Pedro Aramis de Lima Arruda, ex-gerente de Segurança Empresarial da Petrobras, afirmou nesta quarta-feira (1º) que foram encontrados na sede da SBM Offshore, na Holanda, dois documentos confidenciais da Petrobras.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Um dos arquivos confidenciais da estatal brasileira era uma apresentação do planejamento de exploração do pré-sal. “É um documento de grande sensibilidade para nós, que incluía todo o plano da empresa para o pré-sal”, disse o ex-gerente. O outro era o processo de contratação de um tipo de navio com o qual a SBM não trabalhava.
Arruda coordenou a comissão interna da Petrobras criada em março de 2014 para investigar denúncias de irregularidades em contratos da SBM em vários países – dentre os quais o Brasil. As denúncias foram publicadas em outubro de 2013 por Jonathan Taylor, ex-diretor da SBM, no site Wikipedia.
Segundo Arruda, a comissão descobriu que os documentos foram gerados com a senha do então diretor da Petrobras Jorge Zelada, mas não conseguiu apurar como os documentos da Petrobras chegaram à SBM.
“A cópia eletrônica desses documentos foi gerada num sábado à noite. Entendemos que tenham sido gerados fora da Petrobras, salvos em uma mídia transportável, como um pen drive, e depois enviadas para Faerman, no Rio, ou então direto para a SBM, na Holanda, por um e-mail particular, que não o da Petrobras”, disse o ex-gerente.
Acusados de irregularidades
Ele depôs como testemunha em processo em que seis pessoas são acusadas de irregularidades em contratos da SBM com a petrolífera brasileira para fornecimento de navios-plataforma.
São réus nesse processo os ex-diretores da Petrobras Jorge Zelada e Renato Duque, os ex-funcionários da estatal Pedro Barusco e Paulo Roberto Buarque Carneiro e os agentes de vendas da SBM Julio Faerman e Luís Eduardo Campos Barbosa da Silva.
A comissão ouviu 34 pessoas, segundo Arruda, entre eles Julio Faerman – que seria lobista da SBM no Brasil. Faerman negou todas as acusações feitas por Taylor e também negou ter contas no exterior.
Mas Arruda diz que a SBM já tinha fornecido à comissão interna da Petrobras documentos comprovando que Faerman tinha 4 empresas no exterior – e que recebia dinheiro da SBM por meio dessas empresas.
Desde o governo FHC
O processo tramita na 3ª Vara Federal Criminal do Rio. A investigação começou antes da Lava Jato, mas alguns acusados também são investigados na operação. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), os contratos com irregularidades começaram em 1997, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, e continuaram até 2012.
Segundo a investigação, funcionários da SBM pagaram US$ 42 milhões em propina a funcionários da Petrobras para obter contratos de fornecimento de navios-plataforma à estatal.
Outras testemunhas
Outras duas testemunhas de acusação também foram ouvidas nesta quarta: Nilton Antônio de Almeida Maia, que também participou da comissão interna da Petrobras e confirmou as declarações de Arruda, e Edmar Diniz Coelho.
Coelho coordenou uma segunda comissão interna, criada em março de 2015, que também investigou contratos da Petrobras com a SBM. Ele disse que Paulo Roberto Buarque Carneiro, funcionário da Petrobras, foi ouvido pela comissão e negou que tivesse conta na Suíça e que tivesse recebido propina de Faerman para favorecer a SBM nos contratos.
Ao final da audiência, os advogados de Paulo Roberto, que está preso preventivamente, pediram o relaxamento da prisão. O juiz Vitor Valpuesta negou o pedido. Neste processo, Julio Faerman e Pedro Barusco firmaram acordo de delação premiada com o MPF.
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