Presidente da Petrobras indica mudança na negociação de reajuste salarial

Pedro Parente toma posse como presidente da Petrobras (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)Pedro Parente, presidente da Petrobras. A situação da empresa impede ganhos reais nos salários (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, enviou, na segunda-feira (29), mensagens aos funcionários indicando que, ao contrário do verificado nos últimos anos, a companhia não pretende dar aumentos acima da inflação na campanha salarial dos petroleiros para 2016, que está em andamento. As primeiras propostas que chegaram à empresa, de alguns sindicatos, pedem reajuste de 19%, “incluindo 10% de aumento acima da inflação”, segundo o comunicado.

Parente tem enviado comunicados aos funcionários pelo menos a cada duas semanas, por meio da intranet da empresa. Desta vez, porém, pediu que os demais sete diretores assinassem o texto com ele. Todos assinam por seus primeiros nomes – Pedro, Hugo ( Repsold, de Recursos Humanos, SMS e Serviços), Ivan (Monteiro, de Finanças), João (Elek, de Governança), Jorge (Celestino, de Refino), Nelson (Silva, de Estratégia), Roberto (Moro, de Desenvolvimento e Tecnologia) e Solange (Guedes, de Exploração e Produção).

Tudo sobre Pedro Parente

De acordo com Parente, entre 2003 e 2015 foram concedidos “expressivos aumentos reais de salários e benefícios”. Os ganhos acumulados nos vencimentos teriam superado “a inflação em 50,8%”. “Se for somado o efeito da inflação, os reajustes acumulados entre 2003 e 2015 são de 245%. Não é pouco por nenhum critério que se escolha.” Ainda é aguardada a proposta da Federação Única dos Petroleiros, a FUP, entidade ligada ao PT que congrega 14 dos 19 sindicatos de trabalhadores.

Para reforçar seus argumentos, Parente recorre à situação financeira da Petrobras. Alega que a dívida da estatal entre 2008 e 2015 subiu de US$ 27 bilhões para US$ 126 bilhões, acréscimo superior a 400%. “Nesse curto período de pouco mais de sete anos, nossa geração de caixa se manteve praticamente estável”, afirma o comunicado. “Em consequência, a Petrobras perdeu o grau de investimento, e os juros que pagamos hoje simplesmente saltaram de 3,95% ao ano para 6% ao ano.”

De acordo com a mensagem, os dados “representam a realidade”. “Esses dados não são uma forma de dizer a vocês que a Petrobras não conseguirá conceder reajustes acima da inflação. Representam a realidade. São a maneira mais honesta que eu e a diretoria temos de dizer que a situação da empresa não nos permitirá levar adiante a mesma política de reajustes salariais que vigorou até então.”

Parente chama a presença de um novo gestor da área de Recursos Humanos como “a primeira grande novidade este ano”. José Luiz Marcusso era gerente-geral de Exploração e Produção do Espírito Santo e foi nomeado recentemente como gerente executivo de Recursos Humanos. “Recebeu a orientação de priorizar a transparência na comunicação e deixar claras nossas motivações”, diz Parente.

Marcusso assumiu a vaga que estava ocupada interinamente por Regina Valle e, antes dele, por Antônio Sérgio – o ex-diretor e gerente da empresa que foi demitido em julho depois de a Petrobras ter encerrado uma investigação interna que indicou irregularidades na contratação de empresa gestora de planos de saúde. Antes de Sérgio, a área havia sido gerida pelo ex-sindicalista Diego Hernandes, ex-dirigente da FUP, entre 2005 e 2012.

Nos últimos dez anos, a política de recursos humanos em vigor na Petrobras resultou no aumento exponencial dos passivos trabalhistas, devido a acordos coletivos que deixavam brechas a interpretações questionáveis e excesso de terceirizações, além de um modelo de avanço de nível salarial que beneficia até o mau funcionário. O risco reconhecido de perda em processos judiciais na Justiça do Trabalho aumentou 5.200% entre 2006 e 2015, de R$ 470 milhões para R$ 25 bilhões, quando a receita da empresa apenas dobrou.

O crachá dourado da Petrobras

A política de avanço de nível, segundo o comunicado, está sendo avaliada pela atual diretoria, assim como os critérios para pagamento de participação no lucro, conforme ÉPOCA antecipou em abril.

Petrobras prepara mudança em acordo que deu bônus a funcionário em ano de prejuízo

Em 2015, a empresa pagou bônus de R$ 1 bilhão aos funcionários relativos aos resultados da empresa em 2014, quando deu prejuízo de R$ 22 bilhões. Um acordo assinado com trabalhadores em 2014 garantiu que o atingimento de metas operacionais, mesmo se a empresa fechasse no vermelho, asseguraria o pagamento. Neste ano, não houve pagamentos relacionados a 2015, quando as perdas foram de R$ 35 bilhões. A alegação foi que as metas operacionais não foram cumpridas.

Os bons petrocompanheiros

Parente demonstra preocupação com o risco de greve e diz que “este não é o caminho mais construtivo para buscarmos as soluções que vão acelerar o processo de recuperação da Petrobras. Esperamos que esta não seja a decisão dos empregados”. Diz reconhecer que a greve é um “direito consagrado na Constituição”, mas alerta que um dia de greve custa R$ 9 milhões à empresa “apenas com pessoal”, fora outros custos. “É uma decisão que tem impactos econômicos relevantes.”

Além de escrever periodicamente aos funcionários, Parente, em alguns casos, responde pessoalmente a dúvidas – como ocorreu quando um deles questionou o motivo de a empresa apoiar o Projeto de Lei que a liberava da obrigação de participar com pelo menos 30% nos projetos do pré-sal. O projeto tramita no Congresso. A resposta do presidente recebeu mais de 200 curtidas. Procurada, a Petrobras não comentou o assunto.

http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/08/presidente-da-petrobras-indica-mudanca-na-negociacao-de-reajuste-salarial.html

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.


Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading