Déficit da Funcef fica em R$ 8,1 bilhões em 2015

A Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, fechou 2015 com um déficit de R$ 8,1 bilhões, menor que os R$ 8,8 bilhões estimados em março. Mas a avaliação é de que em 2016 a meta atuarial, de cerca de 13%, será batida e ainda sobre recursos para ajudar abater o déficit acumulado nos últimos anos, de cerca de R$ 11 bilhões.
De acordo com o presidente da Funcef, Sérgio Mendonça, o importante é olhar o longo prazo. “A conjuntura de 2015 foi ruim e quem tem investimento perdeu.”
Ele cita o patrimônio em R$ 54,3 bilhões, o pagamento de R$ 3 bilhões aos assistidos e um reajuste de 11,28% como bons indicativos. “Isso reforça a solidez da fundação nesse cenário adverso”, disse.
Mendonça reconhece que o momento de crise política e econômica colocou a imagem dos fundos de pensão em posição complicada, mas os resultados ruins do curto prazo não podem ser projetados para o longo prazo. “É uma árdua tarefa para fazer um debate menos apaixonado”, disse.
Para o diretor de Investimentos, Maurício Marcellini, o resultado de um ano não pode ser a cobrança para um gestor de plano de previdência. Em dez anos, de 2006 a 2015, a Funcef teve uma rentabilidade dos investimentos de 214%, ante meta de 208% e um retorno médio do sistema de 210%.
Mendonça aponta que essa reversão de mercado em 2016 já afeta os ativos do fundo, principalmente as posições em renda fixa, conforme o juro permanece elevado, e a recuperação da bolsa valoriza, notadamente das ações da Vale, um investimento relevante da fundação. A expectativa é de um retorno entre 13% a 15% dos investimentos em 2016.
Além disso, o ano reserva uma desaceleração da inflação, que foi o principal motivo apontado para o déficit do ano passado. Com INPC acima de 11%, a meta atuarial da Funcef foi a 17,54%. “Isso impacta as reservas matemáticas e impacta o déficit”, disse o presidente.
Outros fatores que afetaram o déficit do ano passado foram as baixas contábeis com Sete Brasil, de R$ 1,7 bilhão, e outros R$ 170 milhões com OAS. Mas o fundo está em busca de reparação por via judicial desses investimentos. A posição em Vale resultou em perda de R$ 1,1 bilhão.
No lado positivo do balanço, está a renda fixa que mostrou um retorno de 17% em 2015.
Segundo Marcellini, o fundo está pouco incentivado em buscar diversificação fora da renda fixa dado o juro alto. Mas segundo Mendonça, a médio prazo, conforme a economia volte a crescer e os a juros cair, os fundos serão demandados a fazer mais investimentos no lado real da economia. “E temos veículos importantes para investir”, disse.
O presidente aponta que o setor de infraestrutura, apesar dos problemas decorrentes das investigações da Lava-Jato, é candidato natural a ter aportes, pois são projetos de longa maturação.
Marcellini aponta que o fundo segue fazendo um processo de revisão da política de investimentos estruturados.
Segundo o diretor, dois dos quatro fundos que não têm déficit, dispõem de R$ 9 bilhões em reservas. Mas a ideia, se novos aportes ocorrerem, é manter a exposição atual de 4% a 5% do patrimônio do plano.
O resultado negativo de 2015 terá de ser equalizado paritariamente entre os assistidos e a patrocinadora, a Caixa, e a previsão é que isso ocorra em 2017. Já está em marcha, desde maio, a equalização de déficit anterior, que resulta em pagamento 2,78% do benefício por 17 anos.
Segundo Mendonça, a regulação dos fundos de pensão tem que ser dinâmica e revista periodicamente. “Não pode ser uma camisa de força em um mundo onde as coisas acontecem de forma super-rápida. Ou você administra junto com a conjuntura ou não atinge meta. Aí fica todo mundo com função de perda” diz.
Para o presidente, o setor também tem de estar preparado para o debate de como ajustar as metas atuariais quando os juros voltarem a cair e os fundos voltarem a enfrentar o dilema entre onerar o participante ou buscar mais diversificação e risco. Em 2013, quando a Selic estava em 7,25%, esse dilema foi real.

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