Petrobras enfrenta desafio de remover plataformas antigas

Com 74 plataformas marítimas com mais de 25 anos de operação, a Petrobras está ampliando o desenvolvimento de projetos de descomissionamento – atividade de desmobilização e remoção de equipamentos ao fim da vida útil de um projeto – de sistemas de produção de petróleo offshore. Entre os projetos do tipo em desenvolvimento ou planejamento da empresa estão os do campo de Cação, na Bacia do Espírito santo e de Marlim, na Bacia de Campos.

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“Estamos conduzindo o processo de descomissionamento. Temos verificado que há sistemas que já alcançaram sua vida útil”, disse a diretora de Exploração e Produção (E&P) da Petrobras, Solange Guedes, durante uma das apresentações do novo plano de negócios da companhia, para o período de 2017-2021, que prevê investimentos de US$ 74 bilhões, dos quais 82% na área de E&P. “Existem alguns planejamentos para serem feitos em [campo de] Marlim, para serem feitos em águas rasas da Bacia de Campos”, completou ela, na ocasião.

O descomissionamento de sistemas de produção ainda é algo considerado relativamente novo na indústria petrolífera mundial e principalmente no Brasil. Mas a atividade vem ganhando importância devido ao fim da vida produtiva de campos petrolíferos. “O descomissionamento é um desafio para a indústria nacional”, afirmou a gerente-executiva de Sistemas Submarinos da Petrobras, Cristina Pinho, durante evento na última semana. “O descomissionamento é um assunto tão importante hoje para a companhia que temos uma gerência dedicada para isso”, completou.

Segundo Roger Esson, presidente da Decom North Sea, associação criada em 2010 destinada ao tema do descomissionamento no Mar do Norte, esse tipo de atividade tem um potencial de mercado mundial de US$ 500 bilhões nos próximos 40 anos. No Mar do Norte, os gastos anuais com descomissionamento atualmente são da ordem de 1 bilhão de libras (o equivalente a cerca de R$ 4 bilhões).

“A melhor estimativa que temos globalmente é que esse mercado é de US$ 500 bilhões. É uma grande despesa. O Golfo do México tem um mercado muito bem estabelecido. O Mar do Norte está mais recente, o descomissionamento é de 10% da infraestrutura. No Brasil, é menos ainda. Existe uma grande quantidade de equipamentos [para serem removidos]. Há muito trabalho por fazer nos próximos 35 a 40 anos”, disse o especialista.

Esson esteve no Brasil em meados de setembro para participar de evento sobre equipamentos submarinos e de uma série de reuniões sobre descomissionamento, inclusive com representantes da Petrobras. Uma equipe da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também foi recentemente ao Reino Unido para conhecer a experiência britânica sobre o assunto.

“Tentamos levantar e discutir oportunidades [de descomissionamento] em todo o mundo”, explicou Esson. Segundo ele, algumas regiões do Brasil, como a Bacia de Campos têm características semelhantes às do Mar do Norte, onde a produção petrolífera também teve início há algumas décadas.

No Reino Unido, por lei, 50% dos gastos com descomissionamento são pagos pelo governo, por meio de impostos recolhidos. Por esse motivo, explicou Esson, o órgão regulador do setor petrolífero no Reino Unido, a Oil and Gas Authority (OGA), de cujo conselho de administração a Decom North Sea possui um assento, “tem interesse em reduzir o custo do descomissionamento no máximo possível”.

Segundo o especialista, há vários modelos regulatórios para tratar o descomissionamento no mundo. “O Brasil tem que escolher o melhor modelo que considerar para o país”, explicou.

http://www.valor.com.br//empresas/4740745/petrobras-enfrenta-desafio-de-remover-plataformas-antigas

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