Plano Parente

Petrobras concentra todos os esforços na revisão de seu plano de negócios e na venda de ativos

[26.07.2016] 23h45m / Por Claudia Siqueira

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gerarnovaimagemjpeg.jpegPedro Parente é o novo presidente da Petrobras ( Agencia Petrobras /Stéferson Faria )

O primeiro Plano de Negócios da gestão de Pedro Parente promete trazer a Petrobras à sua nova e dura realidade. Se nos últimos modelos a área de E&P já respondia pela grande massa de projetos e de investimentos, no novo planejamento o segmento irá absorver quase a totalidade dos investimentos, que ficarão abaixo do patamar de US$ 20 bilhões/ano para toda a companhia. Os primeiros estudos apontam para um montante anual de cerca de US$ 17 bilhões/ano, o que, se confirmado, faria com que os investimentos totais caíssem US$ 13,4 bilhões, ficando na casa dos US$ 85 bilhões.

Redução de custo e aumento da receita são as premissas do que está sendo planejado pela petroleira. Em vez do esperado período 2016-2020, o novo plano está sendo revisto com projeção para o horizonte de 2017-2021, deixando de fora 2016, ano dado como perdido, já que a aprovação e a divulgação estão previstas para ocorrer entre o fim de setembro e o início de outubro. Com a Petrobras precisando enxugar suas contas, o peso do novo plano ficará concentrado no programa de desinvestimento, considerado a parte de maior risco ao atendimento de algumas das premissas estabelecidas.

Apesar do corte nos investimentos ser expressivo, a Petrobras planeja compensar parte das perdas com a venda dos ativos e sendo carregada pelos sócios, sobretudo nos projetos de exploracão e produção, onde seu poder de negociação é maior. A ideia é contar também com os sócios nos projetos onde serão feitos farm-outs parciais.

Baixas

Mesmo com a área de E&P mantendo certos “privilégios” em comparação aos demais segmentos, também estão previstas baixas e postergações nos projetos de produção listados nos planos anteriores. Por conta dos problemas nas obras de construção, é certo que a maioria dos FPSOs replicantes e da cessão onerosa terão seus cronogramas. Os projetos de Revitalização de Marlim I, Sépia e Búzios, que dependiam da contratação de novas unidades de produção, ao que tudo indica, serão postergados.

A Petrobras também vem desenhando sua visão estratégica de longo prazo, até 2030, que será divulgada junto com o plano de negócios, trabalho que envolve centenas de pessoas dentro da empresa e é comandado sob a rédea curta por Pedro Parente e Nelson Silva, com o suporte técnico de Carlos Alberto Oliveira, gerente-executivo de Estratégia e Organização. Uma das principais preocupações do grupo é apresentar ao mercado um plano compatível com o atual endividamento da companhia, que é de cerca de R$ 450 bilhões.

Parente vem se reunindo com investidores e analistas de mercado desde que tomou posse. Tem tentado passar a mensagem de que a gestão da empresa agora será estritamente profissional.

Dentro do cronograma estabelecido, agosto será crucial na revisão do planejamento. A diretoria realiza neste mês a terceira e possivelmente uma das últimas reuniões para acertar os detalhes finais. A reunião será feita com toda a diretoria, seus 35 gerentes-executivos e mais alguns gerentes gerais.
A meta interna da petroleira é fechar todos os indicadores e diretrizes do Plano de Negócios 2017-2021 com as áreas operacionais em agosto, já que setembro será dedicado à apresentação e discussão do plano com o Conselho de Administração.

A primeira reunião para discussão do novo planejamento na gestão de Pedro Parente foi realizada em junho e um segundo encontro foi feito em julho. Diferentemente das revisões anteriores, quando todos os executivos eram deslocados para grandes resorts, em locais isolados, os atuais encontros são no edifício Senado, no Centro do Rio de Janeiro, onde hoje trabalham todos os diretores.

Tanto na primeira vez quanto na segunda, as reuniões foram feitas em dois dias. Nos dois casos, as discussões se estenderam por todo o dia, o que promete ocorrer também na reunião de agosto, sem data confirmada até o fechamento desta edição. Embora o trabalho de revisão do planejamento já estivesse sendo feito na gestão de Aldemir Bendine, o estudo foi todo revisto, recomeçando praticamente do zero.

Desinvestimento em foco

A nova meta é dar visibilidade ao que está sendo vendido, privilegiar, sempre que possível, o suporte financeiro dos sócios, ampliar as parcerias e a oferta integral de projetos que não tenham aderência com as diretrizes do planejamento, além de criar condições de negócios que possam tornar a venda de ativos mais atrativa ao mercado. No último mês, por exemplo, a empresa decidiu vender parte do controle da BR Distribuidora para torná-la mais atraente. A Petrobras deve incluir em seu plano de desinvestimento as refinarias mais antigas, organizadas em pools regionais.
A modalidade de venda ainda está sendo discutida e estruturada, mas uma das propostas colocadas na mesa é a venda de participações das unidades industriais e dutos que compõem os seus sistemas logísticos.

Um dos modelos em avaliação contemplaria pelo menos dois pacotes distintos, um envolvendo a Regap (MG) e a Reduc (RJ) e outro a Repar (PR) e a Refap (RS).

Outro desafio do programa de desinvestimento na área de refino é a busca por sócios para os projetos da Rnest, que nasceu a partir de um projeto binacional com a PDVSA e acabou não indo pra frente.
A meta do desinvestimento é assegurar a venda de US$ 14,1 bilhões até o fim do ano. No fim do mês passado, a gerente-executiva de Aquisições e Desinvestimentos, Anelise Quintão Lara, garantiu a manutenção da meta, mesmo com o adiamento para 2017 do processo de venda do controle compartilhado da BR Distribuidora.

Mudanças por vir
Depois de concluída a revisão e aprovado o plano de negócios, a atenção de Pedro Parente deve voltar-se à arrumação interna da Petrobras. Com a revisão das metas e das diretrizes será preciso alinhar a estrutura organizacional da companhia aos novos planos.

Apesar de Aldemir Bendine ter implantado uma nova estrutura pouco antes de deixar o cargo, a avaliação interna é de que a organização atual não tem aderência às premissas do novo plano e muito menos ao perfil de Pedro Parente e de Nelson Silva, o único diretor nomeado até o momento.

Desde que assumiu o comando da Petrobras, Parente tem dedicado parte de seu tempo a encontros e reuniões com funcionários, ex-funcionários, ex-diretores da companhia e executivos do setor não necessariamente ligados à Petrobras. Nessas ocasiões, que não são raras, tem se mostrado bom ouvinte e curioso por saber a impressão das pessoas sobre o cenário atual e os quadros da companhia.

O novo presidente da Petrobras tem se aconselhado também com Nelson Silva, que ganha cada vez mais projeção na companhia. Próximo de ser oficializado Diretor de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão, o ex-presidente da BG já é visto hoje como o segundo homem na hierarquia da companhia, uma espécie de vice-presidente Executivo, ainda que na estrutura organizacional seu cargo tenha o mesmo poder dos outros seis diretores.
A criação da nova diretoria foi recebida com alguma ressalva pelo mercado ao ver a companhia com quatro diretorias de suporte contra três operacionais. Internamente é dado como certo que a Diretoria de Nelson Silva irá absorver outras atividades, devendo reduzir o atual número de diretorias.

http://brasilenergiaog.editorabrasilenergia.com/news/empresas/estrategia/2016/07/plano-parente-450258.html

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