Dois terços da dívida da Petrobras não geram resultado, diz Parente

RIO – Pedro Parente, presidente da Petrobras, destacou que dois terços da dívida da companhia, de US$ 125 bilhões, não geram nem um real em receita para a companhia. Ele frisou ainda que vendeu Carcará, no pré-sal, para a Statoil, semana passada, porque o desenvolvimento do projeto deve consumir investimentos de US$ 12 bilhões a US$ 13 bilhões nos próximos anos.

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— A dívida hoje é maior que a dívida de 85% das empresas no mundo, que é de US$ 125 bilhões. A dívida foi gerada desde 2011 e corresponde a quase cinco vezes o nosso Ebitda (geração de caixa operacional). Todo mundo sabe o que representa uma dívida desse tamanho. A dívida foi gerada por razões que não geram resultado para a empresa. Lembro que temos uma política de preços que não gerou resultados para a companhia e projetos que foram mais caros que o planejado. Dois terços dessa dívida não gera um real de resultado. E o outro um terço é de investimentos do pré-sal. E por isso temos que agir com firmeza em relação a um programa que busque a redução dessa dívida — disse Parente

Ele participa do seminário "Pensamentos Olímpicos sobre a economia brasileira", na Casa França Brasil, perto da Candelária. Por conta do trânsito, ele foi a pé da sede da companhia, na Avenida Chile.

— Se estiver ofegante, não se preocupem. Andei um quilômetro e meio. E detesto atrasar e, por isso, vim andando — disse ele.

Parente destacou o programa de desinvestimentos. O último anúncio foi por US$ 2,5 bilhões a venda de Carcará para a Statoil

— Fizemos de acordo com uma visão de portfólio. Caracará tem campo que não é tão interessante para gente, pois o poço tem muita pressão. E isso ia exigir investimentos de válvulas específicas, já que os nossos outros campos não tem esse nível de pressão. Além disso, teria um custo adicional com a infraestrutura de um campo em alto-mar. E não temos gasoduto porque o campo tem muito gás. E iria exigir investimentos de US$ 12 bilhões a US$ 13 bilhões. E por isso foi um campo eleito para a gente para o desinvestimento

Parente destacou que está mantido o plano de desinvestimento da estatal, que é de cerca de US$ 15 bilhões entre 2015 e 2016.

— Já vendemos cerca de US$ 3,7 bilhões. E vamos completar nossa meta de venda de ativos — disse Parente.

LEILÃO DO PRÉ-SAL

Pedro Parente disse que espera um leilão do pré-sal para o início do ano que vem. Embora tenha frisado que ninguém fechou uma data específica, ele citou a importância de se resolver questões regulatórias para que o certame seja bem sucedido.

— Lembrou ainda as parcerias com outras petroleiras são importantes. Em relação ao pré-sal, existem questões que precisam ser endereçadas. E vejo o governo interessado em fazer isso. — apontou. — Mas há situações específicas, com questões estaduais. São pontos importantes para que o leilão ocorra, e que devem ser anunciados no início do ano que vem. Há uma perspectativa positiva desde que essas questões regulatórias sejam atendidas. Neste setor, na parte de exploração, já existe uma tradição de parcerias que são bem sucedidas para a companhia e para o país.

A Petrobras é a favor da política de conteúdo local, mas disse que há problemas nessa política:

— A atual política prejudicou os contratantes. É uma política extremamentre complexa. Quando fazemos um projeto, há uma meta global e uma meta para vários itens. E quando conseguimos o waiver (perdão) para um item , não conseguimos o waiver para o conteúdo total. Essa política não estimula bons e novos fornecedores no Brasil. Era uma política protecionista e não estimulava a inovação. Era do tipo ‘não cumpriu, multou’. Existe espaço para uma politica inteligente ser desenvolvida e queremos discutir.

Sobre o preço do petróleo, Parente disse que nos últimos dias o preço caiu, saindo de perto de US$ 50 para mais próximos dos US$ 40.

— Uma pressão maior de demanda deve ocorrer a partir de 2017. Mas não me arrisco a falar de preços. Ele voltou ainda a lembrar que os preços dos derivados (gasolina e diesel) no Brasil são livres.

— É um tema que o povão quer saber. O que temos dito é que os preços de derivados de petróleo são liberados. E vamos usar isso de acordo com nossos objetivos empresariais. E se não operar bem isso podemos ter reflexos em market share. Já há um volume grande de importação de diesel. Temos que operar de acordo com os interesses empresariais.

http://oglobo.globo.com/economia/negocios/dois-tercos-da-divida-da-petrobras-nao-geram-resultado-diz-parente-19843694#ixzz4GHarpaVc

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