Petrobras pesa em banco público


Se o tamanho da dívida da Petrobras é um problema para ela, é também para os grandes bancos públicos do país, que têm R$ 92 bilhões a receber da estatal de petróleo. O caso mais emblemático é o do BNDES: o volume de empréstimos que a instituição tem concedido ao “sistema Petrobras” pode ser estimado em R$ 55 bilhões, o que equivale a mais de 50% do patrimônio de referência do banco, o dobro do limite prudencial que o Banco Central (BC) aplica como regra geral para a relação de bancos com clientes.

Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!

É uma exceção regulatória criada em 2008, exclusivamente para a relação entre BNDES e Petrobras, que permite que o limite de exposição de 25% do patrimônio de referência seja superado.

E não deixa de ser curioso que quem tenha que lidar com essa situação, em um momento em que se pretende enxugar o BNDES, seja o novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Foi durante a gestão dele à frente do Banco Central que o Conselho Monetário Nacional (CMN) relaxou as regras de concessão de crédito bancário para a Petrobras. Até setembro de 2008, a petrolífera só podia dever R$ 15 bilhões aos bancos locais.

A estatal tinha que se financiar com bancos internacionais e com a emissão de dívida no mercado de capitais externo.

Por causa da crise financeira de 2008, que teve seu pico em setembro daquele ano, com a quebra do Lehman Brothers, os limites foram retirados e foi criada essa regra excepcional para BNDES e Petrobras.

A norma específica estabelece que o teto de 25% de exposição do BNDES seja calculado separadamente por controlada ou subsidiária da Petrobras.

Nos outros bancos públicos, que seguem a regra geral, o limite prudencial não é ultrapassado, mas a exposição não é baixa. O BB tem créditos de R$ 25,1 bilhões contra a Petrobras, o que representa 20% de seu patrimônio de referência, conforme dados de março. Tudo indica que é a maior cliente. Na Caixa, a exposição equivale a 15% ou a R$ 11,5 bilhões – declarada a maior concentração de risco.

O valor de exposição de cada um desses bancos à Petrobras não é mais fornecido pela estatal em seu balanço – como era até 2012. Agora, a Petrobras divulga apenas a soma que deve a bancos federais. Mas é possível alcançar o saldo individual com o cruzamento entre as informações do balanço da Petrobras e dos bancos BB e Caixa.

Os financiamentos entre a Petrobras e os bancos públicos são os chamados contratos entre partes relacionadas, pois todas as sociedades têm o mesmo dono: a União. Nessas operações é preciso cuidar ainda mais da qualidade da decisão, para evitar transferência de riqueza de uma companhia para outra. Para listar outras curiosidades, Luciano Coutinho era presidente do BNDES e membro do conselho da Petrobras durante esse período. E Aldemir Bendine foi presidente do BB e, depois, da Petrobras.

Ainda que o banco de fomento esteja dentro da regulação, o limite prudencial do qual foi liberado existe para proteger o banco – e não o tomador do crédito – e evitar uma exposição excessiva num único cliente. Trata-se de gestão de risco. Ao BNDES foi permitido se afastar desse parâmetro. Consultado, o banco limitou-se a responder que está dentro das regras a que está submetido.

A resolução que limitava a Petrobras de tomar empréstimos livremente no sistema financeiro nacional era de 2001 – quando a estatal era uma companhia com produção de 1,5 milhão de barris diários de óleo e LGN e investimento anual da ordem de US$ 7 bilhões. Em 2008, quando as fronteiras foram eliminadas, a estatal produzia quase 2 milhões de barris ao dia e seu volume de investimento já alcançava US$ 30 bilhões ao ano – e cresceu até bater US$ 45 bilhões num único ano.

Ao fim de 2007, a contratação de crédito junto aos bancos públicos pela Petrobras estava dentro dos limites estabelecidos pelo CMN: R$ 7,3 bilhões. Com a mudança nas regras, esse total subiu para R$ 17,5 bilhões ao fim de 2008 e seguiu em expansão, acompanhando os pesados investimentos realizados pela Petrobras, diante da euforia gerada com o pré-sal.

A partir de então, a estatal foi protagonista de um gigantesco programa de investimentos – mais de R$ 500 bilhões entre 2008 e 2014. Muitos dos projetos fizeram parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como a construção da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), entre tantos.

Além dos bancos públicos, os privados Itaú e Bradesco também possuem créditos contra a Petrobras – R$ 2,7 bilhões e R$ 10,39 bilhões, respectivamente.

No total, os cinco bancos – BNDES, BB, Caixa, Bradesco e Itaú Unibanco, tinham R$ 104,8 bilhões em empréstimos a receber da estatal no fim do primeiro trimestre.

A despeito de a liberação do CMN de 2008 ser válida para todo sistema financeiro nacional, Bradesco e, especialmente, Itaú Unibanco não acompanharam seus pares estatais no financiamento aos mega-projetos.

O mercado acompanha atentamente a situação da estatal. Depois de anos fazendo pesados investimentos, o fluxo de caixa é afetado pelo preço do petróleo, além de falhas assumidas em alguns projetos que não oferecem retorno. Não bastasse isso, a Operação Lava-Jato acertou em cheio a credibilidade da companhia.

A Petrobras não se manifestou.

http://mobile.valor.com.br/financas/4594515/petrobras-pesa-em-banco-publico?utm_source=newsletter_tarde&utm_medium=09062016&utm_term=petrobras+pesa+em+banco+publico&utm_campaign=informativo&NewsNid=4588275

INTELLIGENTSIA DISCREPANTES

Não perca nossas informações!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.


Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Intelligentsia Discrepantes

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading