Brasilprev ultrapassa Previ

Empresa de previdência do Banco do Brasil e do grupo global Principal supera o fundo de pensão Previ em volume de ativos sob gestão

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A Previ do Banco do Brasil já não é o maior fundo de previdência complementar do país. O posto que foi ocupado nas últimas décadas pelo fundo de pensão dos funcionários do BB foi desbancado pela Brasilprev, que alcançou R$ 168,0 bilhões em maio de 2016. A empresa de previdência aberta controlada pelo próprio Banco do Brasil e pelo Principal Financial Group (PFG), uma companhia global com matriz nos EUA, vem crescendo a passos largos com um aumento médio anual de 31% no volume de ativos desde 2012. Já a Previ fechou o primeiro trimestre do ano com R$ 162,9 bilhões e mesmo que possa recuperar a liderança temporariamente ao longo do ano, caso o retorno de suas aplicações seja bem sucedido, não terá fôlego para acompanhar o ritmo de crescimento dos ativos da Brasilprev.
A explicação matemática não é complicada. Enquanto a Previ é um fundo maduro, em que o total de pagamento de benefícios é maior que as receitas de contribuição, na Brasilprev ocorre o contrário. Os planos de previdência aberta estão em fase de acumulação de recursos. Apenas em 2015, a empresa teve R$ 22,7 bilhões de captação líquida, a maior parte para os planos VGBL. Do outro lado, o pagamento de benefícios é mínimo, praticamente não afeta a entrada líquida para os planos – além do VGBL, a empresa oferece ainda o PGBL e mantém planos tradicionais para clientes antigos.
Já Previ teve um total de aportes para o Plano 1, de benefício definido, de R$ 2,85 bilhões em 2015. O plano Previ Futuro teve um total de aportes de R$ 1,03 bilhões. Ou seja, no total, o fundo de pensão arrecadou R$ 3,88 bilhões com novas contribuições no ano passado. Por outro lado, teve que desembolsar R$ 9,43 bilhões em pagamentos de benefícios apenas para o Plano 1. Já os benefícios para o Previ Futuro ainda são baixos, foram de R$ 17 milhões em 2015, pois é um plano ainda em fase de acumulação. O plano é voltado para funcionários que ingressaram no Banco do Brasil a partir de 1997. O plano Previ Futuro tem apenas 350 aposentados e 78,4 mil ativos. É no Previ Futuro que o fundo espera crescer nos próximos anos.

Histórico – Fundada em meados da década de 90, a Brasilprev é uma empresa com 22 anos de existência. Foi no início da década passada que a empresa realizou uma associação estratégica com o Principal Financial Group, uma das maiores gestoras de planos de previdência globais. A partir de 2001, a Principal entra com metade do capital acionário (ações ordinárias) e começa a indicar executivos e conselheiros para a empresa. Com isso, também vai transferindo experiência na gestão e comercialização de planos.
Com a experiência do grupo global aliada à capilaridade da rede de distribuição do Banco do Brasil, a empresa começa a crescer exponencialmente a venda de planos de previdência. Desde 2012, quando já era líder do mercado de previdência aberta no país, a Brasilprev vem crescendo a uma taxa média anual de 31%. Em maio de 2015, a empresa tinha R$ 128,8 bilhões em ativos sob gestão. Um ano depois, os ativos já atingem a cifra de R$ 168,0 bilhões – de um total de R$ 584 bilhões de todo o mercado de previdência aberta no país, segundo dados da Fenaprevi. O crescimento médio anual do mercado desde 2012 é de 15%, ou seja, a Brasilprev vem crescendo o dobro da média de seus concorrentes juntos.
Foi em meados da década passada que a empresa começou a mirar a liderança do mercado de previdência aberta. “Desde 2005 tínhamos essa meta como um driver estratégico, queríamos assumir a liderança em captação líquida para os novos planos. Essa meta foi orientando nossas decisões estratégicas como por exemplo, o esforço para fidelizar os clientes no longo prazo”, diz Mariane Bottaro, superintendente de gestão estratégica da Brasilprev. Ela atua há 19 anos na companhia e conhece bem a trajetória de ascensão da empresa.
A superintendente explica que um dos pilares da estratégia da companhia é o incentivo à manutenção da poupança previdenciária e dos aportes no longo prazo. Ou seja, a companhia realiza uma série de ações para evitar os resgates no curto prazo. “Incentivamos que os clientes consigam estabelecer uma disciplina financeira necessária para formar uma reserva para a aposentadoria ou para um novo negócio ou ainda para a educação dos filhos”, diz Mariane. A ideia é que os clientes contribuam para os planos até transformá-los em benefícios.
A estratégia não é tão fácil, pois não são poucas as pessoas que resgatam recursos de seus planos nos primeiros anos de contribuição. “A previdência aberta ainda não atingiu a maturidade, ainda temos um pequeno número de pessoas em concessão de benefício. então, o processo de acumulação é muito forte”, diz a superintendente da Brasilprev. Ela explica que o desafio é evitar os resgates dos planos, mas também diz que os clientes estão apresentando uma tendência de maior permanência.
A Brasilprev possui cerca de 2 milhões de participantes em planos de previdência. O mercado como um todo possui cerca de 12 milhões de participantes. A empresa lidera em número de planos e captação em 15 estados do país. “Um dos nossos principais diferenciais é a ampla capilaridade de nossa rede de agências, que chega em todas as regiões do país. Além disso, pesam também a tradição da marca do Banco do Brasil”, diz Mariane.

Tradição – O grupo Principal foi fundado em 1879 no EUA e atualmente está presente na Europa, Ásia e América Latina. No continente latinoamericano, atua no Chile e México, além do Brasil, onde também possui uma associação com a gestora Claritas Investimentos. O grupo Principal possui US$ 547,7 bilhões em ativos sob gestão no mundo. “A Principal aporta seu conhecimento em previdência e gestão de ativos como um player com expertise global. Isso se reflete na criação de produtos inovadores, serviços aos clientes, desenvolvimento tecnológico e na gestão integrada de riscos da companhia”, diz Roberto Walker, presidente da Principal para a América Latina.
O carro-chefe da empresa no mercado americano são os planos da família 401k. A experiência nessas classes de planos foi transferida para a Brasilprev, quando começou a ocorrer a disseminação e desenvolvimento de planos semelhantes no Brasil, os PGBLs. Um exemplo de inovação, é que a Brasilprev foi pioneira no país no lançamento dos PGBLs do tipo ciclo de vida (target date fund) a partir de 2007. Os planos ciclos de vida, diferentes dos fundos com escolhas de perfis (conservador, moderado, agressivo, etc), vão mudando automaticamente a alocação dos investimentos de acordo à idade e tempo que falta para a aposentadoria.
Resolução de investimentos – A Brasilprev pretende continuar inovando no mercado de previdência aberta, não apenas do lado dos planos, mas também da gestão dos ativos. Com a nova Resolução 4444 do Conselho Monetário Nacional (CMN), a Brasilprev estuda o lançamento de novos tipos de fundos para os planos de previdência (PGBL e VGBL). É que a nova resolução abre a possibilidade de criação de fundos previdenciários com ativos no exterior ou com maior exposição à renda variável. A exposição de ativos de bolsa doméstica pode chegar a até 70% do fundo para investidores individuais e a até 100% para investidores qualificados.
“As novas regras são muito positivas para o setor como um todo, pois tornam as opções de investimentos dos planos abertos mais parecidas com as entidades fechadas”, diz Altair César de Jesus, superintendente de investimentos da Brasilprev. Atualmente, a empresa possui cerca de 95% dos ativos investidos em renda fixa e apenas 5% em renda variável.

Planos corporativos – Os planos da Brasilprev são predominantemente contratados por clientes pessoas física. Porém, a empresa tem investido nos últimos anos na comercialização de planos corporativos. Em 2013, lançou um plano para micro e pequenas empresas e no final do ano passado, começou a comercializar planos para médias e grandes corporações.
“Em relação aos planos corporativos, eles são um mecanismo muito eficaz para fornecer acesso a uma ferramenta de acumulação de recursos de longo prazo para a classe trabalhadora. A penetração destes planos neste estrato social é baixa e, se não há a entrada desta classe, este será um grande problema social para o Brasil”, diz Walker.
As ações da Brasilprev para fazer crescer o segmento incluem a redução da “burocracia” para a abertura de planos empresariais e o reforço de um time de consultores para desenhar planos para as empresas. Os ativos dos planos corporativos, que incluem aqueles com contribuição da patrocinadora ou sem aportes (averbados), chegaram a R$ 11 bilhões, segundo dados de maio de 2016.

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