isso, emite-se menos óxido nitroso. Isso ajuda a proteger o clima.

  • Dez ações contra as mudanças climáticas

    Sustentabilidade na construção e no consumo

    Na produção de aço e cimento emite-se muito CO2, em contrapartida, ele é retirado da atmosfera no processo de crescimento das plantas. A escolha consciente de materiais de construção ajuda o clima. O mesmo vale para o consumo em geral. Para uma massagem, não se precisa de combustível fóssil, mas para copos plásticos, que todo dia acabam no lixo, necessita-se uma grande quantidade dele.

  • Dez ações contra as mudanças climáticas

    Assumir responsabilidades

    Como evitar gases estufa, para que, em todo mundo, as crianças e os filhos que elas virão a ter possam viver bem sem uma catástrofe do clima? Esses estudantes estão fascinados com a energia mais limpa e veem uma chance para o seu futuro. Todos podem ajudar para que isso possa acontecer.

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