Jovens sonham em trabalhar no Google, na Petrobras e na ONU

Os jovens brasileiros estão com uma visão mais realista em relação a seus desejos de carreira, de acordo com levantamento do grupo DMRH em parceria com a Nextview People. Metade dos estudantes e dos recém-formados consultados não tem uma “empresa dos sonhos” onde almeja trabalhar — menos do que em anos anteriores — e suas aspirações estão mais parecidas com as de profissionais com mais tempo de estrada.
Realizada anualmente, a pesquisa teve a participação de quase 64 mil jovens de todas as regiões brasileiras, bem como 5.434 profissionais de média gerência e 3.161 altos executivos. Em 2012, 77% dos jovens citaram uma organização em que sonhavam trabalhar, ano em que as mais votadas foram Petrobras, Google e Vale, nessa ordem. Em 2016, 50% dos estudantes e recém-formados escolheram um local em que gostariam de atuar — número similar ao registrado entre os profissionais de média gerência e alto escalão.
A presidente do grupo DMRH, Sofia Esteves, atribui parte da queda a denúncias envolvendo empresas não só no Brasil, que foi palco de operações como a Lava-Jatos e a Zelotes, mas no mundo, onde empresas renomadas como a GM e a Volkswagen protagonizaram escândalos. “Eles estão mais pé no chão, com uma visão menos glamourizada das companhias, e mais focados em objetivos de carreira”, diz. Empresas dos sonhos dos jovens
Ranking em 2016
Organização
1
Google
2
Petrobras
3
ONU
4
PwC
5
Ambev
6
Odebrecht
7
Nestlé
8
Itaú
9
Unilever
10
Natura
Fonte: DMRH e Nextview People
Neste ano, Google, Petrobras e ONU são as organizações mais desejadas por aqueles que recém entraram ou estão para entrar no mercado de trabalho. As duas primeiras se mantêm nas mesmas posições nos últimos três anos. Segundo Sofia, a Petrobras perdeu votos por causa das denúncias de corrupção, mas não o suficiente para deixar a segunda posição — a empresa continua a ser o sonho de profissionais em locais onde tem presença forte, como a regiões Norte e Nordeste e no Rio de Janeiro.
Além disso, é tida como exemplo de companhia que oferece estabilidade junto com inovação. “O Google e a Petrobras são opostos do ponto de vista de negócio, mas ambas valorizam muito o desenvolvimento profissional e são empresas de ponta”, diz Danilca Galdini, diretora da Nextview People e responsável pela pesquisa. O desenvolvimento profissional foi o motivo para a escolha mais citado pelos jovens (67%), enquanto a boa imagem no mercado foi justificativa de 46%.
Terceira colocada, a ONU aparece pela primeira vez no ranking. Na visão de Sofia, é consequência de uma vontade dos profissionais de terem um trabalho com propósito e da maior exposição da organização no Brasil por meio de campanhas em assuntos como o empoderamento feminino — 77% dos jovens que escolheram a ONU como “empresa dos sonhos” são mulheres.
Na pesquisa deste ano, a ONU substituiu a Odebrecht, que caiu mas ainda figura no ranking, em sexto lugar. “Entre os que a escolhem há um volume maior de pessoas que o fazem porque conhecem alguém que trabalha lá”, diz Sofia.
Já a Vale, uma das controladoras da mineradora Samarco, não figura no ranking pela primeira vez desde pelo menos quatro anos. Para Sofia, há uma visão de que, nesse caso, o produto da empresa está atrelado a um acidente ambiental que fere os princípios dos profissionais. Já no caso de companhias como a Odebrecht e a Petrobras, as organizações seriam “maiores” que as irregularidades de gestão denunciadas. Empresas dos sonhos de executivos do alto escalão
Ranking em 2016
Organização
1
Google
2
Natura
3
Nestlé
4
GE
5
Vale
6
Unilever
7
Itaú
8
Ambev
9
Petrobras
10
Fundação Dom Cabral
Fonte: DMRH e Nextview People
A Vale aparece apenas na lista de empresas dos sonhos de profissionais de alta gestão, que também é liderada pelo Google. Entre os profissionais de média gerência, a companhia de busca também ficou no topo. No geral, nomes conhecidos como a Nestlé, Natura e Ambev se repetem em todos os níveis. Entre os mais velhos, no entanto, apareceu pela primeira vez, em 10º lugar, a Fundação Dom Cabral, instituição de ensino entre as preferidas para cursos de executivos.
Quando comparados os motivos para escolherem a “empresa dos sonhos” e os aspectos de vida considerados mais importantes, as respostas dos jovens não se mostraram tão diferentes das de profissionais de média gerência ou alto escalão. Sucesso profissional está entre as três coisas mais importantes para todos os públicos, bem como ter uma boa relação familiar. Já trabalhar em outros países e ter um negócio próprio são as experiências profissionais mais desejadas tanto por profissionais jovens e quanto de média gestão. “Muito se fala de conflitos de gerações, mas os anseios são os mesmos. O que muda é a priorização”, diz Sofia.
Entre os jovens há, no entanto, mais abertura a vínculos e modelos alternativos de trabalho. Enquanto 70% dos gerentes consideram o contrato CLT como o mais atrativo, cerca de 50% dos recém-formados e estudantes concordam.
Essa visão mais cética não significa, entretanto, que os profissionais mais novos encaram as outras possibilidades como saídas mágicas. Caiu, inclusive, a porcentagem dos que almejam ter o próprio negócio, de 56% em 2012, para 37% neste ano. “Essa antes era uma opção mais idealizada, e hoje a informação tem aparecido de forma mais realista”, diz Danilca. Ainda assim, uma parte deles já está colocando a mão na massa: 14% dos jovens já fizeram algo para estruturar ou planejar o negócio próprio nos últimos 12 meses. Empresas dos sonhos de profissionais de média gestão
Ranking em 2016
Organização
1
Google
2
Natura
3
Nestlé
4
Unilever
5
Ambev
6
ONU
7
Petrobras
8
Apple
9
Itaú
10
GE
Fonte: DMRH e Nextview People

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