Eletrobras tenta incluir Santo Antônio em auditoria da Hogan Lovells

Contratada para apurar desvios em subsdiárias foi vetada de investigar hidrelétrica citada na Operação Lava-Jato

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

[12.07.2016] 18h59m / Por Fabio Couto

A Eletrobras informou que continua adotando procedimentos que permitam a conclusão das investigações do escritório internacional Hogan Lovells na Santo Antônio Energia, sociedade de propósito específico que controla a hidrelétrica de mesmo nome em Rondônia. O escritório, contratado pela estatal para averiguar irregularidades em contratos, não pôde fazer investigações na empresa porque a Eletrobras não é majoritária na SPE.

A medida é necessária para o arquivamento dos balanços de 2014 e 2015 na SEC, reguladora do mercado americano de capitais. Os balanços não foram apresentados na ocasião porque a KPMG, auditoria contratada pela companhia, recusou-se a assinar os balanços por não ter segurança da extensão dos impactos que os casos de corrupção podem ter causado nas finanças da companhia.

O fato coloca mais uma vez a estatal em oposição a outros sócios controladores, uma vez que a Santo Antônio Energia foi capitalizada em algumas ocasiões, durante a crise hídrica, em função da exposição ao PLD (GSF), sem que a operação de aporte de capital tivesse unanimidade.

A usina é uma das suspeitas de terem as obras realizadas mediante pagamento de propina. Um dos acionistas da Santo Antônio Energia é a Odebrecht, que está sob investigação pela Operação Lava-Jato e tem executivos presos, entre os quais o herdeiro e presidente do grupo, Marcelo Odebrecht. A empreiteira foi a responsável pelos estudos ambientais e de engenharia de Santo Antônio e Jirau, em conjunto com Furnas.

Em comunicado, a Eletrobras confirmou que "enfrentou algumas dificuldades para realizar a investigação conduzida pelo escritório Hogan Lovells, junto a determinadas sociedades de propósito específico nas quais detém participação acionária minoritária, direta ou indireta". Segundo a companhia, a SPE não autorizou a ação do Hogan Lovells porque entendia que não era obrigada a se submeter à investigação por não estar sujeita a obrigações decorrentes de companhia aberta, com ações listadas na Bolsa de Valores de Nova York, como é o caso da Eletrobras.

Diante do veto, a Eletrobras recorreu à Justiça com duas ações, mas obteve decisões judiciais desfavoráveis, diante do entendimento legal de que a estatal só poderia prosseguir com as investigações com a permissão da Santo Antônio Energia. A Eletrobras recorreu. De acordo com a Eletrobras, incidentes como o de Santo Antônio motivaram a suspensão da negociação das ações na Bolsa de Nova York.

"Este embrólio com sociedades das quais a Eletrobras não detém controle acionário contribuiu para o atraso da investigação do Hogan Lovells e, por consequência, para o não arquivamento tempestivo do Formulário 20F de 2014 até 18 maio de 2016, junto à Securities and Exchange Commission (SEC) e NYSE [sigla em inglês da Bolsa de Nova York]. Na SPE, Furnas possui 39% de participação.

Ainda de acordo com a estatal, a investigação do Hogan Lovells tem como objetivo investigar "alegações específicas de atividades ilícitas" contra a legislação brasileira, reavaliar controles internos sob a ótica da legislação americana e o impacto das eventuais ações encontradas no balanço da companhia.

http://brasilenergia.editorabrasilenergia.com/daily/bec-online/empresas/2016/07/eletrobras-tenta-incluir-santo-antonio-em-auditoria-da-hogan-lovells-470553.html

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.


Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading