BRASÍLIA — O presidente interino, Michel Temer, anunciou, na tarde desta segunda-feira, que assinou um decreto para disponibilizar um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) exclusivo para o transporte de órgãos e tecidos em território nacional. A decisão foi tomada um dia depois de a reportagem do GLOBO mostrar que, obrigada por lei, a Força Aérea Brasileira (FAB) deixou de transportar 153 órgãos aptos a serem doados. A mesma FAB também transporta políticos e os atendeu nos dias em que deixou de trasladar órgãos. A reportagem mostrou que no dia 21 de dezembro do ano passado, um coração deixou de ser transportado do Paraná para Brasília e o paciente que o receberia morreu dois meses depois. Naquele mesmo dia que a FAB negou o transporte do órgão, o presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha voou de FAB do Rio para Brasília.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!— Acabei de assinar um decreto para que se mantenha permanentemente um avião no solo à disposição para qualquer chamada para o transporte desses órgãos, ou ainda se necessário for, para transportar o paciente para o local onde está o órgão ou tecido. Por isso, não haverá mais, a partir de agora, essa deficiência. O número apontado era significativo e preocupante. Saúde é vida, precisamos estar atentos a esse fato, que parece de menor relevância, mas tem uma relevância extraordinária.
O decreto assinado por Temer fala em "requisitar apoio da Força Aérea Brasileira para o transporte de órgãos, tecidos e partes, até o local onde será feito o transplante, ou, quando assim for indicado pelas equipes especializadas, para transporte do receptor até o local do transplante". O texto altera um decreto de 1997.
Também está no decreto que, quando equipes especializadas indicarem que o receptor deva ser transportado ao local da retirada de órgãos, tecidos e partes, este poderá ser acompanhado por familiares, pessoas indicadas e profissionais de saúde, se houver condições operacionais.
Corações, fígados, pulmões, pâncreas, rins e ossos se perderam por conta das negativas da Aeronáutica. O índice de recusas aumentou nesse período: de 52,7% em 2013 para 77,5% dos pedidos feitos em 2015.
Nos mesmos dias em que houve as negativas a FAB atendeu a 716 requisições de transporte de ministros do Executivo e de presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), do Senado e da Câmara. Em 84 casos, ministros e parlamentares voltavam para suas casas nas cidades de domicílio ou retornavam a Brasília. Esses voos transportaram 4,5 mil pessoas – as autoridades e seus caronas.
Um decreto de 2002 obriga a FAB a transportar autoridades. Já o transporte de órgãos não tem um arcabouço legal – apenas um acordo de cooperação técnica que envolve também o Ministério da Saúde, empresas aéreas privadas e a Infraero.
Na edição desta segunda, o jornal mostrou que problemas de logística levaram o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) a recusar 982 órgãos em cinco anos – um a cada dois dias. Na lista estão 347 corações ofertados e que não puderam ser buscados por falta de transporte.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/governo-anuncia-que-fab-tera-aviao-exclusivo-para-transporte-de-orgaos-19451248#ixzz4Apbadi5h
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