PETROS – Hospital da Bahia fica na mira dos chineses

O Hospital da Bahia, em Salvador, está em negociações adiantadas para a venda do controle do negócio por cerca de R$ 1 bilhão. A transação deve ser fechada com o Fosun, conglomerado chinês de investimentos, que pretende colocar mais R$ 2 bilhões para aquisição de outros ativos a fim de criar uma rede de hospitais no Brasil, segundo o Valor apurou.

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Procurados pela reportagem, o Hospital da Bahia confirmou que mantém conversas com investidores do mercado, mas que não pode dar detalhes devido a contratos de confidencialidade. O Fosun, por sua vez, informou que prefere não comentar rumores de mercado.

Ainda segundo fontes, o Fosun quer replicar o modelo do Hospital da Bahia que tem uma margem operacional de 25%. Esse percentual é o mesmo da Rede D’Or e está muito acima da média do setor que é de 10,7%, de acordo com levantamento feito pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. Em 2015, o faturamento do Hospital da Bahia cresceu 37% para R$ 195 milhões e neste ano deve chegar a R$ 300 milhões. Mas a maior expansão deve ocorrer a partir de 2017, porque está prevista para os próximos meses a inauguração de uma nova torre que vai dobrar o tamanho do negócio.

Se concluída, a transação será a primeira venda de um hospital na Bahia a um investidor. A Amil e Rede D’Or também tentaram comprar o ativo, mas os fundadores declinaram das propostas diante da possibilidade de serem acionistas de uma grande rede e continuarem na gestão. O Fosun deve adquirir uma fatia de cerca de 55%, segundo pessoas próximas às negociações.

O Fosun é um dos maiores conglomerados de investimentos no mundo e entrou no Brasil em julho com a compra do controle da gestora Rio Bravo. O grupo chinês tem ativos de mais de US$ 60 bilhões e negócios em vários setores, inclusive saúde. Essa divisão apurou uma receita de R$ 8,7 bilhões no primeiro semestre, proveniente de uma rede de hospitais em Portugal, participações na indústria farmacêutica, condomínios de casa de repouso, empresa de alimentos saudáveis, entre outros.

Com a aprovação da lei permitindo capital estrangeiro nos hospitais, em janeiro de 2015, os fundos estrangeiros desembarcaram no Brasil e jogaram para cima os múltiplos no setor. Para efeitos de comparação: o Samaritano, de São Paulo, foi 100% vendido à Amil por R$ 1,3 bilhão em 2015. Um dos motivos da valorização em torno do Hospital da Bahia é que só há dois hospitais privados em Salvador, o outro é o Aliança. Outra explicação para o interesse dos investidores está no fato de o Hospital da Bahia ter se tornado lucrativo em 2011. No ano passado, o lucro líquido avançou 80% para R$ 27 milhões.

Fundado em 2006, o hospital teve dificuldades financeiras nos primeiros quatro anos porque um de seus idealizadores, o Grupo Fator, ficou alavancado ao construir hospitais na Bahia, Recife e Rio de Janeiro – esses dois últimos tiveram que ser vendidos.

Em 2008, o Hospital da Bahia chegou a vender metade da operação para a Rede D’Or, mas o negócio foi desfeito.

Segundo fontes, o Hospital da Bahia negocia com a Petros o pagamento de um financiamento captado para a construção do empreendimento, em 2006. O fundo de pensão da Petrobras emprestou R$ 25 milhões e ficou com uma torre do hospital como garantia. Agora, o hospital quer pagar R$ 30 milhões, mas a Petros pede o dobro.

Por coincidência, o empréstimo da Petros, na época, foi intermediado pela Rio Bravo, gestora controlada hoje pela Fosun.

http://www.valor.com.br//empresas/4734939/hospital-da-bahia-negocia-venda

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