Pedro Parente foi convidado sim para ocupar a presidência da Petrobras, mas tem resistido porque não quer voltar a trabalhar no governo. Apesar de não terem se falado, Aldemir Bendine já foi avisado de que o presidente interino, Michel Temer, pretende substituí-lo na presidência da estatal. O interlocutor de Bendine tem sido o ministro do Planejamento, Romero Jucá.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!O recado é que o objetivo não é fazer uma troca abrupta, de modo a evitar ruídos na Petrobras. Com isso, o desejo é que Bendine fique na companhia para fazer a transição. O presidente da estatal teria dito que está disposto a apresentar uma carta de renúncia ao conselho de administração para facilitar a chegada do seu sucessor. Segundo uma fonte, não há nenhuma chance de Ivan Monteiro ficar na diretoria financeira.
Desde sexta-feira, quando o Valor PRO , serviço de informação em tempo real do Valor, publicou nota mencionando a intenção de Temer de colocar Parente no lugar de Bendine, o ex-ministro chefe da Casa Civil e Planejamento do governo FHC vem negando o convite. Na sexta, negou inclusive ter sido sondado. Na segunda, de novo seu nome era mencionado por fontes próximas a Temer. NO dia seguinte voltou a negar, em Nova York, onde participou de uma homenagem a Armínio Fraga feita pela Câmara de Comércio Brasil-EUA.
Apesar das negativas, amigos de Parente afirmam que ele não se decidiu. Alega razões pessoais para não voltar. Já mencionou várias vezes que demorou dez anos para se livrar de todos os processos herdados de sua passagem pelo governo e que a família pressiona para que não aceite. Mas a cobrança do outro lado também é forte.
Parente se ocupa hoje da Prada Assessoria, a administradora de fortunas que comanda junto com a mulher. Também é membro de alguns conselhos de administração, entre eles o da BM&FBovespa, depois de ter presidido o grupo RBS e a Bunge, das quais permanece conselheiro.
Enquanto o comando da Petrobras se mantém sujeito às notícias sobre a saída de Bendine, a assessoria do executivo negou que ele tenha recebido um telefonema de Temer comunicando sua substituição. O conselho da Petrobras foi renovado no mês passado, com mandato de dois anos.
A escolha da diretoria da Petrobras é prerrogativa do conselho, exceto o cargo de João Elek, diretor de Governança, Risco e Conformidade, que tem mandato de três anos. O conselho tem prerrogativa de não aprovar os executivos indicados pelo governo. Contudo, como tem o controle da empresa, a União poderia convocar uma assembleia para indicar novos membros do conselho de administração. Elek tomou posse no ano passado, já na gestão Bendine, e só pode ser afastado pelo conselho com voto de pelo menos um representante dos minoritários.
O ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Coelho Filho, disse que a possível mudança na presidência da Petrobras seria discutida ontem à tarde, em reunião com Temer. Mas admitiu que a decisão sobre o assunto deverá ser tomada pelo presidente interino.
“Petrobras é uma questão de governo, não de ministro. Ela está, evidentemente, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, mas [sobre] esse assunto [mudança da presidência da empresa], quem fala é o presidente Michel [Temer]”, afirmou o ministro ao deixar o Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase), no Rio de Janeiro. A reunião com Temer começou no fim da tarde em Brasília. (Colaboraram Rodrigo Polito e André Ramalho)
http://www.valor.com.br//empresas/4569775/questoes-pessoais-separam-parente-da-petrobras
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