Petrobras já cogita abrir mão do controle ou fatiar BR Distribuidora

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Em busca de sócio. Petrobras analisa propostas de três interessados na BR, mas já estuda vender controle da subsidiária, embora pretenda manter fatia relevante – Carlos Ivan / O Globo

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RIO – Em busca de um sócio para a BR Distribuidora há um ano, a Petrobras começa a rever planos. A alta direção da estatal já cogita vender o controle ou fatiá-la em áreas de negócio para, posteriormente, negociar a alienação dessas participações. Considerada uma das “joias da coroa”, a BR, líder do mercado de combustíveis, é um dos principais destaques na lista de ativos da Petrobras à venda. O objetivo da petroleira é levantar US$ 15,1 bilhões neste ano para assegurar os recursos necessários para a execução de seu plano de investimentos.

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, confirmou ontem que avalia três propostas de compra de participação na BR, assim como outras alternativas que poderiam resultar em maior valor para a distribuidora.

— Estamos avaliando se essas três propostas representam o melhor valor possível para a empresa, não chegamos a uma conclusão ainda. Foram três propostas, não foi uma só. Houve, portanto, interesse, mas, eventualmente, há outras alternativas que produziriam maior interesse. E é isso que a gente quer ter certeza — afirmou Parente, após evento com atletas patrocinados pela estatal que participarão da Olimpíada.

Inicialmente, a Petrobras planejava abrir o capital da subsidiária e vender 25% das ações. Depois, cogitou alienar 49% dos papéis, mesmo assim, o projeto não foi adiante, com o agravamento das crises econômica e política. A empresa é considerada no mercado um excelente ativo, com 34,9% do setor de distribuição de combustíveis, cerca de 8.200 postos de serviços com sua bandeira e mais de 1.200 lojas de conveniência. Diante deste quadro, a Petrobras passou a estudar opções mais ousadas, como a venda do controle. Fontes a par da negociação destacam, porém, que ela ficaria com uma parcela relevante do capital, algo como 50% menos uma ação. No caso de uma venda fatiada, a estatal poderia permanecer como acionista majoritária em alguns segmentos e como minoritária em outros. Seja qual for o modelo usado, a empresa pretende permanecer com fatia relevante na BR.

— Não existe modelo em estudo no qual a Petrobras tenha papel secundário. No caso de vender o controle, teria um mega acordo de acionistas, bem rígido. Não é uma privatização, é uma gestão compartilhada com o sócio privado, dando à BR as vantagens de uma empresa privada — disse a fonte.

EFEITOS NA GESTÃO DA EMPRESA

O objetivo é concretizar algum dos modelos de venda em estudo da BR até o fim do ano. Segundo fontes a par das negociações, mesmo com um acordo rígido de acionistas, a gestão da companhia passaria para o setor privado, o que a livraria das amarras de uma estatal. Uma das inspirações para a Petrobras é o caso da BB Seguridade, criada em 2012 e que unificou as atividades de seguros, previdência e capitalização do Banco do Brasil, e é considerada uma solução de sucesso. Em 2013, houve a abertura de capital da companhia, na maior oferta inicial de ações no país até aquele momento. A BB Seguridade tem 66,25% de capital do Banco do Brasil e 33,75% em ações no mercado privado.

No caso de uma venda fatiada da BR, a empresa poderia ser dividida em segmentos. A empresa é líder em diversas áreas, desde a distribuição de combustíveis, fabricação e venda de lubrificantes, venda de querosene de aviação, de produtos químicos para atividades em plataformas, entre outros. A empresa tem mais de dez mil grandes clientes entre indústrias, termoelétricas, companhias aéreas, frotas de veículos leves e pesados, entre outros.

— A BR é um conjunto de grandes negócios nos quais é líder em todos. É possível fazer a cisão desses negócios e se criar um modelo para vender integralmente alguns, manter participação majoritária ou minoritária em outros — afirmou a fonte.

Para Paulo Figueiredo, diretor de Operações da FN Capital, uma venda de controle enfrentaria forte resistência interna, mas seria benéfica para a distribuidora, principalmente do ponto de vista de gestão:

— A abertura de capital traria uma gestão mais profissional, mais competência administrativa para a empresa. Boa parte do mercado vê de forma favorável a possibilidade de entrada de sócios privados na BR — destacou Figueiredo, ao lembrar que a distribuidora, assim como a Petrobras, enfrenta problemas com as investigações de corrupção reveladas pela Operação Lava-Jato, que levaram a investigações internas.

Na avaliação de um executivo de uma prestadora de serviço de grandes distribuidoras, a BR sente os efeitos da burocracia e da morosidade no processo de tomada de decisões. Ele cita como exemplo que, a expansão de uma base da subsidiária levou mais de dois anos e meio. Uma distribuidora privada concorrente levaria menos de um ano.

— Problemas de morosidade na contratação, burocracia na aprovação do projeto, com milhões de fiscais de crachá verde (funcionários) e subcontratados caçando pelo em ovo. A BR leva um banho das concorrentes nestes aspectos — ressaltou o executivo.

Até o momento, apenas investidores fora da área de distribuição de combustíveis se interessaram pelos ativos da BR. Entre os nomes citados no mercado estão o da gestora canadense Brookfield, o do fundo GP Investiments e o da Advent International. Para um executivo do setor, porém, é natural a ausência de concorrentes diretos. Com 34,9% do mercado, um eventual interesse de competidoras como Ipiranga e Raízen resultaria em restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Para uma petroleira disposta a ingressar no mercado brasileiro, o negócio poderia não ser interessante pois ela, provavelmente, gostaria de adotar sua própria bandeira.

Para o presidente da Fecombustíveis, que reúne os revendedores, Paulo Miranda, independentemente do modelo que a Petrobras usar na venda de ativos da BR, o melhor para o mercado seria a vinda de uma petroleira estrangeira:

— Hoje, 80% estão nas mãos de três empresas: BR, Ipiranga e Shell (Raízen). A vinda de uma multinacional traria mais competitividade. Qualquer investidor só entrará se ficar com o controle da BR.

Para o advogado Paulo Lopes, do Tauil & Chequer Advogados, a Petrobras deverá manter participação relevante na BR:

— Vender o controle é um prêmio para atrair o investidor e arrecadar mais recursos, mas a Petrobras vai continuar com posição forte na BR.

A empresa sente os efeitos da indefinição. Desde o ano passado, ela tenta contratar um executivo para ocupar em definitivo o cargo de presidente. Depois de vários meses de negociação com um candidato que atuava em empresa privada do setor, ele acabou recusando o convite. Para fontes a par do episódio, a questão maior não foi o salário, mas os riscos de interferência do governo na gestão da empresa e no comando da companhia.

Procurada, a Petrobras disse que não comenta as discussões sobre o modelo de venda da BR.

O presidente da petrolífera, Pedro Parente, disse ontem que a estatal poderia participar dos futuros leilões de exploração de áreas do pré-sal e do pós sal se avaliar que a oportunidade vale a pena. Sobre os preços dos combustíveis reafirmou que não há perspectiva de ajuste para cima ou para baixo:

— Como qualquer companhia, a empresa precisa ter liberdade para fixar preços e, como qualquer empresa, leva em conta parâmetros e condições. É isso que a gente vai fazer. Não tem nenhuma decisão de aumentar preços agora.

http://m.oglobo.globo.com/economia/petrobras-ja-cogita-abrir-mao-do-controle-ou-fatiar-br-distribuidora-19720165

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