Petros vai adotar práticas de gestora de recursos. Ives Célzar Fülber vai sair

À frente da Petros há pouco mais de duas semanas, Walter Mendes quer trazer para o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras práticas que adotou ao longo de sua carreira como gestor de recursos, em casas como Itaú Unibanco e Schroders.

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Mendes diz que vai implantar alguns processos bastante comuns às gestoras, mas que ainda não fazem parte do cotidiano da fundação. O executivo citou como exemplo o estabelecimento de limites tanto para perda como para ganhos com ativos investidos. “Não existe esse tipo de parâmetro hoje. Qual é o orçamento de risco?”, afirmou.

Assim como a Petros, alguns dos maiores fundos de pensão do país, como Postalis (Correios) e Previ (Banco do Brasil), estão em busca do aperfeiçoamento de estruturas de governança corporativa, processos e de mais transparência em um período em que são alvo de críticas e investigações.

Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou a Operação Greenfield, que apura o desvio de R$ 8 bilhões em investimentos feitos pelas fundações.

Antes disso, elas já tinham sido alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Fundos de Pensão, iniciada em agosto do ano passado e encerrada em abril.

No caso da Petros, o estabelecimento dessa nova política de investimentos ficará a cargo de um novo diretor. Ives Célzar Fülber deve deixar o cargo nas próximas semanas, assim que as negociações com um novo executivo forem concluídas. Mendes disse que convidou Fülber para permanecer no cargo, mas que o executivo, funcionário de carreira do Banco do Brasil, pediu para sair por motivos pessoais.

Em termos de governança, Mendes disse que tem se reunido com diversas áreas da Petros para compreender como as decisões são tomadas. Alguns avanços, segundo ele, já foram feitos na gestão anterior, iniciada em março de 2015, que criou no ano passado uma área de gestão de risco para o fundo de pensão.

Em relação à Operação Greenfield, deflagrada pela Polícia Federal na semana passada e que tem como um de seus alvos a Petros, Mendes afirmou que o fundo de pensão já havia aberto uma investigação interna para apurar o mau desempenho dos fundos de investimento em participação (FIPs) citados na operação. São eles: Multiner, Florestal, Sondas, Enseada e Global Equity, investimentos feitos até 2011.

“Queremos conhecer a origem dos problemas até para não repeti-los”, afirmou. Questionado sobre a possibilidade de novos aportes de recursos nesses investimentos, Mendes disse que a fundação adotará rigor na análise.

Também sem um limite para perdas ou ganhos com investimentos, o Postalis tem avaliado a melhor forma de criar uma política para isso. No ano passado, a fundação criou uma diretoria de riscos, área que antes ficava dentro da diretoria de investimentos. O objetivo, segundo André Motta, presidente do Postalis, foi criar mais independência entre os setores, para não interferir na avaliação do risco. O fundo de investimento em participações Multiner, que tem empresas de energia, foi alvo da Greenfield. O investimento é anterior à entrada de Motta no Postalis, que se deu em 2013.

Na Previ, o foco maior será dar transparência dos investimentos da fundação aos seus participantes. A fundação lançou há um mês um site que traz informações mensais sobre o desempenho dos planos de previdência.

Lá é possível ver todos os ativos da Previ, além do retorno gerado por cada um deles.

Segundo Gueitiro Genso, presidente da Previ, a avaliação da fundação é que a estrutura de governança não precisa passar por mudanças atualmente. “O que intensificamos é a prestação de contas ao associado”, diz ele.

A Previ também foi alvo da Greenfield por causa dos investimentos nos fundos de investimento em participações Sondas (Sete Brasil), Invepar e Global Equity. Para a fundação, os problemas com essas aplicações não estão relacionadas a problemas de governança.

No caso da Invepar, a Previ diz que a empresa tem sido afetada pela queda do Produto Interno Bruto. No Sondas, o fundo diz que seguiu sua política de investimentos e não realizou um novo aporte na empresa. Em relação ao Global Equity, a fundação afirma que liderou a troca de gestor do fundo e que o investimento seguiu as regras de governança da Previ.

“É evidente que existe uma ênfase maior em governança corporativa depois da CPI dos fundos de pensão e da Greenfield”, diz Adriana de Carvalho Vieira, coordenadora da área de governança da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar).

“Infelizmente, governança nunca foi um tema estratégico para os fundos de pensão”, disse. Para a advogada, porém, mais do que a criação de novas estruturas, é necessário uma mudança de comportamento dos gestores.

http://www.valor.com.br//financas/4708791/petros-vai-adotar-praticas-de-gestora-de-recursos

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