Em carta a funcionários, Parente se diz alvo de ‘ataques pessoais’ de sindicatos

Alvo de críticas de sindicatos, o novo presidente da Petrobras, Pedro Parente, adotou como estratégia inicial a aproximação direta com os trabalhadores. Na última semana, o executivo visitou unidades da estatal no Rio para apresentar aos funcionários sua visão sobre a recuperação da empresa. Hoje, Parente encaminhou um comunicado aos funcionários para rebater “ataques pessoais” por parte de “órgãos sindicais”.
“Desde que meu nome veio a público como uma alternativa para a presidência de nossa empresa, tenho sido alvo de ataques pessoais por parte de órgãos sindicais. Não tenho clareza das motivações”, diz o comunicado encaminhado pela intranet da Petrobras na manhã desta segunda-feira, 13. Parente afirma ainda que os ataques não vão afastá-lo “do objetivo de recuperar” a empresa.
O aceno aos trabalhadores ocorre apenas dois dias após a categoria deflagrar uma paralisação nacional de 24 horas, na última sexta-feira. O movimento integrou mobilização contra o governo do presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), e foi articulado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), que integra 14 sindicatos e é ligada à Centra Única dos Trabalhadores (CUT) e ao PT.
As centrais sindicais e as relações políticas não são citadas. Em suas páginas na internet, elas acusam o executivo de provocar prejuízos à estatal quando foi ministro da Casa Civil no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Na carta, Parente considera que “o momento não é de confrontações”, em função da crise na empresa.
“Não desejo e não vou confrontar. Todos os que desejam que essa empresa se recupere, sem exceção, devem trabalhar conjuntamente para alcançar esse objetivo”, reforçou o executivo. Segundo Parente, as “divergências são naturais em qualquer processo democrático”, mas disse ser possível “encontrar saídas” para a crise com “diálogos construtivos sem o apelo fácil a ataques pessoais”.
Parente esclarece no documento sua participação em dois processos atualmente em curso na Justiça. Um deles, responsabiliza o executivo por improbidade administrativa no caso Proer. Parente diz que o programa evitou que o sistema financeiro do País “entrasse em colapso” na crise de 2008. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
O executivo também é réu em ação civil pública movida por sindicatos contra uma operação de troca de ativos entre a Petrobras e a Repsol que teria causado prejuízos à estatal. Na época, Parente integrava o conselho de administração. Em sua defesa, o executivo diz que o negócio foi realizado no “legítimo contexto das atribuições do conselho” e que não há “qualquer acusação ou indicação de beneficiamento pessoal de qualquer natureza”.
Pedro Parente ainda esclarece, no comunicado, que solicitou ao conselho de Administração da estatal uma apuração sobre a compra da Perez Companc, na Argentina, em 2002. O caso foi citado em delação premiada do ex-diretor Nestor Cerveró na Operação Lava Jato. Em nota, a Petrobras confirmou a abertura de investigação.
A estratégia de Parente de aproximação com os funcionários teve início logo após a posse, no dia 2 de junho. O executivo gravou um vídeo, encaminhado internamente aos funcionários, e realizou na última semana uma agenda de encontros na sede, em duas unidades do Rio e também na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), com transmissão para outras unidades.
“O presidente está se apresentando às pessoas, falando sobre a sua trajetória, e está ouvindo e esclarecendo questionamentos, muitas vezes com ajuda dos diretores. Os temas mais comuns são pré-sal, plano de desinvestimento e endividamento”, informou a estatal, em nota.
“Não há uma agenda fechada para próximos encontros, mas é provável que o presidente visite outras unidades, pois um dos objetivos também é que ele possa conhecer mais sobre a empresa”, diz o comunicado.
http://m.istoedinheiro.com.br/noticias/negocios/20160613/carta-funcionarios-parente-diz-alvo-ataques-pessoais-sindicatos/382832

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