Eu fico bestificado como alguns empregados da Petrobras seguem reproduzindo as mensagens da correia de transmissão da CUT
Sérgio Bandeira de Mello
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Primeiramente, fora FUP. No dia 10 de outubro, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) publicou uma carta aberta aos trabalhadores da Petrobras em que comete bem mais erros do que os habituais. Não costumo ler tais manifestações pela ausência total de nexo, profundidade e isenção, mas essa passou dos limites pela falta de respeito não só aos destinatários, mas também aos eventuais leitores da abominável peça de propaganda sindical. Recorto e colo algumas aspas da agressão.
“Chegou a hora da verdade! E a verdade vocês não devem buscar no papel. Código de Ética, discursos do Parente… não é aí que está a verdade. Claro, na hora do sufoco, do medo, da insegurança, a gente tende a acreditar que o discurso mais confortável seja verdadeiro. Porque, dentro de nós, gostaríamos que fosse verdadeiro. Como os prisioneiros de campos de extermínio, entrando na câmara de gás. O guarda grita que é apenas um chuveiro coletivo, e boa parte acredita, contra todas as evidências… O discurso do guarda é, hoje, o discurso do Parente, da diretoria, dos gerentes da Petrobras.”
Como pode algum petroleiro ainda dar atenção à federação, cúmplice do PT no esquema que devastou a Petrobras? Onde estava a entidade quando superfaturaram a Abreu e Lima, a ponto de até Chávez tirar o time bolivariano da parada? E quando avançaram com gosto no Comperj?
Onde dormia a FUP quando premiaram políticos com refinarias premium no Ceará e no Maranhão, pastos bilionários para a criação de votos?
Por outro lado do planeta, por que fecharam os olhos para Okinawa, verdadeiro negócio da China no Japão? Onde estavam metidos quando compraram e recompraram Pasadena, com o aval da presidenta? Por que mar navegava a FUP quando fundaram e afundaram a Sete Brasil? Clandestinos em um navio da Transpetro, a caminho de uma palestra fantasma na África?
Por essas e outras, fico bestificado como alguns empregados seguem reproduzindo as mensagens da correia de transmissão da CUT, braço sindical da mão que tinha o costume de, em visitas às plataformas, manchar de petróleo os macacões dos dirigentes laranjas, a começar pela inesquecível presidenta do conselho.
Entretanto, além de mais uma defesa tendenciosa, a carta revela desrespeito inominável aos judeus, homossexuais e ciganos que sofreram e morreram durante a Segunda Guerra Mundial. A comparação dos empregados da companhia com os massacrados nos campos de concentração constitui gratuita e afrontosa metáfora.
A justificativa que gerou a ignomínia, de conteúdo rasteiro, já que é omitida a dívida estratosférica, é a mesma dos últimos anos. Trata-se da entrega do pré-sal aos gringos, quando a pior coisa que já ocorreu com a empresa foi a entrega da companhia aos seguidores de Lula, entre espertos e beatos. Nesse gigantesco conjunto está incluído o seu dileto amigo Paulinho, principal delator do esquema que arruinou a maior empresa do país e, de quebra, muita quebra, propiciou uma série de prejuízos ao seu ora combalido fundo de pensão.
Vontade de vomitar, azia e má digestão são sintomas que o petroleiro razoavelmente informado deve sentir ao ser obrigado a engolir tais barbaridades. A representante dos empregados eleita para o Conselho de Administração, onde já brilharam Palocci, Mantega e a presidenta, foi de oposição à direção da FUP, espécie de pré-sal de frutas. Falta agora a eleição de uma chapa com a plataforma de autodissolução acelerada. E fim do compulsório imposto sindical, vergonha nacional. Blearghhhh!
Sérgio Bandeira de Mello é engenheiro de petróleo e escritor
http://m.oglobo.globo.com/opiniao/pre-sal-de-frutas-20328291

Você precisa fazer login para comentar.