José Carlos Grubisich, presidente: Vendas de celulose no 2º trimestre, em volume, foram recorde para a companhia
A Eldorado Brasil, produtora de celulose de eucalipto da J&F Investimentos, manteve a trajetória de melhora dos resultados financeiros e registrou lucro líquido de R$ 414,1 milhões no segundo trimestre, comparável a prejuízo de R$ 5,7 milhões um ano antes. Os ganhos vieram em um momento de valorização do real frente ao dólar e preços internacionais mais fracos da celulose, compensados por redução de custos e volume de vendas recorde para a companhia.
Junto com o balanço, a Eldorado, alvo de busca e apreensão da Operação Lava-Jato no início do mês, informou que contratou um consultor externo para conduzir uma investigação independente das denúncias que motivaram a ação. A operação que implicou a companhia teve como base delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal Fábio Cleto, que revelou um esquema de propina em contratação de empréstimo com ao FI-FGTS.
Do lado operacional, a melhora na última linha do balanço reflete a alta de 23% no resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), combinado a uma receita financeira líquida. Pressionada pela valorização do real frente ao dólar e por preços menores da celulose de fibra curta, a receita líquida recuou 5% frente ao segundo trimestre do ano passado, para R$ 812,3 milhões.
As vendas em volume, porém, subiram 6%, a 465 mil toneladas, à medida que a companhia comercializou parcela maior de seus estoques depois de um primeiro trimestre de preços fracos. A produção no intervalo caiu 9%, para 362 mil toneladas, na esteira da parada programada para manutenção de dez dias na fábrica de Três Lagoas (MS).
“Esse foi o melhor trimestre em vendas da história da Eldorado, com foco em [clientes de] tissue e papéis especiais”, afirma o presidente da Eldorado, José Carlos Grubisich. A Ásia se manteve como principal destino da produção da companhia, com 51% do total exportado, seguida por Europa (30%), América Latina (12%) e América do Norte (7%).
Apesar da valorização do real e da queda nos preços internacionais da celulose, o Ebitda trimestral da Eldorado subiu 23%, para R$ 469 milhões, como resultado da redução nos custos de produção e logística. No segundo trimestre, o custo caixa de produção ficou em R$ 669 a tonelada, 13,7% abaixo dos R$ 775 por tonelada apurados um ano antes, beneficiado principalmente pela menor distância entre fábrica e florestas. A margem Ebitda avançou 13 pontos percentuais, para 58%.
De abril a junho, a Eldorado teve resultado financeiro positivo em R$ 149,3 milhões, frente a despesa financeira líquida de R$ 380 milhões um ano antes. A dívida líquida passou de R$ 8,2 bilhões em março para R$ 7,6 bilhões no encerramento do segundo trimestre, com queda de 0,3 ponto percentual na alavancagem financeira, para 3,7 vezes.
Sobre a ação da Polícia Federal (PF) no escritório da Eldorado em São Paulo deflagrada no dia 1º, o conselho de administração aprovou no início deste mês a contratação de uma investigação independente. No fim de 2012, a produtora de celulose levantou R$ 940 milhões junto ao FI-FGTS, que foi alvo da delação do ex-vice-presidente da Caixa, por meio de uma emissão de debêntures. Os recursos foram usados em projetos de saneamento e logística de escoamento da celulose produzida na fábrica de Três Lagoas (MS), que entrou em operação em novembro do mesmo ano.
A companhia diz que, até o momento, não é ré e não foi citada em inquérito ou ação penal relacionada à operação. De acordo com o presidente da Eldorado, um escritório de advocacia em Brasília também foi contratado para acompanhar o processo. Em reunião realizada ontem, o conselho de administração definiria o escopo da investigação independente que será conduzida por um consultor externo. “O financiamento foi feito dentro das condições de mercado e seguiu todas as etapas de governança do FI-FGTS, aprovado pelo conselho que é formado por 12 pessoas”, diz Grubisich.
Segundo o executivo, a operação não muda os planos em relação ao projeto de expansão da Eldorado, que segue trabalhando na estrutura de financiamento dos R$ 10 bilhões que serão investidos na segunda linha de celulose. A pretensão da companhia é captar entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,5 bilhão do FI-FGTS para esse projeto de expansão. “Se houver dificuldades, vamos buscar outras fontes”, afirma.
http://mobile.valor.com.br/empresas/4643415/eldorado-reverte-prejuizo-e-tem-lucro-de-r-414-milhoes
Você precisa fazer login para comentar.